Líder do PT aciona Coaf para rastrear R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro

Líder do PT aciona Coaf para rastrear R$ 61 milhões de banqueiro preso repassados a Flávio Bolsonaro

Pedro Uczai afirma que recursos podem ter financiado atividades de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Redação PT na Câmara

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), protocolou nesta quinta-feira (14) um pedido no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para que o órgão instaure procedimento investigativo com o objetivo de rastrear a destinação de R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master preso preventivamente, para a suposta produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pedido se baseia em reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil, que revela áudios e mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Vorcaro.

As conversas indicam a negociação de valores estratosféricos: Flávio solicitou, segundo o site, R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar a cinebiografia intitulada “Dark Horse”.

De acordo com a petição encaminhada ao presidente do Coaf, Ricardo Andrade Saadi, embora o valor total não tenha sido entregue, o senador chegou a receber o equivalente a R$ 61 milhões. Os repasses ocorreram em seis parcelas, entre fevereiro e maio de 2025, por meio de uma estrutura financeira considerada suspeita por Uczai.

Rastreamento de recursos e lavagem de dinheiro

Na argumentação do deputado, é fundamental determinar para onde foram os valores, uma vez que a própria produtora do filme negou ter recebido qualquer quantia de Vorcaro. O deputado Mário Frias (PL-SP), um dos coprodutores da obra, também afirmou publicamente que o filme não recebeu “um centavo sequer” do banqueiro.

“A estrutura triangulada de pagamentos internacionais, passando por entidades sem histórico no setor audiovisual, levanta suspeitas fundadas de possível lavagem de dinheiro e evasão de divisas”, escreveu Uczai na petição.

As transações foram feitas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações — já investigada pelo Banco Central como possível empresa “laranja” de Vorcaro — e direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA).

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O fundo, segundo o deputado, é controlado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde o ano passado promovendo atividades contra o a democracia no Brasil, o Supremo Tribunal Federal e outras instituições brasileiras.

Suspeita de financiamento a Eduardo Bolsonaro

Uczai sugere que os recursos podem estar “financiando atividades criminosas no exterior”, incluindo a sabotagem de Eduardo Bolsonaro contra instituições brasileiras. A suspeita se reforça porque o fundo Havengate é ligado ao escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

“A conclusão não pode ser outra, senão a de que estes repasses, envolvendo vultosos recursos públicos, objetivaram beneficiar interesses privados do próprio senador ou de sua família, mais precisamente, serviu para a manutenção do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e sua família nos Estados Unidos”, afirma o líder do PT.

Dinheiro público no centro da polêmica

O deputado também contesta a afirmação de Flávio Bolsonaro de que não houve uso de recursos públicos nas tratativas com Vorcaro.

Primeiro, explicou o líder, o BRB, instituição financeira pública, adquiriu cerca de R$ 13 bilhões em papéis do Banco Master, com estimativa de perda entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões.

Segundo: fundos previdenciários de municípios e estados investiram cerca de R$ 2 bilhões no Master e devem perder a maior parte desses recursos, afetando diretamente beneficiários de planos de previdência públicos.

O terceiro ponto, frisou o líder do PT, é que o rombo de mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) “terá de ser coberto pelos bancos associados — dois dos maiores são públicos —, e, mesmo nos casos de bancos privados, as contribuições ao FGC são deduzidas do lucro, reduzindo a base de incidência de CSLL e IRPJ (alíquota nominal de 45%), o que representa perda direta de arrecadação para o Erário”.

Emendas parlamentares e ONG ligada à produção

Outro ponto levantado por Uczai envolve o deputado Mário Frias. Ele teria destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama. A mesma mulher é sócia-administradora da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo filme no Brasil.

“A sobreposição entre a beneficiária das emendas e a produtora do filme levanta suspeita grave de que recursos orçamentários da União teriam servido de lastro indireto para a produção cinematográfica”, afirma o documento.

Uczai frisou na petição ao Coaf de que documentos divulgados comprovam que mais de R$ 61 milhões foram efetivamente repassados ao senador (Flávio Bolsonaro) ou para destinatários indicados por ele. Como a produção do filme diz que não recebeu nada, a conclusão é de “estes repasses, envolvendo vultosos recursos públicos, objetivaram beneficiar interesses privados do próprio senador ou de sua família, mais precisamente, serviu e vem servindo para a manutenção do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e sua família, nos Estados Unidos da América, com o objetivo de atuar contra os interesses do Brasil e da sociedade brasileira”, argumentou Uczai.

Íntegra da petição, aqui

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Publicação de: Viomundo

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