General Silva e Luna irrita aliados de Moro ao posar com Gleisi

O prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna (PL), posou ao lado da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), pré-candidata ao Senado, nesta terça-feira (2), durante a entrega da revitalização da Avenida Juscelino Kubitschek. A foto rendeu ironia no entorno do senador Sergio Moro (PL), adversário de Gleisi e pré-candidato ao Palácio Iguaçu: um aliado do ex-juiz disse que Moro “chorou” ao ver o general “costear o alambrado alheio”.

A frase não descreve cena literal. É munição de bastidor para traduzir o incômodo político causado por uma imagem simples: um prefeito do campo bolsonarista dividindo palanque institucional com uma das principais lideranças do PT no Paraná.

Para Gleisi e para Silva e Luna, porém, a relação é republicana. A obra foi bancada com recursos da Itaipu Binacional, ligada ao governo federal, e executada em parceria com a Prefeitura de Foz do Iguaçu. O recado político do ato é que o governo do presidente Lula (PT) busca aparecer no Paraná como gestor de obras concretas, inclusive em cidades comandadas por adversários.

A Avenida JK recebeu obras de drenagem, recape asfáltico, ciclovia, calçadas, paisagismo, iluminação pública, mobiliário urbano, calçadão e dois pontos de ônibus climatizados. A Prefeitura de Foz informou investimento total de R$ 25 milhões, valor que inclui aditivo sobre o contrato inicial.

Gleisi afirmou que a revitalização melhora a vida de quem mora em Foz do Iguaçu, com calçadas, ciclovia e iluminação. Segundo ela, a obra mostra que a Itaipu, no governo Lula, voltou a cumprir papel social ao investir em desenvolvimento urbano e qualidade de vida.

O ponto sensível para Moro está na fotografia, não no asfalto. O ex-juiz tenta construir uma candidatura ao governo do Paraná pelo PL, mas depende de um campo de direita que não está inteiramente alinhado. Foz do Iguaçu é uma cidade estratégica, abriga Itaipu, movimenta turismo internacional e tem peso político na fronteira.

Silva e Luna foi diretor-geral brasileiro da Itaipu no governo Jair Bolsonaro, presidiu a Petrobras e venceu a eleição municipal de 2024 pelo PL. A presença ao lado de Gleisi, portanto, dá ao PT um argumento visual forte: o governo federal consegue entregar obra com adversários sem transformar todo convênio em guerra eleitoral.

No campo morista, a leitura é oposta. A foto mostra que a candidatura de Moro ainda terá de lidar com prefeitos, lideranças locais e interesses municipais que não cabem no discurso de trincheira. Obra urbana, dinheiro de Itaipu e demanda de morador pesam mais que fidelidade de palanque quando a conta chega à cidade.

A revitalização da JK também toca um problema concreto de Foz. A via convivia com alagamentos e desgaste na infraestrutura. A Prefeitura informou que quase R$ 10 milhões foram aplicados na drenagem, justamente no trecho entre a Avenida Carlos Gomes e o Jardim Jupira. Outros recursos foram destinados ao recape, à ciclovia, à iluminação, aos pontos de ônibus e aos espaços pet.

Durante a tarde, Gleisi esteve em Medianeira para a assinatura de convênio do Parque da Pedreira. O investimento total previsto é de R$ 5 milhões, sendo R$ 4,25 milhões da Itaipu. O projeto prevê parque urbano, recuperação ambiental de fundo de vale, estacionamento, praças, guarita, banheiros, portal de acesso e trilhas.

Também foi assinado convênio para o projeto Usina de Projetos dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu. O investimento total anunciado é de R$ 8,36 milhões, com R$ 7,92 milhões da Itaipu. A meta é dar suporte técnico aos 16 municípios da região para elaborar projetos estruturantes na metodologia BIM, modelo digital que ajuda prefeituras a planejar obras com mais precisão.

A expectativa é elaborar pelo menos 64 projetos em dois anos, com possibilidade de captação de recursos para educação, cultura, esporte e infraestrutura. Para prefeitos, isso significa sair do discurso e chegar ao projeto técnico exigido por editais, ministérios e órgãos de financiamento.

A presença de Gleisi em Foz e Medianeira reforça sua pré-campanha ao Senado com agenda de obra, recurso federal e interlocução municipal. Para o PT, a imagem com Silva e Luna ajuda a vender a tese de governo plural. Para Moro, a mesma imagem lembra que nem todo aliado de direita aceita transformar parceria institucional em veto político.

No Paraná de 2026, a disputa não será decidida apenas por discursos contra Lula ou contra o PT. Prefeitos vão cobrar obra, dinheiro, convênio e resultado. Em Foz do Iguaçu, a foto de Silva e Luna com Gleisi mostrou que a fronteira entre palanque e administração pública pode custar mais caro a Moro do que uma frase de aliado.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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