Zema deixa vice para agosto e divide Novo no Paraná

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) chegará à convenção nacional de segunda-feira, 27 de julho, sem candidato a vice e com um conflito aberto no Paraná: enquanto a direção nacional prepara sua candidatura à Presidência, o diretório paranaense mantém uma aliança estadual com Sergio Moro e com o Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro.

A convenção será realizada em Brasília. Zema declarou em 20 de julho que pretende definir o companheiro de chapa até 5 de agosto, último dia reservado às convenções partidárias. “Nesse momento em que a data está chegando ao final, nós estamos conversando, mas não temos nada decidido”, afirmou em entrevista à Rádio Tupi. A Executiva Nacional do Novo participa da escolha.

O empresário Geraldo Rufino, filiado ao Podemos, apareceu entre os nomes avaliados. A eventual composição depende de acordo entre as duas legendas. Zema também mencionou Michelle Bolsonaro, mas ela descartou publicamente a possibilidade. Como o PL lançará Flávio Bolsonaro à Presidência, não poderia integrar simultaneamente a chapa presidencial do Novo.

A indefinição do vice permite a Zema negociar até o encerramento das convenções, mas não resolve o problema político criado no Paraná. O Novo estadual oficializou em março uma composição com o PL para apoiar Sergio Moro ao Governo do Estado, Edson Vasconcellos como vice e Deltan Dallagnol e Filipe Barros nas duas vagas ao Senado.

A nota divulgada pelo diretório estadual afirmou que a decisão foi construída em alinhamento com a direção nacional. O comunicado não esclareceu, porém, como será dividida a campanha presidencial dentro do mesmo palanque estadual.

Deltan apresentou uma resposta em entrevista à Jovem Pan Curitiba, em 12 de maio. O dirigente do Novo declarou que a aliança paranaense trabalharia por Zema e por Flávio Bolsonaro. Também sustentou que não haveria espaço eleitoral para uma segunda candidatura competitiva da direita além do nome lançado pelo PL.

“A eleição vai ficar, tudo indica, entre Lula e Flávio Bolsonaro”, disse Deltan. Ao final da entrevista, ele afirmou que o Novo, por estar coligado ao PL no Paraná, atuaria em favor dos dois presidenciáveis. A declaração também foi registrada pelo Blog do Esmael.

A posição cria uma contradição objetiva. Zema pretende disputar votos com Flávio Bolsonaro no primeiro turno de 4 de outubro, mas um dos principais dirigentes de seu partido no Paraná considera que o candidato do Novo não possui espaço eleitoral e admite trabalhar também pelo adversário do PL.

Não existe verticalização obrigatória das coligações. Uma composição estadual entre Novo e PL não impõe apoio automático ao mesmo candidato presidencial. Essa autonomia jurídica, contudo, não elimina o conflito político: cada partido terá materiais, agendas, militância e direção de campanha vinculados ao seu candidato ao Palácio do Planalto.

A tensão aumentou em maio, quando o diretório paranaense criticou o próprio Zema por questionar Flávio Bolsonaro no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota, a direção estadual classificou a manifestação do presidenciável do Novo como precipitada e afirmou que ela gerou “ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas”.

O comunicado também reafirmou que a aliança com o PL permanecia “sólida”. A direção paranaense defendeu, portanto, a composição estadual mesmo depois do conflito público entre Zema e o candidato presidencial apoiado pelos aliados locais.

Sergio Moro depende desse arranjo para reunir no Paraná o eleitorado lavajatista e bolsonarista. Deltan procura uma das duas vagas ao Senado, enquanto Filipe Barros representa o PL e possui ligação direta com Flávio Bolsonaro. A candidatura própria de Zema obriga esse grupo a decidir como aparecerão os presidenciáveis nas agendas, nos materiais e nas declarações públicas.

A convenção de 27 de julho poderá oficializar Zema, mas não resolverá automaticamente a divisão paranaense. Permanecem sem resposta pública específica quatro questões: se haverá palanque exclusivo para o candidato do Novo no estado; quais dirigentes irão à convenção nacional; se Deltan manterá a defesa simultânea de Zema e Flávio Bolsonaro; e como serão organizados os materiais conjuntos com candidatos do PL.

O Novo tem autonomia legal para formar uma coligação estadual diferente da composição presidencial. O eleitor, entretanto, precisa saber qual candidatura será defendida por quem pede voto em nome do partido no Paraná. Apoiar dois adversários no primeiro turno pode preservar a aliança local, mas transfere para a campanha uma disputa que a convenção nacional deveria esclarecer.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das convenções e das eleições de 2026.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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