Requião mira nove partidos contra o bloco governista

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Requião busca nove partidos para disputar o governo do Paraná e enfrentar o bloco governista nas eleições de 2026. O candidato do PDT afirmou que sua aliança já reúne seis siglas e trabalha para alcançar nove até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias.

Em discurso na convenção da Federação Brasil da Esperança e em entrevista exclusiva ao Blog do Esmael, Requião Filho apresentou a militância como sua principal força contra adversários com estruturas partidárias maiores.

Aliança reúne seis partidos e mira nove

A composição informada por Requião Filho inclui o Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Federação Brasil da Esperança — formada por Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV) — e a Federação PSOL Rede, integrada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pela Rede Sustentabilidade.

“Nós já estamos com a Federação, com a Rede PSOL e com o PDT. Estamos com seis partidos, trabalhando até o dia 5 para chegar até nove partidos possíveis”, declarou Requião Filho ao Blog do Esmael.

A ampliação dependerá de negociações ainda não detalhadas pelo candidato. A meta mostra que a frente progressista pretende disputar as últimas siglas disponíveis antes do encerramento das convenções partidárias no Paraná, período no qual também serão formalizadas coligações, candidaturas e chapas proporcionais.

Militância contra a estrutura governista

No discurso, Requião Filho contrapôs a militância de esquerda ao poder financeiro atribuído por ele aos grupos adversários. O pedetista disse que os concorrentes poderão contratar cabos eleitorais e ampliar o tempo de propaganda, mas sustentou que a disposição dos apoiadores compensará a diferença de estrutura.

“Eles vão ter que gastar todo o dinheiro do mundo que eles têm. E nós vamos, com gente de verdade, fazer campanha”, afirmou. Em outro trecho, dividiu a disputa entre um “Paraná de gente e de pessoas” e um “Paraná de cifras e CNPJs”.

O contraste procura estabelecer uma identidade para a candidatura em um cenário no qual Sandro Alex (PSD) reuniu o maior bloco partidário nas convenções estaduais. Requião tenta transformar a diferença numérica entre as alianças em conflito político: de um lado, a estrutura dos partidos governistas; de outro, a mobilização das bases de esquerda.

Requião vincula Paraná a Lula e Gleisi

O candidato vinculou a disputa pelo Palácio Iguaçu às eleições para presidente, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Ele defendeu a eleição de Lula (PT) para a Presidência, de Gleisi Hoffmann para o Senado e das chapas proporcionais da coligação.

“Ganhar só o governo não adianta. A gente tem que ganhar Congresso e Assembleia”, declarou.

A afirmação reconhece que um eventual governo estadual dependeria de bancadas capazes de aprovar projetos, fiscalizar contratos e disputar o orçamento público. A construção começou quando Requião Filho foi lançado ao governo do Paraná pela frente formada entre o PDT e a Federação Brasil da Esperança.

Questionado sobre possíveis mudanças até 5 de agosto, o pedetista previu novas movimentações e ironizou o discurso de unidade do grupo governista. “O lado de lá está dizendo que está unido e em paz, mas há até falta de punhal nas lojas de Curitiba”, disse.

A frase recorre a uma metáfora para explorar divergências entre partidos e candidatos adversários. Requião Filho não apresentou nomes das siglas que poderiam aderir à coligação nem documentos que comprovassem negociações em estágio avançado.

Convenções testarão alcance da frente

O desafio da candidatura será converter militância em votos sem deixar que a crítica aos adversários substitua a apresentação de propostas. No discurso, o pedetista prometeu um governo voltado às pessoas, mas não detalhou medidas para emprego, educação, saúde, pedágios, segurança pública ou empresas estaduais.

A tentativa de ampliar a aliança dá continuidade à estratégia pela qual Requião Filho monta uma frente ampla no Paraná. O resultado dependerá das deliberações partidárias e das atas registradas até o fim do prazo legal.

Ao encerrar a entrevista, Requião Filho contestou o slogan governista baseado na diferença entre quem “fala” e quem “faz”. “Aqui a gente fala o que faz e faz o que fala”, respondeu.

Depois das convenções, a disputa dependerá menos das frases de campanha e mais da comparação entre programas, alianças e compromissos concretos. A primeira medida objetiva será verificar se a frente de seis partidos conseguirá chegar às nove siglas projetadas pelo candidato.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das convenções e das eleições de 2026 no Paraná.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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