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O ex-governador de Goiás e pré-candidato do Partido Social Democrático (PSD) à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou que votar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) significa ajudar na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração, feita em 8 de julho, ganhou novo peso nesta sexta-feira, 24 de julho, quando a direita chega dividida às convenções partidárias e Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para ampliar sua coligação.
“Diante do cenário atual, muitos não querem confessar, mas, se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula. A verdade é essa. A candidatura dele está sendo construída como a que o PT deseja”, disse Caiado em entrevista à CNN Brasil.
O ataque ultrapassa a disputa por espaço entre pré-candidatos conservadores. Caiado questiona diretamente a capacidade eleitoral de Flávio Bolsonaro e tenta convencer o eleitor antipetista de que a candidatura do senador favorece Lula.
O argumento recebeu combustível de uma pesquisa Real Time Big Data divulgada em 21 de julho. O levantamento mostrou Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 42% em um eventual segundo turno. Contra Caiado, o resultado foi de 44% para o ex-governador e 43% para Lula, uma diferença dentro da margem de erro.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores nos dias 18 e 20 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro BR-09247/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O instituto também constatou rejeição de 50% a Flávio Bolsonaro, 48% a Lula e 39% a Caiado.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 67% disseram que poderiam mudar o voto para evitar a vitória de Lula. Caso o senador deixasse a disputa, Caiado seria escolhido por 25% desse grupo, à frente de Renan Santos, com 22%, e Romeu Zema, com 20%, conforme os dados divulgados sobre a pesquisa.
Os números não autorizam afirmar que Caiado esteja consolidado como alternativa. No primeiro turno pesquisado, Lula apareceu com 40%, Flávio Bolsonaro com 33%, Renan Santos com 9% e Caiado com 7%. O ex-governador usa o desempenho no segundo turno e a rejeição menor para disputar o voto útil dentro da direita.
A ofensiva ocorre enquanto a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), decidiu manter neutralidade diante da candidatura de Flávio Bolsonaro. A posição ainda depende de formalização pela direção nacional, mas assegura autonomia aos diretórios estaduais, segundo o Blog do Esmael.
O Republicanos continua em negociação com o Partido Liberal (PL). Portanto, ainda não existe decisão pública que permita incluir a legenda no mesmo bloco de neutralidade adotado pela União Progressista.
No Paraná, a divisão nacional entra diretamente na montagem do palanque de Sandro Alex (PSD), apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). A presença de Caiado na disputa presidencial obriga o grupo governista a definir se a campanha estadual acompanhará o candidato oficial do PSD ou abrirá espaço para presidenciáveis de partidos aliados.
A Federação PSDB-Cidadania anunciou nesta sexta-feira, 24 de julho, adesão à coligação de Sandro Alex. O movimento se soma ao apoio estadual da União Progressista, mas não resolve a disputa presidencial dentro da aliança. A neutralidade nacional permite que dirigentes do União Brasil e do PP negociem palanques estaduais sem aderir formalmente a Flávio Bolsonaro.
Sergio Moro também fica diante de uma escolha política. Ligado ao campo bolsonarista no Paraná, ele precisará decidir se enfrenta o argumento de Caiado sobre a viabilidade de Flávio Bolsonaro ou se concentra sua campanha estadual sem entrar na guerra presidencial da direita.
A convenção do PL, marcada para 25 de julho, deve oficializar Flávio Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto. O senador receberá o apoio do presidente argentino Javier Milei, mas chega ao encontro sem a adesão nacional da União Progressista e sob ataques de adversários conservadores que disputam o mesmo eleitorado.
Caiado tenta transformar a divisão em uma escolha objetiva: manter Flávio Bolsonaro como representante do bolsonarismo ou procurar uma candidatura considerada mais competitiva contra Lula. No Paraná, a resposta definirá quem dividirá o palanque governista e até onde Sandro Alex conseguirá reunir partidos adversários na eleição presidencial.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das convenções, dos palanques do Paraná e das eleições de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael

