Sandro responde à Quaest e tenta encurtar distância para Moro

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Candidato do PSD diz ser “subestimado”, aposta nas obras de Ratinho Junior e promete continuidade com Rafael Greca para reagir aos 15% da Quaest

Sandro Alex (PSD) usou a sabatina do Bem Paraná nesta terça-feira (25) para responder ao principal problema revelado pela nova pesquisa Quaest: como transformar a aprovação de Ratinho Junior em voto para sua candidatura ao Governo do Paraná.

O candidato apareceu com 15% das intenções de voto na sondagem contratada pela RPC, em terceiro lugar, atrás de Sergio Moro (PL), com 37%, e Requião Filho (PDT), com 21%. A pesquisa ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança.

A distância entre Sandro e o governador é o dado que mais exige explicação política. Ratinho Junior tem 79% de aprovação na mesma pesquisa, enquanto Sandro alcança 15%. O candidato governista, portanto, ainda não converteu integralmente a avaliação positiva da administração em intenção de voto.

Na sabatina, Sandro apresentou sua resposta: o problema seria menos a avaliação do governo e mais o grau de conhecimento sobre quem executou parte das obras e políticas públicas da gestão.

“Não é a eleição do mais conhecido, não é Big Brother. As pessoas não conhecem o meu nome, mas conhecem as minhas obras”, afirmou.

A estratégia é transformar o balanço administrativo do governo Ratinho em identidade eleitoral própria. Sandro citou sua atuação como secretário estadual de Infraestrutura e Logística e disse que pretende mostrar ao eleitor não apenas o que entregou, mas também o que pretende fazer no próximo governo.

“Subestimado” é a aposta de Sandro

Sandro afirmou que é subestimado pelos eleitores e, principalmente, pelos adversários. Para ele, a campanha ainda precisa apresentar ao Paraná o político que esteve à frente de obras durante os dois mandatos de Ratinho Junior.

O argumento ganhou peso porque a Quaest também mostrou que 18% dos eleitores estão indecisos. Há, portanto, uma parcela relevante do eleitorado que ainda não definiu o voto.

Sandro tenta ocupar esse espaço sem abandonar a associação com Ratinho.

“Se não houver segundo turno, é porque nós saímos vitoriosos no primeiro”, declarou na sabatina, sustentando que o eleitor reconhece os resultados dos últimos oito anos e deseja continuidade.

O discurso enfrenta um problema objetivo: o candidato ainda está 22 pontos abaixo da aprovação registrada pelo senador Moro.

A eleição, nesse sentido, terá uma pergunta central para o PSD: quanto da aprovação de Ratinho Junior pertence ao governo e quanto pode ser transferido para Sandro Alex?

A resposta não está dada pela pesquisa.

Sandro tenta se diferenciar de Moro

A sabatina também serviu para Sandro estabelecer uma linha de contraste com Sergio Moro, líder da Quaest.

O candidato do PSD afirmou que combater a corrupção deve ser princípio de qualquer agente público, mas não pode ser apresentado como plano de governo. A crítica mira diretamente o discurso de Moro, que tem explorado a pauta anticorrupção e a oposição ao PT.

“Combater a corrupção não é plano de governo. Isso é princípio e requisito fundamental para quem está na vida pública. O que estamos discutindo é quem está preparado para governar o Estado”, afirmou.

Sandro apresentou a própria candidatura como alternativa à polarização nacional. Disse defender um Paraná “unido e em paz” e associou sua campanha à continuidade administrativa.

A diferença de estratégia é relevante porque Moro aparece com 37% na Quaest e também lidera os cenários de segundo turno: vence Requião Filho por 51% a 27% e Sandro por 48% a 19%.

O candidato do PSD, portanto, precisa primeiro reduzir a distância no primeiro turno antes de discutir a disputa direta contra Moro.

Greca vira parte da resposta

A aliança com Rafael Greca (MDB), escolhido para a vice de Sandro, também entrou na equação apresentada na sabatina.

Sandro disse que procurou Greca porque queria um vice com perfil semelhante ao de Darci Piana, atual vice-governador, que, segundo ele, participa da gestão como uma espécie de “governador também”.

A definição de Greca alterou o quadro da pesquisa porque a Quaest de agosto foi a primeira realizada depois da desistência do ex-prefeito de Curitiba de disputar o governo. Greca passou a integrar a chapa de Sandro como vice.

Sandro resumiu a composição como uma parceria entre “um urbanista” e “um construtor”.

A aposta eleitoral é que Greca acrescente conhecimento de nome e presença política, enquanto Sandro tenta apresentar capacidade administrativa e execução de obras.

Copel: Sandro defende privatização e promete fiscalização

Outro ponto concreto da sabatina foi a defesa da privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

Sandro afirmou que a venda da companhia foi necessária para permitir investimentos na expansão da oferta de energia e disse que, agora, o papel do próximo governo será fiscalizar a execução dos investimentos prometidos.

A declaração mantém a candidatura alinhada à política econômica adotada por Ratinho Junior e evita qualquer recuo sobre uma das medidas mais controversas da atual administração.

Na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), o discurso é diferente.

Sandro afirmou que a empresa não precisa ser privatizada porque teria capacidade de realizar os investimentos necessários. Prometeu ainda antecipar as metas previstas no marco do saneamento, com universalização dos serviços antes de 2033.

São duas respostas que ajudam a definir o perfil econômico da candidatura: continuidade na Copel, mas preservação do controle estatal da Sanepar.

Escolas cívico-militares terão expansão

Na educação, Sandro declarou apoio às escolas cívico-militares e prometeu ampliar o modelo para cerca de 500 instituições.

O candidato justificou a proposta pelo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), afirmando que a maioria das melhores escolas do Paraná estaria dentro desse modelo.

A proposta também o coloca no mesmo campo político de Ratinho Junior e de Moro em uma pauta que ganhou espaço na eleição estadual.

O problema que a sabatina não resolve

Sandro saiu da sabatina com uma narrativa definida: ele quer ser reconhecido como o candidato das obras, da continuidade administrativa e de uma campanha menos confrontacional que a de Moro.

Mas a Quaest deixa um problema que discurso nenhum resolve sozinho.

Ratinho Junior tem 79% de aprovação. Sandro tem 15%.

A candidatura governista precisa provar que o eleitor que aprova a gestão também pretende votar em quem promete continuá-la.

A pesquisa anterior da RealTime Big Data, divulgada em 18 de agosto, havia colocado Sandro com 22%, enquanto Moro tinha 37% e Requião Filho, 20%. A nova Quaest reduziu o intervalo de Sandro para 15%, mostrando que os institutos captam movimentos diferentes no eleitorado, embora as metodologias não sejam idênticas.

Por isso, a sabatina interessa menos pelo que Sandro respondeu sobre a própria candidatura e mais pelo teste que começa agora: se o candidato conseguir transformar obras, continuidade e apoio de Ratinho em reconhecimento pessoal, os 15% podem ser um piso; se não conseguir, a aprovação do governador continuará sendo um patrimônio político que não chega à urna com seu nome.

A campanha de Sandro entra, assim, em uma fase mais objetiva. Não basta mais apresentar o governo Ratinho como legado. Será necessário convencer o eleitor de que Sandro Alex é quem deve administrar esse legado a partir de 2027.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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