PT monta tropa digital para Lula no Paraná em 2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) informou nesta segunda-feira (18) que as pré-campanhas do presidente Lula (PT), da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) e do deputado estadual Requião Filho (PDT) organizaram uma rede digital no Paraná com mais de 400 militantes, em um movimento que tenta dar unidade à comunicação progressista antes da largada formal de 2026.

A engrenagem teve uma oficina remota no sábado (16), com cerca de 160 participantes de PT, PDT, PSOL, PCdoB, Rede e PV, segundo publicação da Rede PT de Comunicação.

O recado político é direto.

A esquerda paranaense decidiu montar seu quartel digital antes de o governador Ratinho Junior (PSD), o ex-secretário Sandro Alex (PSD), o senador Sergio Moro (PL) e a direita bolsonarista fecharem suas linhas de ataque para a eleição estadual.

O PT apresentou a iniciativa como uma ação de mobilização em defesa da reeleição de Lula, da pré-candidatura de Requião Filho ao governo do Paraná e da pré-candidatura de Gleisi ao Senado. Na linguagem de campanha, isso significa tentar amarrar três disputas em uma só narrativa: Planalto, Palácio Iguaçu e Senado.

O dado relevante não está apenas no número de militantes. Está na composição da oficina.

A presença de partidos da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, somada a PDT, PSOL e Rede, indica tentativa de montar uma frente de comunicação para além da estrutura petista. É uma resposta antecipada a um Paraná onde a direita opera com máquina estadual, redes bolsonaristas, prefeitos aliados e forte presença municipal.

O presidente estadual do PT-PR, Arilson Chiorato, disse na publicação do partido que a comunicação será eixo central do processo. Segundo ele, a oficina marca o início de um “grande time virtual” voltado à defesa do Brasil e do Paraná. A frase traduz a prioridade do PT: disputar a narrativa antes que a campanha oficial comece.

Requião Filho também tratou a rede como peça de pré-campanha. O deputado afirmou que os apoiadores deverão “furar a bolha” e ajudar a levar a disputa ao segundo turno no Paraná, conforme registro do PT. A fala revela a meta política do PDT: nacionalizar parte da eleição estadual pela ligação com Lula e, ao mesmo tempo, estadualizar o desgaste da direita no Paraná.

O encontro teve ainda a participação dos deputados federais Lenir de Assis (PT) e Zeca Dirceu (PT), além de Paulo Okamoto, diretor do Instituto Lula e coordenador de redes sociais e comitês da pré-campanha de Lula, de acordo com o PT.

A entrada de Okamoto no circuito paranaense dá escala nacional à iniciativa. Não se trata apenas de grupo de WhatsApp, produção de cards ou replicação de slogans. A operação tenta conectar comitês, militância digital e agenda de rua em um estado tratado pela direita como território estratégico para 2026.

O PT também apresentou na oficina o projeto Pode Espalhar, desenvolvido pelo partido e pela Fundação Perseu Abramo, voltado à formação de militantes que atuam nas redes, com conteúdo, estratégia e formação continuada.

A notícia se encaixa em uma movimentação já registrada pelo Blog do Esmael. Em 4 de maio, Gleisi e Requião Filho marcaram para 30 de maio o lançamento oficial de suas pré-candidaturas no Paraná, em ato pensado para organizar o palanque de Lula no estado. O evento será realizado no Igloo Super Hall (anexo ao Jockey Club do Paraná), no bairro Tarumã, em Curitiba.

A rede digital anunciada pelo PT antecipa esse ato. Antes da foto pública, o campo progressista tenta arrumar a máquina de comunicação que deverá defender Lula, apresentar Requião Filho como alternativa ao ciclo de Ratinho Junior e sustentar Gleisi na disputa por uma das duas vagas do Paraná ao Senado.

O desafio é grande porque a direita chega fragmentada, mas com musculatura. Ratinho Junior controla o governo estadual. Sandro Alex é o nome do grupo palaciano. Moro tenta ocupar espaço no bolsonarismo estadual. Flávio Bolsonaro e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro seguem disputando a narrativa nacional dentro do Paraná.

A esquerda, por sua vez, tenta impedir que cada pré-campanha fale sozinha. A operação digital busca fazer Lula, Gleisi e Requião Filho aparecerem como partes do mesmo projeto político. Essa unidade será testada na escolha de agenda, na disputa do segundo voto ao Senado e na capacidade de transformar militância online em presença territorial.

A publicação do PT não informa, porém, calendário detalhado de ações, divisão regional da rede, metas de alcance, coordenação por macrorregiões ou reação formal do Palácio Iguaçu. Esses pontos ainda separarão uma mobilização partidária de uma operação eleitoral com impacto real.

O fato novo é que a esquerda paranaense resolveu mostrar organização digital antes de a direita concluir sua própria arrumação. Em 2026, a disputa no Paraná não ficará restrita a palanque, santinho e televisão. A guerra começará no celular do eleitor.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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