A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) terá Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, como segundo nome petista na disputa ao Senado pelo Paraná em 2026. A movimentação busca fechar a torneira do segundo voto da militância progressista e impedir que parte do eleitorado lulista ajude candidaturas adversárias capazes de ultrapassar a ex-ministra na reta final.
Em 2026, a eleição para o Senado terá duas vagas por estado. O eleitor paranaense votará em dois nomes diferentes, e o segundo voto será anulado se o mesmo número for digitado duas vezes, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
A regra muda a lógica da disputa. Em 2022, havia uma vaga. Em 2026, os dois mais votados no Paraná serão eleitos para mandatos de oito anos, dentro da renovação de dois terços do Senado Federal, que abrirá 54 cadeiras no país.
A decisão do PT é aritmética e política. Gleisi entra como nome central da esquerda, mas a legenda avalia que deixar o segundo voto solto pode beneficiar candidaturas de centro, direita ou extrema direita, justamente no campo que disputará contra o palanque do presidente Lula (PT) no Paraná.
Rosinha foi chamado para cumprir essa função. Médico, fundador histórico do PT no Paraná, ex-vereador de Curitiba, ex-deputado estadual e ex-deputado federal, ele tem uma biografia reconhecida dentro da militância organizada, dos sindicatos e dos movimentos populares.
Rosinha nasceu em Rolândia, Norte do estado, veio para Curitiba aos 18 anos, formou-se em Medicina, participou da fundação do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi presidente da Associação dos Servidores Municipais de Curitiba e ajudou na criação do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc).
O sinal público veio no sábado (30), durante o lançamento das pré-candidaturas de Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná e de Gleisi ao Senado, em Curitiba. Rosinha foi chamado para subir ao palanque de honra, gesto que, dentro do PT, funciona como recado para a militância antes da formalização partidária.
O próprio PT havia informado, em 1º de junho, que os nomes para a vice-governadoria, a segunda vaga ao Senado e as suplências seriam definidos posteriormente, com homologação oficial entre 20 de julho e 5 de agosto. A entrada de Rosinha antecipa a linha política da legenda: o segundo voto será tratado como parte da chapa, não como sobra eleitoral.
O Blog do Esmael registrou que, no ato de sábado (30), Gleisi foi apresentada como primeiro nome da esquerda para o Senado no Paraná e que a segunda vaga ainda não tinha sido anunciada. O novo movimento fecha essa lacuna e tenta disciplinar a base antes que pesquisas e alianças municipais embaralhem a disputa.
Gleisi reassumiu o mandato de deputada federal em 6 de abril de 2026, depois de licença para comandar a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, conforme registro do Blog. A pré-candidatura ao Senado recoloca a petista em uma eleição majoritária no Paraná, estado em que já foi eleita senadora em 2010.
O risco para o PT está no comportamento do eleitor de esquerda diante de duas vagas. Um voto em Gleisi e outro em candidatura de fora do campo progressista pode produzir uma contradição: fortalecer a principal candidata petista e, ao mesmo tempo, empurrar para o Senado um adversário do governo Lula.
Rosinha entra para reduzir esse vazamento. Ele não precisa disputar o mesmo espaço simbólico de Gleisi. A função dele é oferecer ao eleitor petista uma segunda opção orgânica, com história partidária, identidade paranaense e ligação com a base social que formou o PT no estado.
Na próxima semana, Rosinha deve aparecer em pesquisas de intenção de voto. Esse será o primeiro teste mensurável da estratégia petista. O dado que importará não será apenas a posição dele isoladamente, mas o tamanho do segundo voto progressista que o PT consegue manter dentro da própria chapa.
A disputa ao Senado no Paraná deixou de ser uma corrida individual. Para o PT, virou engenharia de contenção. Gleisi precisa de voto para vencer; Rosinha entra para impedir que a militância entregue a segunda chave da urna a quem poderá votar contra o próprio campo no Senado.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
