Base de Lula leva caso Master ao Congresso dos EUA contra Bolsonaros

Deputados da base do presidente Lula (PT) levaram nesta quinta-feira (4), em Washington, um pedido para que parlamentares democratas dos Estados Unidos cobrem apuração sobre supostas conexões financeiras envolvendo Banco Master, Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro e estruturas empresariais com atuação em território americano.

O movimento muda a direção da disputa internacional. A direita bolsonarista buscou Donald Trump, Marco Rubio e o sistema político dos Estados Unidos para pressionar o Brasil. Agora, governistas tentam usar o mesmo endereço político para pedir investigação contra o campo que foi a Washington falar em soberania enquanto pedia pressão externa contra instituições brasileiras.

O documento foi assinado pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), pela líder do PCdoB, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), pelo vice-líder do governo, Pedro Campos (PSB-PE), e por André Janones (Rede-MG).

O pedido foi entregue a parlamentares democratas e trata de suspeitas sobre uso de empresas, fundos de investimento, escritórios de advocacia, contas bancárias e contratos sediados ou operados nos Estados Unidos.

A solicitação cita Banco Master, Daniel Vorcaro, Reag Investimentos e atividades atribuídas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A hipótese apresentada pelos deputados é que recursos ligados ao ecossistema do Master possam ter passado por estruturas americanas antes de beneficiar, direta ou indiretamente, ações políticas, jurídicas, de comunicação ou lobby.

O ponto sensível é o rastro do dinheiro. Os parlamentares pedem análise de registros bancários, contratos, documentos societários, movimentações financeiras, beneficiários finais e eventual preservação de documentos sob jurisdição dos Estados Unidos.

O caso não autoriza sentença antecipada. O próprio pedido afirma que não atribui responsabilidade criminal definitiva aos envolvidos. A ofensiva busca abertura de procedimentos para confirmar ou descartar as suspeitas.

Ainda assim, o efeito político é imediato. Flávio Bolsonaro já vinha tentando separar sua pré-campanha presidencial da crise do Banco Master e do filme “Dark Horse”, obra sobre Jair Bolsonaro que aparece no centro da apuração sobre pedido de recursos a Daniel Vorcaro.

O Blog do Esmael registrou que Flávio Bolsonaro negou que dinheiro do fundo privado do filme tenha sido enviado a Eduardo Bolsonaro. O senador afirmou que não houve repasse ao irmão e sustentou que Eduardo não fez a gestão financeira da produção.

A ida dos governistas a Washington ocorre depois da própria viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O senador se reuniu com Donald Trump na Casa Branca, acompanhado de Eduardo Bolsonaro e do aliado Paulo Figueiredo, em agenda que tratou de crime organizado, tarifas e minerais estratégicos, segundo a Reuters.

Esse é o ponto que torna a pauta explosiva. A família Bolsonaro internacionalizou a disputa brasileira ao procurar apoio de Trump contra decisões e interesses do Brasil. A base de Lula tenta transformar essa vitrine em vitrine reversa: se houve articulação política nos Estados Unidos, a origem do dinheiro usado nessa articulação também precisa ser rastreada.

O caso se encaixa na guerra do tarifaço, do Pix e da eleição presidencial de 2026. O governo Trump propôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em investigação comercial que inclui serviços de pagamento eletrônico, comércio digital, etanol, propriedade intelectual e meio ambiente. A consulta pública vai até 1º de julho, com audiência marcada para 6 de julho e decisão prevista até 15 de julho.

Para o Brasil, a disputa deixou de ser apenas diplomática. Ela passou a misturar comércio exterior, sistema financeiro, soberania digital, Banco Master e a tentativa bolsonarista de usar Washington como palanque contra o governo Lula.

No Paraná, o caso cobra posição de quem embarcou no palanque de Flávio Bolsonaro em Curitiba. Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) defendem a ofensiva bolsonarista nos Estados Unidos ou apoiam a apuração sobre eventual uso de estruturas financeiras norte-americanas no caso Master?

A pergunta não é retórica. Se a direita levou o Brasil ao balcão de Trump e Rubio, a esquerda decidiu levar o Banco Master ao balcão dos democratas. O próximo teste será saber se o pedido ficará no gesto político ou se algum parlamentar americano encaminhará a demanda ao Departamento de Justiça, a comissões do Congresso ou a órgãos de controle financeiro dos Estados Unidos.

Até lá, a crise de Flávio Bolsonaro ganha uma frente fora do Brasil. O que começou como áudio, filme e Banco Master agora atravessa o Capitólio, encosta no tarifaço e volta para a campanha presidencial como pergunta de dinheiro, soberania e poder.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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