O deputado estadual Renato Freitas (PT) terá seu mandato defendido nas ruas de Curitiba neste sábado (6), às 14h, na Praça Santos Andrade, em um ato que transformou a tentativa de cassação na Assembleia Legislativa do Paraná em conflito aberto sobre democracia, representação popular e luta antirracista.
O movimento “Renato Fica” ganhou força depois que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, na terça-feira (2), a continuidade do processo que pode tirar o mandato do parlamentar petista.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), ex-ministra do governo Lula, confirmou presença na manifestação e enquadrou o caso como uma disputa maior do que a situação individual de Renato.
“Minha solidariedade ao companheiro Renato Freitas. Defender o mandato do Renato é defender a democracia, a luta antirracista e o direito do povo de ser representado. No dia 6 de junho, vamos mostrar que ninguém cala uma voz escolhida pelo povo”, disse Gleisi.
A frase resume o eixo político do ato. Para os organizadores e aliados de Renato, a cassação não pode ser tratada apenas como punição disciplinar. O mandato foi entregue pelas urnas, e sua perda, se aprovada em plenário, terá consequência direta sobre a representação da esquerda, dos movimentos populares, da população negra e das periferias na Alep.
A CCJ aprovou a admissibilidade do parecer do Conselho de Ética por 8 votos a 2. Votaram contra os deputados Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Alep e presidente do PT do Paraná, e Ana Júlia Ribeiro (PT), líder do Bloco PT-PDT.
Os dois apresentaram votos em separado e defenderam o acolhimento do recurso da defesa. Nos argumentos levados à comissão, apontaram supostas nulidades processuais, restrições ao direito de defesa, dúvidas sobre a imparcialidade na condução do caso e descumprimento de regras internas da própria Assembleia.
“Quem hoje se acha vencedor será derrotado pela história”, afirmou Arilson Chiorato, após a decisão da CCJ, ao defender a luta de Renato Freitas.
O processo tem origem em um episódio ocorrido em 19 de novembro de 2025, no Centro de Curitiba, envolvendo Renato e o então manobrista Weslley de Souza Silva. Imagens de câmeras e celulares registraram parte da discussão e das agressões. A defesa sustenta que o caso ocorreu fora do exercício da atividade parlamentar e deve ser analisado pela Justiça comum.
O Conselho de Ética recomendou a perda do mandato de Renato no processo ligado a esse episódio. Também aprovou punições de suspensão de prerrogativas regimentais em outros casos. A cassação, porém, ainda depende do plenário da Alep, depois da formalização do projeto de resolução no rito interno da Casa.
A defesa e parlamentares da oposição afirmam que a tramitação acumulou falhas. Arilson disse ter listado mais de 15 irregularidades no processo. Ana Júlia sustentou que o Código de Ética, aprovado para dar previsibilidade e garantia aos julgamentos internos, não pode ser abandonado quando a punição em análise é a perda de um mandato popular.
A disputa também ganhou carga partidária. Aliados de Renato apontam a atuação de parlamentares e vereadores do Novo entre autores de representações e no entorno político do processo. A acusação é de perseguição coordenada contra um deputado negro, de esquerda e ligado às lutas populares. Esse ponto deve continuar no centro da reação jurídica e política.
A mobilização de sábado tenta levar para fora da Alep uma pergunta que o plenário terá de responder dentro dela: a maioria parlamentar pode cassar um mandato sem esgotar, com rigor, as dúvidas sobre rito, defesa e imparcialidade?
A presença de Gleisi nacionaliza o ato e dá ao caso peso dentro da estratégia do PT. O apoio de lideranças estaduais, vereadores, militantes antirracistas e movimentos sociais busca mostrar que Renato não chegará isolado à votação final.
Nos materiais de convocação, apoiadores afirmam que o mandato nasceu das ruas, das lutas populares e do voto de milhares de paranaenses. A Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, foi escolhida como palco de pressão pública antes da decisão final dos deputados estaduais.
O caso Renato Freitas entrou no ponto mais sensível da política paranaense porque junta três temas explosivos: poder legislativo, raça e voto popular. A Alep pode até tratar o processo como disciplina interna, mas a rua promete responder como disputa democrática.
A cassação de um deputado eleito exige mais do que maioria ocasional. Exige rito limpo, defesa plena e decisão sem sombra de perseguição política. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
