A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) usou uma postagem no Instagram, nesta sexta-feira (5), para associar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a personagens ligados a milícias, Comando Vermelho, Banco Master e ao assassinato de Marielle Franco, com uma pergunta direta ao Paraná: quem está do lado do pré-candidato bolsonarista à Presidência?
O carrossel publicado por Gleisi parte de uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre relações do clã Bolsonaro com suspeitos de envolvimento no crime organizado. A peça política afirma que “a farsa da extrema-direita não se sustenta” e mira, no fim, o palanque paranaense de Flávio Bolsonaro, onde aparecem Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).
O movimento de Gleisi tenta virar contra a direita uma de suas bandeiras mais fortes: a segurança pública. Flávio Bolsonaro passou a vender como trunfo eleitoral a decisão dos Estados Unidos de tratar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A resposta petista foi lembrar o histórico de aproximações, homenagens e aliados no Rio de Janeiro.
Um dos frames cita Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O material afirma que Flávio Bolsonaro visitou Adriano na prisão, entregou a ele uma medalha e empregou a mãe e a esposa dele em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Outro frame cita os irmãos Alan e Alex Rodrigues, presos na Operação Quarto Elemento, em 2018, e apontados no material como integrantes de uma quadrilha que teria atuado na segurança pessoal de Flávio Bolsonaro. A postagem também resgata Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, descrito como aliado de Flávio e preso sob suspeita de organização criminosa e de beneficiar o Comando Vermelho.
A ofensiva inclui TH Joias e Gutemberg Fonseca, dois personagens recentes do noticiário policial e político fluminense. Nos cards, TH Joias aparece como aliado de Flávio Bolsonaro e de Cláudio Castro, preso sob suspeita de intermediar compra de armas para o Comando Vermelho. Gutemberg é apresentado como aliado de Flávio investigado pela Polícia Federal por contatos com a facção.
Gleisi também trouxe Ronald Pereira para o centro da cobrança. O frame afirma que o policial militar, condenado no caso Marielle Franco, já foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Alerj. O caso Marielle tem peso político porque revelou, no Supremo Tribunal Federal (STF), a ligação entre política, milícia e crime organizado no Rio.
O último bloco da sequência leva o caso Banco Master para o mesmo campo de desgaste. O card diz que Flávio Bolsonaro era próximo de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso pela maior fraude da história do Brasil, que o chamou de “irmãozão”, visitou-o quando estava em prisão domiciliar e pediu R$ 134 milhões ainda não explicados.
Há diferença jurídica entre acusação, investigação e condenação. Flávio Bolsonaro não foi condenado nos casos citados pela postagem. A denúncia das supostas rachadinhas no gabinete dele foi arquivada pela Justiça do Rio de Janeiro em 2022, após anulação de provas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal. Essa distinção, porém, não elimina o desgaste político provocado pela sequência de registros.
É nesse ponto que o Paraná entra. Ao exibir a foto de Moro, Deltan e Filipe Barros ao lado de Flávio Bolsonaro, Gleisi joga a crise no colo do palanque que tenta vender a direita paranaense como vitrine de moralidade, combate ao crime e defesa da ordem. A pergunta dos frames não é jurídica. É eleitoral.
Moro, que se lançou ao governo do Paraná com Flávio Bolsonaro em Curitiba, terá de explicar ao eleitor se a aliança com o filho de Jair Bolsonaro ajuda ou contamina sua tentativa de voltar ao centro da política estadual. Deltan tenta reconstruir mandato depois da cassação. Filipe Barros, mais identificado com o bolsonarismo raiz, aparece como o elo natural dessa operação no estado.
A postagem de Gleisi tem alvo, data e função. Ela busca impedir que Flávio Bolsonaro entre em 2026 apenas como porta-voz do combate às facções. A deputada quer fixar outra imagem: a de um pré-candidato cercado por relações políticas incômodas no Rio de Janeiro e carregado pelo palanque da direita no Paraná.
O conflito agora passa para os aliados paranaenses. Se Flávio Bolsonaro for ativo eleitoral, Moro, Deltan e Filipe tentarão tirar proveito da base bolsonarista. Se virar passivo, a foto de Curitiba deixará de ser lembrança de lançamento e passará a funcionar como prova política de alinhamento.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
