Nas redes sociais, 74,1% ligam diretamente os Bolsonaro ao novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil

Nas redes sociais, 74,1% colam novo tarifaço nos Bolsonaro

AtivaWeb DataLab identificou 23 milhões de menções nas redes ao novo tarifaço em pouco mais de 24h; três em cada quatro o ligam diretamente à família Bolsonaro

por Henrique Fregonasse, em Amado Mundo

Três em cada quatro menções nas redes sociais desde a revelação, na terça-feira (2/6), da proposta do  Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR)  de impor um novo tarifaço aos produtos brasileiros associam a medida norte-americana diretamente à família Bolsonaro.

O dado é a principal conclusão de um estudo especial realizado pela AtivaWeb DataLab: 74,1% das cerca de 23 milhões de menções ao assunto feitas até as 13h desta quarta-feira (3/6) responsabilizavam os Bolsonaro pela ameaça dos EUA.

Além das menções críticas, que associavam o tarifaço diretamente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao irmão autoexilado nos EUA, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, outros 11,8% delas foram classificadas como neutras, concentradas em reportagens, análises econômicas e compartilhamento de notícias. Um índice de 14,1% dos registros apresentava posicionamentos favoráveis ou defensivos em relação aos atores envolvidos.

Segundo a análise da AtivaWeb, esse dado demonstra que o episódio ultrapassou o debate econômico sobre tarifas e comércio exterior  e passou a ser interpretado através da lente política que domina o debate público brasileiro neste ano eleitoral de 2026.

‘TariFlávio’, soberania, patriotismo

O estudo também analisou os principais termos associados ao caso.

A hashtag #TariFlávio foi uma das com maior número de utilizações, associando diretamente o debate econômico a Flávio Bolsonaro, e rapidamente passou a ocupar espaço relevante nas conversas digitais.

A hashtag #BolsoMaster também voltou a ganhar força, principalmente entre usuários críticos ao bolsonarismo, associando a discussão do tarifaço a episódios políticos anteriores.

Montagem de Flávio Bolsonaro como figurinha do álbum da Copa do Mundo com o nome de TariFlávio e patrocínio do Banco Master. Foto: Redes sociais.

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Além disso, os termos “Soberania Nacional”, “Patriotismo”, “Exportações”, “Agronegócio”, “Economia Brasileira”, “Interesse Nacional” e “Empregos” foram os de maior crescimento durante o período.

O período entre as 14h30 e as 17h30 de terça foi quando o debate envolvendo #Tariflávio, soberania nacional, Pix, Donald Trump e Flávio Bolsonaro ganhou escala nacional. Desde então, a discussão saiu das bolhas políticas e passou a ocupar espaço em telejornais, portais nacionais, influenciadores digitais, parlamentares e lideranças partidárias.

A AtivaWeb destacou o fortalecimento dos discursos sobre soberania nacional como um dos principais fenômenos identificados pelo estudo. Segundo a agência, a discussão passou a incorporar elementos emocionais ligados ao patriotismo, à defesa dos interesses brasileiros e ao impacto econômico para trabalhadores e empresas.

“Quando um tema econômico alcança o campo da soberania nacional, ele ganha uma dimensão emocional capaz de ultrapassar as fronteiras da polarização política tradicional. Quando a economia encontra o patriotismo, a emoção supera a ideologia. E é exatamente isso que os dados mostram neste momento”, afirmou o CEO da AtivaWeb e colunista do Amado Mundo, Alek Maracajá.

Segundo o estudo, o tema do tarifaço conseguiu romper parcialmente as bolhas ideológicas tradicionais. A preocupação com temas como exportações, empregos, investimentos e economia nacional ampliou o alcance das discussões para além dos grupos políticos mais engajados.

A análise também demonstrou que temas relacionados à soberania digital possuem forte capacidade de mobilização digital, além de explicitar que o debate extrapolou a polarização entre governo e oposição e passou a se centralizar na percepção da importância da defesa dos interesses nacionais.

“Os dados mostram que a discussão deixou de ser apenas sobre tarifas. O que mobiliza milhões de brasileiros neste momento é a percepção sobre quem está defendendo ou prejudicando os interesses do país. Os dados indicam que o centro da conversa não é Trump, Lula ou Bolsonaro. O centro da conversa é o Brasil”, analisou Maracajá.

O estudo sugere que a repercussão do caso tende a continuar se expandindo e ainda está longe de atingir seu pico nas redes sociais. Segundo a AtivaWeb, movimentos digitais associados à economia, patriotismo e disputas políticas historicamente costumam manter elevada capacidade de repercussão por vários dias, especialmente quando passam a integrar o debate nacional e os principais veículos de comunicação.

Como foi feito o estudo sobre novo tarifaço

O estudo, que combinou o monitoramento de conversas públicas no Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), TikTok, YouTube, portais de notícias, blogs e fóruns digitais com o uso de Big Data, IA e processamento de linguagem natural (NLP), constatou que o caso provocou um dos maiores movimentos digitais de 2026 até agora.

Os dados mostraram que o volume de menções nas redes sociais ao caso praticamente dobrou entre as 14h e 17h30 de terça-feira — passando de 8.676.309 para 15.061.008 menções no período – e chegou a 23.760.111 às 13h desta quarta.

Publicação de: Viomundo

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