Celina lidera Arruda no DF, segundo a Paraná Pesquisas

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Celina Leão lidera a disputa pelo Governo do Distrito Federal com 34,6%, contra 28,1% de José Roberto Arruda, segundo levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 20 de julho. A vantagem de 6,5 pontos coloca a governadora à frente, mas a presença de Arruda impede a transformação da eleição em passeio governista. No Senado, Leila do Vôlei, Michelle Bolsonaro e Erika Kokay disputam as duas vagas.

A pesquisa ouviu presencialmente 1.500 eleitores entre 17 e 19 de julho. A margem estimada de erro é de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-01326/2026.

No cenário mais amplo para o governo, Celina aparece com 34,6%, seguida por Arruda, com 28,1%. Leandro Grass soma 11,9%, Ricardo Cappelli tem 4,5%, Paula Belmonte registra 3,6% e Kiko Caputo marca 1,3%. Brancos e nulos são 9,1%, enquanto 6,8% não souberam responder.

A diferença entre Celina e Arruda ultrapassa a margem de erro e confirma a vantagem numérica da governadora. O resultado, entretanto, também revela que a oposição conserva um candidato competitivo: Arruda reúne mais que o dobro da soma obtida por Grass e Cappelli, os dois nomes seguintes na pesquisa.

Sem Arruda, Celina salta para 45,9%

A retirada de Arruda altera profundamente a disputa. No cenário sem o ex-governador, Celina chega a 45,9%, enquanto Leandro Grass avança para 16,3%. Paula Belmonte aparece com 7,2%, Ricardo Cappelli com 5,7% e Kiko Caputo com 2,6%.

Nesse quadro, Celina fica a 4,1 pontos da maioria absoluta dos votos totais apresentados pela pesquisa. Brancos e nulos alcançam 13,7%, e 8,6% não opinam.

A comparação mostra que Arruda não representa apenas uma candidatura adicional. Ele funciona como o principal obstáculo à tentativa governista de encaminhar a eleição ainda no primeiro turno. Sem ele, parte expressiva do eleitorado migra para Celina, enquanto os adversários restantes não conseguem absorver o mesmo volume.

A pesquisa espontânea reforça a polarização em formação, embora 66,7% ainda não tenham indicado candidato. Celina é lembrada por 12,3%, Arruda por 7,4% e Leandro Grass por 4%. Cappelli aparece com 1,1%, seguido por Ibaneis Rocha, com 0,9%, e Paula Belmonte, com 0,6%.

Arruda vence entre eleitores de menor escolaridade

Os recortes revelam bases eleitorais diferentes. Celina alcança 38,9% entre os entrevistados que participaram de alguma celebração religiosa nos dez dias anteriores à pesquisa. Entre os que não participaram, ela tem 30%.

Arruda mantém 28% nos dois grupos, praticamente sem oscilação. A diferença indica que a participação religiosa beneficia especialmente Celina, cuja vantagem sobre o adversário cresce de 1,7 para 11,4 pontos nesse segmento.

O ex-governador, por sua vez, lidera entre eleitores com ensino fundamental: tem 38,9%, contra 32,6% de Celina. Ela abre vantagem entre os entrevistados com ensino médio, por 37,6% a 26,5%, e entre os que possuem ensino superior, por 31,9% a 24,1%.

Leandro Grass encontra seu melhor terreno no eleitorado com ensino superior, no qual alcança 17,3%. O índice cai para 10,1% entre os entrevistados com ensino médio e para 6,7% entre aqueles com ensino fundamental.

Celina também dispõe da aprovação administrativa como ativo eleitoral. Sua gestão é aprovada por 58,3% e desaprovada por 37,6%. Na avaliação detalhada, 37,1% classificam o governo como ótimo ou bom, 31% como regular e 29,2% como ruim ou péssimo.

A aprovação chega a 63,3% entre os entrevistados que participaram recentemente de celebrações religiosas. Entre os que não participaram, cai para 53,5%. O mesmo corte aparece, portanto, na aprovação do governo e na intenção de voto.

A eleição para o Senado apresenta uma corrida mais aberta porque o eleitor do Distrito Federal poderá escolher dois candidatos em 2026. Por essa razão, os percentuais não devem ser somados como numa disputa por vaga única.

No primeiro cenário, Leila do Vôlei lidera com 39,2%. Michelle Bolsonaro aparece com 36%, e Erika Kokay registra 28,4%. Bia Kicis tem 18,3%, Rafael Prudente soma 15,6% e Sebastião Coelho marca 9,8%.

A distância de 3,2 pontos entre Leila e Michelle mostra uma disputa numericamente próxima. O conflito decisivo, porém, está na segunda vaga: Michelle abre 7,6 pontos sobre Erika, enquanto Bia Kicis aparece 10,1 pontos atrás da candidata da esquerda.

Com duas candidatas associadas ao mesmo campo conservador, Michelle e Bia disputam parte de um eleitorado semelhante. Entre os entrevistados que participaram recentemente de celebrações religiosas, Michelle alcança 42,3% e Bia chega a 21,3%. Leila registra 35,3%, e Erika, 24,7%.

Entre os que não participaram de celebrações, a ordem muda. Leila chega a 42,9%, Erika sobe para 31,9%, Michelle cai para 30% e Bia registra 15,4%. O recorte religioso divide claramente os principais blocos da eleição senatorial.

Sem Bia Kicis, Michelle cresce de 36% para 37,7%, enquanto Leila passa de 39,2% para 40,5% e Erika sobe de 28,4% para 29,8%. A movimentação pequena indica que a simples retirada de Bia não transfere automaticamente seus votos para Michelle.

O cenário sem Michelle produz alteração maior. Leila chega a 41,6%, Erika aparece com 30,4% e Bia avança para 20,5%. Rafael Prudente registra 18,5%, Izalci Lucas tem 12,5% e Sebastião Coelho, 12,4%.

Mesmo sem Michelle, Bia permanece 9,9 pontos atrás de Erika. O dado mostra que a candidatura de Michelle não explica, sozinha, a posição da deputada na corrida pela segunda vaga.

Michelle lidera rejeição para o Senado

Michelle possui a maior rejeição entre os nomes testados para o Senado: 23,9% afirmam que não votariam nela. Erika Kokay aparece com 18,2%, seguida por Izalci Lucas, com 10,7%, Leila do Vôlei, com 10,1%, e Bia Kicis, com 9,8%.

A rejeição de Michelle sobe para 27,8% entre os entrevistados que não participaram de celebrações religiosas, mas recua para 19,8% entre os que participaram. Erika percorre o caminho inverso: sua rejeição passa de 16,3% no primeiro grupo para 20,2% no segundo.

No governo, Arruda registra rejeição de 27,9%, e Celina, de 26,3%. A diferença de 1,6 ponto está dentro da margem de erro. Os dois nomes que lideram a intenção de voto também enfrentam os maiores índices de resistência.

Os números desenham duas disputas diferentes. Para o governo, o confronto está concentrado em Celina e Arruda, com vantagem governista e capacidade de reação do ex-governador. Para o Senado, a liderança de Leila convive com uma batalha pela segunda cadeira entre Michelle e Erika, enquanto Bia tenta evitar que a divisão da direita limite seu crescimento.

Acompanhe no Blog do Esmael as pesquisas registradas para as eleições de 2026 e a movimentação dos palanques estaduais.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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