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Seis dias depois do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) já concentra uma nova frente de disputas envolvendo propaganda, pesquisas e conteúdo publicado na internet. Na lista de representações da corte aparecem conflitos que atingem Sergio Moro, Sandro Alex, Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann, além de ações movidas por partidos contra adversários, institutos de pesquisa, veículos de comunicação e publicações em redes sociais.
O movimento mostra que a eleição paranaense de 2026 começou também nos tribunais. A disputa pelo voto ganhou uma segunda arena, na qual partidos e candidatos tentam retirar conteúdos do ar, impedir a divulgação de pesquisas ou contestar mensagens consideradas propaganda irregular, negativa ou desinformativa.
A propaganda eleitoral nas ruas e na internet está liberada desde 16 de agosto. O próprio TRE-PR estabelece essa data como o início da propaganda eleitoral, enquanto o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começará em 28 de agosto.
PSD aciona Moro e PL
Um dos processos mais diretamente ligados à disputa pelo Governo do Paraná é a representação nº 0600412-18.2026.6.16.0000.
A ação foi apresentada por Ratinho Júnior e pelo diretório estadual do PSD contra a comissão provisória estadual do Partido Liberal (PL) e Sergio Moro. O fundamento indicado pelo TRE-PR é propaganda irregular.
A existência da representação não significa que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido a irregularidade. Trata-se da acusação apresentada pelos autores e do processo correspondente registrado na corte.
O caso interessa politicamente porque coloca o PSD, partido do governador Ratinho Junior, diretamente contra o PL e Moro, que disputa o Palácio Iguaçu pelo campo oposicionista.
A judicialização, portanto, acompanha a própria disputa pelo governo. O confronto que começou nas convenções e nos palanques agora também chega ao sistema eletrônico da Justiça Eleitoral.
PL também leva Sandro Alex e Ratinho à Justiça
O movimento não é unilateral.
O PL do Paraná apresentou representação contra Sandro Alex e Ratinho Júnior. O processo, registrado sob o nº 0600385-35.2026.6.16.0000, tramita com pedido liminar e tem como fundamento dispositivos da Lei das Eleições e das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas à propaganda.
A representação mostra que a disputa jurídica envolve os dois principais campos que hoje se enfrentam na corrida pelo governo.
De um lado está o grupo governista ligado ao PSD. Do outro, o PL de Sergio Moro. As ações judiciais passam a funcionar como mais uma ferramenta de contestação da comunicação dos adversários.
Há ainda outra representação do PL contra Ratinho Junior, relacionada a entrevista concedida no âmbito da administração pública estadual. O TRE-PR registra o processo nº 0600374-06.2026.6.16.0000 como representação por propaganda eleitoral antecipada.
Senado transforma Deltan em alvo de disputa digital
A corrida pelas duas cadeiras do Paraná no Senado também produziu uma sequência de processos.
O Partido Novo ingressou com representações contra diferentes veículos e pessoas por conteúdos que, segundo a legenda, configurariam propaganda eleitoral antecipada negativa e divulgação de conteúdo sabidamente inverídico contra Deltan Dallagnol.
Entre os processos registrados pelo TRE-PR estão ações contra Congresso em Foco, Brasil 247, D’Ponta Mídias, Diário 360, Cidade Verde e publicações feitas na rede social X.
No processo nº 0600223-40.2026.6.16.0000, o Novo questionou reportagem do Congresso em Foco sobre a situação eleitoral de Deltan. A matéria mencionada na representação afirmava que o Tribunal Superior Eleitoral havia confirmado decisão que tornou Deltan inelegível em 2022 e que uma certidão consolidaria o indeferimento de sua candidatura naquele pleito.
O caso é especialmente sensível porque a situação eleitoral de Deltan continua sendo objeto de disputa jurídica para 2026. O Ministério Público Eleitoral apresentou, em agosto, parecer favorável ao reconhecimento da capacidade eleitoral passiva do ex-procurador em relação à exoneração ocorrida em 2021. No entanto, parecer não é decisão judicial.
Por isso, é necessário separar os fatos: uma coisa é a decisão que atingiu o registro de Deltan na eleição de 2022; outra é a discussão sobre sua capacidade eleitoral para 2026.
Novo também questiona conteúdos nas redes
O cerco judicial em torno da comunicação sobre Deltan não ficou restrito a veículos jornalísticos.
O TRE-PR registra a representação nº 0600222-55.2026.6.16.0000, apresentada pelo Novo contra Pedro Rousseff por publicações na rede social X. Segundo a legenda, o conteúdo configuraria propaganda eleitoral antecipada negativa e divulgação de conteúdo desinformativo contra Deltan.
Há ainda processos contra D’Ponta Mídias, Diário 360 e L.R.N. Produções Audiovisuais por conteúdos publicados em portais e redes sociais. Em todos eles, a alegação é atribuída ao Partido Novo, e não deve ser confundida com uma conclusão judicial sobre a veracidade ou irregularidade das publicações.
Essa distinção é importante porque representação eleitoral não equivale a condenação. A decisão judicial é que poderá determinar se houve infração e quais medidas deverão ser aplicadas.
Gleisi e Deltan travam duelo judicial
A disputa entre Gleisi Hoffmann e Deltan também chegou ao TRE-PR.
Na representação nº 0600217-33.2026.6.16.0000, Gleisi acionou Deltan por propaganda eleitoral antecipada negativa. O processo decorre de um vídeo publicado pelo ex-procurador em seu perfil no Instagram.
Na direção oposta, o Novo apresentou a representação nº 0600219-03.2026.6.16.0000 contra Gleisi. A legenda questiona publicações feitas pela petista no Instagram e no Facebook e sustenta que o conteúdo configuraria propaganda eleitoral antecipada negativa e divulgação de conteúdo desinformativo contra Deltan.
A Justiça Eleitoral, portanto, passou a receber os dois lados do confronto.
Gleisi também aparece como autora da representação nº 0600233-84.2026.6.16.0000, contra Jeffrey Chiquini da Costa. O registro oficial confirma a ação, mas a descrição pública consultada não apresenta elementos suficientes para atribuir com segurança qual publicação ou conteúdo motivou o processo.
Pesquisas viram outra frente da guerra
A judicialização não se limita à propaganda.
O TRE-PR registra uma sequência de impugnações contra pesquisas eleitorais. O PSD acionou o Instituto Vox Brasil em duas representações relacionadas à pesquisa registrada sob o nº PR-09668/2026, que mede intenções de voto para governador e senador.
O PL e o Novo também apresentaram ação contra a Quaest para tentar suspender a divulgação da pesquisa PR-02588/2026. O processo nº 0600240-76.2026.6.16.0000 tem pedido liminar.
A pesquisa PR-07149/2026, do IRG, também foi contestada. O MDB apresentou representação contra o levantamento, enquanto o PL moveu outro processo relacionado à mesma pesquisa.
Radar Inteligência entrou no mesmo mapa. O PL e o PDT apresentaram impugnações contra a pesquisa PR-001737/2026, ambas com pedido para suspender sua divulgação.
As ações não significam, por si só, que as pesquisas sejam inválidas. Significam que partidos levaram à Justiça Eleitoral questionamentos sobre levantamentos que podem interferir diretamente na percepção dos eleitores e na estratégia das campanhas.
Justiça vira extensão da disputa eleitoral
O mapa produzido pelos próprios registros do TRE-PR revela uma característica da eleição paranaense: os adversários não estão apenas disputando voto, tempo de exposição e redes sociais.
Eles também estão disputando judicialmente o direito de seus concorrentes publicarem determinados conteúdos, divulgarem pesquisas e apresentarem determinadas narrativas.
A própria Justiça Eleitoral paranaense designou juíza auxiliar para apreciar reclamações, representações, pedidos de direito de resposta e exercer o poder de polícia sobre a propaganda na internet nas Eleições 2026.
A estrutura mostra que a judicialização da propaganda digital já foi incorporada ao funcionamento ordinário da eleição.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Até lá, as campanhas ainda terão semanas de exposição, ataques, pesquisas, vídeos, anúncios e confrontos nas redes.
Isso cria uma tendência previsível de novas ações, sobretudo porque a propaganda paga ou impulsionada na internet está autorizada até 1º de outubro, dentro das regras eleitorais.
O dado político mais relevante, porém, está na velocidade.
Em apenas seis dias de campanha oficial, o TRE-PR já reúne conflitos envolvendo a corrida ao governo, a disputa pelo Senado, pesquisas eleitorais e conteúdos digitais. Moro e Sandro Alex aparecem em lados opostos de representações envolvendo PSD e PL. Deltan virou centro de uma disputa sobre conteúdos publicados por veículos e usuários. Gleisi e Deltan passaram a se enfrentar também no campo judicial.
A eleição paranaense começou nas ruas em 16 de agosto. No TRE-PR, ela já ganhou uma segunda arena.
Acompanhe no Blog do Esmael a evolução dos processos eleitorais e os efeitos jurídicos sobre a disputa pelo Governo do Paraná e pelas duas vagas ao Senado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
