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A Superlive do Blog do Esmael analisou, na noite de sexta-feira (21/08), o novo Datafolha presidencial e seus possíveis efeitos sobre a sucessão no Paraná, a disputa pelo Senado e o futuro político de Deltan Dallagnol. Na avaliação dos participantes, a pesquisa nacional reforça a conexão entre os palanques de Lula e Flávio Bolsonaro e a eleição estadual, enquanto a indefinição jurídica de Deltan mantém aberta a possibilidade de uma eleição suplementar para o Senado. [Abaixo, assista a íntegra da superlive.]
Participaram da transmissão o jornalista Esmael Morais, o jornalista Ângelo Rigon, o professor e jornalista Valdir Cruz e o blogueiro Johnny William Soares, de Ponta Grossa. A bancada acompanhou “a quente” os números do Datafolha durante a própria transmissão e discutiu seus reflexos no Paraná.
O levantamento mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. A diferença de sete pontos ficou dentro de um quadro que os participantes classificaram como consolidado em relação à pesquisa anterior.
No Datafolha de julho, Lula aparecia com 40% e Flávio Bolsonaro com 32%. No segundo turno, o levantamento anterior apontava 48% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro. Na leitura apresentada na Superlive, portanto, a nova pesquisa não produziu a mudança de cenário que setores do bolsonarismo esperavam.
A avaliação predominante foi de que o início oficial da campanha e a proximidade do horário eleitoral gratuito ainda podem alterar a fotografia, mas não há, nos números apresentados, sinal de uma virada nacional de Flávio Bolsonaro.
Lula mantém vantagem e amplia palanques regionais
Um dos pontos centrais da análise foi a capacidade de Lula de reunir aliados em diferentes estados.
A bancada citou os cenários de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco para sustentar a avaliação de que o presidente dispõe de uma rede política regional mais ampla que a de Flávio Bolsonaro.
Em Pernambuco, por exemplo, a pesquisa apresentada durante a transmissão mostrou Raquel Lyra com 47% e João Campos com 40%. Embora estejam em campos partidários distintos, os dois candidatos integram um ambiente político no qual Lula possui interlocução com forças relevantes.
Em Minas Gerais, os participantes destacaram a desistência de Cleitinho, do Republicanos, e a consequente reorganização da disputa estadual. O estado foi tratado como peça estratégica também para a eleição presidencial.
No Rio de Janeiro, a bancada chamou atenção para a dificuldade do bolsonarismo de reproduzir eleitoralmente a força que já teve no estado.
A leitura foi de que Lula não depende exclusivamente de um palanque estadual. O presidente dispõe de aliados em diferentes regiões, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para transformar a força da família Bolsonaro em candidaturas competitivas nos estados.
Esse desenho nacional pode ter consequência direta no Paraná.
Johnny William Soares avaliou que a eventual consolidação de Lula nacionalmente pode ajudar Requião Filho na disputa pelo Palácio Iguaçu.
O jornalista apontou a combinação entre o crescimento do presidente, a presença de Gleisi Hoffmann no Paraná e a memória política de Roberto Requião no interior como fatores capazes de ampliar o espaço do candidato do PDT.
Na avaliação apresentada na Superlive, existe uma parcela do eleitorado do interior que ainda não teria percebido plenamente que Requião Filho está novamente na disputa pelo governo. Esse eleitorado, segundo Johnny, poderia ser alcançado durante a campanha.
A análise também considerou a força do palanque nacional de Lula como um ativo para um eventual segundo turno.
Valdir Cruz afirmou que a eleição presidencial e a disputa pelo governo do Paraná estão fortemente conectadas. Para ele, uma eventual queda de Flávio Bolsonaro no cenário nacional tende a repercutir sobre Sergio Moro, seu principal aliado no Paraná.
A bancada também avaliou a possibilidade de um segundo turno entre Sandro Alex e Requião Filho, cenário que, segundo os participantes, não pode ser descartado.
Marqueteiro argentino promete vitória de Sandro Alex no primeiro turno
A Superlive revelou ainda um movimento estratégico dentro do grupo político do governador Ratinho Junior.
Esmael Morais relatou uma informação de bastidor segundo a qual o marqueteiro argentino Jorge Gerez, estrategista ligado à comunicação política de Ratinho Junior, estaria trabalhando com a perspectiva de entregar a vitória de Sandro Alex no primeiro turno.
A informação foi apresentada como promessa atribuída ao marqueteiro, e não como resultado eleitoral já confirmado.
Gerez trabalha com Ratinho Junior há anos e seu nome ganhou projeção nacional depois de participar das articulações em torno da sucessão presidencial do governador. Em abril, o próprio estrategista defendia publicamente a possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial no primeiro turno.
Agora, no Paraná, a estratégia seria adaptar o cenário estadual à eventual mudança no quadro nacional.
A lógica discutida na Superlive é direta: se Flávio Bolsonaro perder força, Sergio Moro, que construiu sua candidatura ao governo em associação com o campo bolsonarista, também poderá enfrentar dificuldades.
O problema para Sandro Alex é transformar a estrutura política e administrativa de Ratinho Junior em voto próprio.
Johnny William Soares colocou esse obstáculo de maneira mais direta: fora dos Campos Gerais, ainda haveria uma parcela significativa do eleitorado que sequer conhece suficientemente Sandro Alex.
Para ele, marketing pode tornar um candidato conhecido e melhorar sua apresentação, mas não necessariamente resolve sozinho a transferência de votos de um governador para seu sucessor.
Valdir Cruz, por sua vez, considerou possível uma disputa de segundo turno entre Sandro Alex e Requião Filho, com Sergio Moro ficando pelo caminho.
Moro enfrenta o desafio do efeito Flávio
A relação entre a eleição presidencial e a sucessão estadual foi um dos principais eixos da transmissão.
Moro é apresentado no debate como o candidato mais diretamente associado ao campo de Flávio Bolsonaro. Sandro Alex, por outro lado, busca representar a continuidade do grupo de Ratinho Junior.
Se o eleitorado paranaense mantiver a preferência por Flávio Bolsonaro, a associação pode beneficiar Moro. Mas, se o candidato presidencial do PL perder força, a mesma vinculação pode se transformar em problema para o senador.
A bancada também apontou a divisão do campo da direita no Paraná.
Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros disputam espaços no mesmo campo político, enquanto Alexandre Curi aparece associado à chapa de Sandro Alex. Na leitura apresentada, essa fragmentação pode dificultar a construção de um palanque unificado.
Rigon resumiu o problema ao afirmar que o PSD paranaense também enfrenta uma dificuldade de identidade nacional, especialmente pela ausência de uma vinculação mais clara entre a candidatura estadual e o candidato presidencial do partido, Ronaldo Caiado.
Caso Deltan mantém Senado em estado de incerteza
A situação de Deltan Dallagnol ocupou parte importante da Superlive.
Os participantes discutiram a divergência entre o parecer favorável à elegibilidade no processo em tramitação no Paraná e a posição contrária atribuída à Procuradoria-Geral Eleitoral no âmbito nacional.
A bancada tratou a indefinição como um problema político que ultrapassa a candidatura individual de Deltan.
O temor apontado é que uma eventual candidatura sub judice seja mantida, Deltan vença a eleição e, posteriormente, sua candidatura seja derrubada em instância superior.
Nesse cenário hipotético, poderia ser convocada uma nova eleição para o Senado.
Rigon e Valdir Cruz avaliaram que a possibilidade de uma eleição suplementar cria uma variável adicional para os grupos políticos que disputam o governo do Paraná.
Eleição suplementar poderia favorecer Ratinho Junior
A hipótese levantada na Superlive é que uma eventual eleição suplementar para o Senado teria forte componente político.
Se Sandro Alex vencer a eleição para o governo, Ratinho Junior deixaria o Palácio Iguaçu, mas poderia continuar como liderança central de seu grupo político e disputar uma eventual vaga aberta no Senado.
A bancada ressalvou que o cenário dependeria de uma sequência de acontecimentos: Deltan teria de disputar, vencer, posteriormente perder a condição jurídica de permanecer no cargo e, então, ser determinada nova eleição.
Não se trata, portanto, de uma eleição suplementar já definida, mas de uma possibilidade decorrente de uma eventual decisão futura da Justiça Eleitoral.
A Superlive também discutiu o efeito inverso. Caso Sergio Moro seja eleito governador, uma eventual eleição suplementar para o Senado poderia ser influenciada pelo grupo político ligado ao ex-juiz.
A conclusão apresentada foi que a indefinição jurídica de Deltan interfere não apenas na corrida pelo Senado, mas também no cálculo dos candidatos ao governo e das respectivas alianças.
Senado vira extensão da disputa pelo governo
A situação é especialmente sensível porque o Paraná elegerá dois senadores em 2026.
Deltan, Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann, Filipe Barros e outros nomes disputam o mesmo espaço eleitoral, enquanto a definição sobre a elegibilidade de Deltan permanece como uma variável relevante para as chapas.
Na avaliação dos participantes, a incerteza também interfere no planejamento financeiro e eleitoral das campanhas.
Uma candidatura cuja situação jurídica não esteja definitivamente resolvida obriga adversários e aliados a trabalhar com cenários alternativos.
Esse ambiente aumenta a importância da Justiça Eleitoral na definição do jogo político.
A própria Superlive lembrou que a pesquisa eleitoral mede intenção de voto, mas não substitui a decisão judicial sobre o registro de candidatura.
Horário eleitoral será teste para Sandro, Moro e Requião
A partir de 28 de agosto, começa o horário eleitoral gratuito, segundo o calendário mencionado na transmissão.
Lula terá 5 minutos e 31 segundos, enquanto Flávio Bolsonaro terá 4 minutos e 20 segundos. Outros candidatos terão tempos menores ou nenhuma exposição própria no rádio e na televisão.
Para os participantes, entretanto, a força da televisão já não é a mesma de eleições anteriores.
Rigon destacou que a campanha deverá combinar televisão, inserções e redes sociais. Valdir Cruz avaliou que o impacto do horário eleitoral tende a ser limitado diante da queda da audiência tradicional e da migração do conteúdo político para a internet.
Johnny Soares ressaltou outro aspecto: as inserções podem ser mais importantes que os programas longos porque atingem o eleitor durante a programação cotidiana.
No Paraná, o início dessa fase da campanha poderá testar a capacidade de Sandro Alex de converter a imagem de gestor e aliado de Ratinho Junior em intenção de voto.
Também será o momento de Moro defender sua candidatura para além da associação com o bolsonarismo e de Requião Filho ampliar seu alcance para fora da militância tradicional do campo progressista.
Ponta Grossa aparece como território estratégico
A participação de Johnny William Soares acrescentou à análise o componente regional.
Ponta Grossa é o berço político de Sandro Alex e, ao mesmo tempo, uma região onde Sergio Moro possui força eleitoral.
O cenário local é, portanto, dividido.
De um lado, existe a identificação de parte do eleitorado com a possibilidade de um governador nascido em Ponta Grossa. De outro, Moro também construiu uma base relevante na cidade em eleições anteriores.
Johnny também chamou atenção para o reconhecimento, entre prefeitos e gestores municipais, de investimentos realizados durante o governo Lula, especialmente por meio de políticas e recursos relacionados a Itaipu.
Na avaliação apresentada, esse reconhecimento pode aparecer durante a campanha, inclusive em municípios do interior considerados tradicionalmente conservadores.
Datafolha abre uma nova etapa da eleição
O principal diagnóstico da Superlive foi que o Datafolha não encerrou a disputa presidencial nem resolveu a sucessão paranaense.
Mas a pesquisa estabeleceu um parâmetro para a próxima fase da campanha.
Lula segue numericamente à frente de Flávio Bolsonaro. O bolsonarismo continua dividido entre diferentes candidaturas e enfrenta o desafio de transformar a força nacional da família Bolsonaro em palanques estaduais competitivos.
No Paraná, esse movimento pode atingir diretamente Sergio Moro.
Ao mesmo tempo, Sandro Alex tenta consolidar a transferência do capital político de Ratinho Junior, enquanto Requião Filho aposta na estrutura regional do campo lulista e na memória política do pai.
E, no Senado, a indefinição em torno de Deltan mantém aberta uma possibilidade extraordinária: a eleição de 2026 pode não encerrar a disputa por uma das duas vagas paranaenses.
A Superlive do Blog do Esmael mostrou, assim, um quadro político em que a eleição presidencial, o governo do Paraná e o Senado deixaram de ser disputas isoladas. Uma mudança em Brasília pode alterar Curitiba. Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná pode alterar o Senado. E uma eventual eleição suplementar poderia reabrir o jogo político estadual.
A eleição, enfim, entrou na fase em que pesquisa, palanque, marketing e Justiça Eleitoral passam a disputar simultaneamente o mesmo eleitor.
Acompanhe a cobertura das eleições 2026 no Blog do Esmael.
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Assistir a íntegra da Superlive
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
