A União Progressista de São Paulo prepara para esta segunda-feira, 20 de julho, uma convenção que apoiará a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas ainda deixa no terreno da expectativa a adesão a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. A diferença entre os dois apoios revela o problema enfrentado pelo presidenciável: os partidos de centro querem disputar governos, Senado e Câmara sem carregar obrigatoriamente sua candidatura presidencial.
A convenção da federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) está marcada para as 19 horas, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O encontro deverá confirmar Guilherme Derrite (PP) como candidato ao Senado na chapa de Tarcísio e deliberar sobre as candidaturas proporcionais.
Flávio Bolsonaro é esperado na convenção, onde o diretório paulista poderá anunciar apoio à sua candidatura ao Palácio do Planalto. A decisão dependerá da deliberação desta segunda-feira e, mesmo se aprovada, não representará adesão automática da direção nacional da União Progressista.
Mesmo que o diretório paulista aprove a adesão, a decisão terá alcance estadual. A executiva nacional da União Progressista ainda discute se apoiará Flávio Bolsonaro ou adotará neutralidade na corrida presidencial.
Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, resumiu anteriormente as duas alternativas: “Ou apoiamos o Flávio ou ficamos neutros”. Ele condicionou a aliança ao abandono de um discurso restrito à base bolsonarista e advertiu que uma campanha dirigida apenas à extrema direita teria dificuldade para vencer.
Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, também não confirmou apoio. Desde o lançamento de Flávio Bolsonaro, Rueda sustenta que o futuro político do país não deveria permanecer preso à polarização. Não apareceu uma manifestação posterior do dirigente que revogasse essa posição e autorizasse uma aliança presidencial.
A resistência dos dois principais comandantes da federação muda o peso da convenção paulista. O apoio a Tarcísio de Freitas representa uma decisão natural para partidos que integram sua base estadual. A eventual presença de Flávio Bolsonaro no mesmo palco produz uma fotografia política, mas não transforma automaticamente o governador e a federação em integrantes formais da coligação presidencial do PL.
Essa separação entre os palanques estaduais e a eleição nacional pode virar veneno eleitoral na veia do projeto do “zero um”. Flávio Bolsonaro precisa do tamanho da União Progressista para ampliar tempo de televisão, capilaridade municipal, fundo eleitoral e presença nas chapas estaduais. A neutralidade permitiria que o bloco preservasse seus interesses regionais sem dividir o custo político da candidatura bolsonarista.
No Paraná, o dilema aparece com nitidez. A União Progressista ainda não decidiu em qual barco acomodará seus largos pés: Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) ou Rafael Greca (MDB).
Ricardo Barros, deputado federal e dirigente do PP paranaense, afirmou que a escolha ocorrerá apenas em agosto. Ele já admitiu conversar com Moro, apontou dificuldades eleitorais de Sandro Alex em Curitiba e mantém canais com outras forças do campo governista.
A neutralidade nacional deixaria Barros e o União Brasil livres para negociar a composição mais vantajosa no estado. A federação poderia apoiar Tarcísio em São Paulo, escolher Sandro Alex, Moro ou Greca no Paraná e evitar um compromisso presidencial formal com Flávio Bolsonaro.
O cenário mudaria caso a direção nacional firmasse uma aliança formal com o PL. As federações funcionam como uma única legenda durante seu período de vigência, e uma decisão nacional teria força sobre suas estruturas estaduais. Nesse caso, o palanque de Moro ganharia poder para reivindicar coerência da União Progressista no Paraná.
A convenção paulista servirá como primeiro teste dessa contradição. Se o apoio a Flávio Bolsonaro for aprovado, o diretório de São Paulo terá avançado antes da cúpula nacional. Se a decisão presidencial for omitida, Tarcísio receberá a federação enquanto Flávio Bolsonaro sairá do encontro apenas com a fotografia.
O Blog do Esmael acompanhará a convenção e atualizará a cobertura após a divulgação das deliberações oficiais.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
