O Datafolha entrevistará 2.004 eleitores entre quarta-feira, 22 de julho, e sexta-feira, 24 de julho, para medir a disputa presidencial e o impacto político do tarifaço de Donald Trump contra o Brasil. Registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026, o levantamento terá margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A pesquisa será a primeira do instituto realizada depois da oficialização da tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A coleta começará justamente em 22 de julho, data prevista para a entrada em vigor da cobrança americana.
O questionário obtido pelo Blog do Esmael mostra que o Datafolha transformará a crise comercial num julgamento popular das versões apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O instituto perguntará quem tem mais razão na disputa. Lula afirma que Flávio Bolsonaro incentivou os Estados Unidos a agir contra o Brasil para prejudicar o governo. Flávio Bolsonaro responde que o petista não soube negociar com Donald Trump.
Os entrevistados também deverão apontar o principal responsável pelo aumento das tarifas. O cartão oferece quatro nomes: Donald Trump, Lula, Flávio Bolsonaro e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Há ainda as opções “todos”, “nenhum” e outras respostas espontâneas.
Outra pergunta avança sobre o coração da campanha presidencial: o governo Trump está agindo para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro?
A resposta mostrará se o eleitor enxerga a Casa Branca como agente da disputa brasileira ou se aceita o argumento americano de que a tarifa decorre de divergências comerciais.
O Datafolha medirá ainda a avaliação sobre a conduta de Lula nas negociações. O eleitor poderá responder se o governo fez mais do que deveria, fez o necessário ou fez menos do que deveria para evitar a taxação.
Também serão testadas três saídas para a crise: aplicar tarifa equivalente aos produtos americanos, atender às exigências dos Estados Unidos ou continuar negociando para convencer Trump a recuar.
O roteiro é uma prova de fogo para Flávio Bolsonaro. A Quaest divulgada em 16 de julho mostrou que 51% concordavam mais com a versão de Lula sobre a responsabilidade do senador pelo tarifaço, contra 30% que preferiam a explicação do candidato do Partido Liberal.
A nova rodada indicará se essa vantagem narrativa chegou ao Datafolha e contaminou a intenção de voto. Em junho, o instituto encontrou Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 31% no primeiro turno. No confronto direto, o presidente marcou 47%, diante de 43% do senador.
O questionário mantém Lula e Flávio Bolsonaro no cenário principal, ao lado de Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury, Cabo Daciolo, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Leonardo Avalanche e Edmilson Costa.
No segundo turno, o Datafolha confrontará Lula separadamente com Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema. O desenho permitirá comparar o custo do tarifaço para o candidato bolsonarista com o desempenho de duas alternativas da direita.
A pesquisa também medirá rejeição, avaliação e aprovação do governo Lula, arrependimento do voto de 2022, identificação entre bolsonarismo e petismo e posicionamento ideológico.
O levantamento custará R$ 307.541,60 e foi contratado pelo jornal Folha de S.Paulo. A abordagem será pessoal, em pontos de fluxo populacional, com amostra distribuída pelas cinco regiões e ponderação por área geográfica, gênero e idade.
O Datafolha chega quando a tarifa deixou de ser apenas problema diplomático. O governo americano atingiu exportadores e entregou à eleição brasileira uma disputa sobre emprego, soberania e interferência estrangeira.
Lula tenta transformar a agressão comercial em defesa do interesse nacional. Flávio Bolsonaro precisa convencer o eleitor de que a responsabilidade pertence ao governo brasileiro. Na sexta-feira, 24 de julho, a urna simulada mostrará qual narrativa atravessou a fronteira das bolhas políticas.
Acompanhe no Blog do Esmael a divulgação completa do Datafolha e a comparação com as pesquisas anteriores.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
