Datafolha põe desistência de Flávio Bolsonaro na urna

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) virou pergunta de desistência no Datafolha que entra em campo nesta quarta-feira (20), com divulgação registrada para sexta-feira (22), depois das conversas com Daniel Vorcaro atingirem a pré-candidatura presidencial da direita. O levantamento prevê 2.004 entrevistas, margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança.

O questionário não pergunta apenas em quem o eleitor votaria. Ele mede se o eleitor tomou conhecimento do caso, se acha que Flávio Bolsonaro agiu bem ou mal ao pedir dinheiro para o filme sobre Jair Bolsonaro, se enxerga proximidade entre o senador e Vorcaro e se o pré-candidato deveria manter a candidatura ou abrir mão para apoiar outro nome.

A pergunta mais corrosiva é essa: “Flávio Bolsonaro deveria manter sua candidatura a presidente ou deveria abrir mão e apoiar outro candidato?”. O Datafolha já apresenta opções para a substituição: Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Esse desenho transforma a pesquisa em teste de sobrevivência política. Nenhum resultado foi divulgado, mas o simples fato de a desistência entrar no questionário mostra que a crise deixou de ser ruído de Brasília e passou a ser variável nacional de campanha.

A nova rodada vem logo depois da AtlasIntel/Bloomberg divulgar, nesta terça-feira (19), Lula (PT) com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno. A pesquisa ouviu 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, tem margem de erro de um ponto percentual e registro BR-06939/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No primeiro turno, a AtlasIntel/Bloomberg também colocou Lula à frente, com 47% das intenções de voto, contra 34,3% de Flávio Bolsonaro, segundo a CNN Brasil. O dado abriu a discussão sobre chance matemática de vitória já na primeira rodada, mas isso depende da distribuição dos votos válidos, brancos, nulos e indecisos.

O caso que derrubou a temperatura da candidatura envolve mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro com Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador negou irregularidade após a divulgação de mensagens em que teria pedido R$ 61 milhões para produzir “The Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro sustenta que buscava patrocínio privado para um filme privado, sem dinheiro público e sem oferta de vantagem indevida. O problema político é que o Datafolha vai medir se essa explicação chegou ao eleitor ou se a associação com Vorcaro contaminou a confiança no candidato.

O questionário ainda inclui a frase atribuída a Flávio Bolsonaro, “Irmão, estou e estarei contigo sempre”, para perguntar se o eleitor vê relação próxima entre o senador e Vorcaro. Essa pergunta atinge o ponto mais sensível da defesa: a distância, ou a intimidade, entre o pré-candidato e o banqueiro.

No Paraná, a consequência pode cair direto sobre a aliança PL-Novo, isto é, sobre a engrenagem Moro-Deltan. Se Flávio Bolsonaro sair da pista e Zema virar alternativa nacional, o Novo deixa de ser coadjuvante do bolsonarismo e passa a disputar o comando político da direita.

O Blog do Esmael já mostrou que Ratinho Junior (PSD) pisou no freio da relação com Flávio Bolsonaro depois do BolsoMaster e abriu espaço para uma costura com Romeu Zema (Novo). Essa virada complica Deltan Dallagnol (Novo), porque mexe na relação entre o Novo nacional, o PL de Sergio Moro e o palanque paranaense de 2026.

O mesmo quadro pesa sobre Moro. Se Flávio Bolsonaro afundar, a candidatura do senador paranaense ao governo pode herdar o desgaste de uma aposta nacional que virou passivo antes das convenções. Se Zema crescer como plano B, Deltan ganha palanque, mas Moro perde centralidade no arranjo da direita.

A própria pré-campanha de Deltan já convive com dúvidas no Senado do Paraná, segundo análise publicada pelo Blog do Esmael. O Novo afirma que ele pode disputar, mas a incerteza jurídica e eleitoral força o partido a calcular alternativas antes do registro.

O Datafolha de sexta-feira (22) pode não encerrar a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas vai dizer se ela ainda assusta Lula ou se já virou problema para a própria direita. No Paraná, esse número pode atravessar Ratinho Junior, Moro, Deltan e Zema antes que qualquer ata de coligação seja escrita.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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