O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu moderação a Israel após o Irã lançar mísseis contra o norte do país, no domingo (7), em resposta a ataques israelenses no Líbano; a escalada ameaça o cessar-fogo, abre uma crise direta com Benjamin Netanyahu e já pressiona o preço do petróleo.
A cobertura ao vivo da Al Jazeera informou que Teerã acusou Israel de repetir violações do cessar-fogo ao atacar o Líbano. As Forças Armadas israelenses disseram ter interceptado todos os mísseis até a atualização consultada.
A Associated Press registrou que foi o primeiro bombardeio iraniano do tipo contra Israel desde o cessar-fogo de abril. O ataque ocorreu depois de Israel atingir os subúrbios do sul de Beirute, em ação que, segundo o Ministério da Saúde do Líbano citado por agências internacionais, matou ao menos duas pessoas e feriu outras 20.
O ponto político da noite não está apenas nos mísseis. Está em Washington. Trump tenta impedir que Netanyahu responda militarmente ao Irã porque avalia que uma nova rodada de ataques pode derrubar a negociação conduzida pelos Estados Unidos com Teerã.
Segundo o Axios, Trump disse que ligaria para Netanyahu para pedir que Israel não retalie. A frase atribuída ao presidente americano resume a lógica da Casa Branca: Israel atacou, o Irã atacou, e uma nova resposta manteria a guerra girando.
O Guardian também relatou que Trump disse à Fox News não estar satisfeito com o ataque israelense em Beirute. A mensagem pública foi dirigida aos dois lados, mas o recado mais pesado ficou para Netanyahu: a Casa Branca não quer que Israel transforme o episódio em nova etapa de guerra regional.
O Financial Times publicou que Trump afirmou ter o comando da negociação e que Netanyahu não teria escolha diante de um eventual acordo americano com o Irã. A frase desloca a crise do campo militar para o terreno da soberania israelense, tema já explorado por adversários internos do primeiro-ministro.
Esse é o ponto sensível para Netanyahu. Se aceitar a pressão de Trump, enfrenta a acusação de ceder a Washington. Se retaliar, pode perder apoio diplomático e militar em uma frente que depende de coordenação com os Estados Unidos.
A oposição israelense já tenta explorar essa contradição. A leitura política é simples: quando a segurança de Israel passa a depender do freio imposto por Trump, Netanyahu aparece menor diante de uma direita que cobra resposta dura ao Irã.
O Irã, por sua vez, tenta enquadrar o ataque como resposta às ações israelenses no Líbano. A Guarda Revolucionária ameaçou ampliar a reação caso Israel siga atacando território libanês ou responda aos mísseis iranianos.
A guerra também fechou portas para civis. Israel suspendeu passagens de acesso à Faixa de Gaza após o ataque iraniano, segundo a cobertura internacional. No espaço aéreo regional, voos foram suspensos ou restringidos em áreas do Irã, Iraque e Síria, o que mostra que a crise já ultrapassou a fronteira militar.
O efeito econômico apareceu rapidamente. O Guardian registrou alta superior a 3% no petróleo Brent no início da segunda-feira (8), com o barril cotado acima de US$ 96. Para o Brasil, o risco passa por combustível, dólar, frete, inflação e custo de importação.
A crise no Oriente Médio chega em um momento em que Trump tenta vender a ideia de acordo com o Irã como vitória diplomática. O problema é que cada ataque cria pressão doméstica em Israel, fortalece alas militares em Teerã e encarece a energia no mercado global.
A guerra ainda depende da próxima decisão de Netanyahu. Se Israel aceitar o freio americano, Trump ganha tempo para negociar com o Irã. Se Israel responder, o cessar-fogo pode virar apenas uma pausa curta entre ataques.
O Brasil acompanha a crise longe dos mísseis, mas perto da conta. Petróleo caro pesa no transporte, no alimento, no custo da indústria e no bolso do trabalhador. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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