BolsoMaster balança chapa Moro-Deltan no Paraná

A crise entre PL e Novo deixou a chapa Moro-Deltan no telhado com o caso BolsoMaster e abriu dúvida sobre a sobrevivência da aliança no Paraná até as convenções entre 20 julho e 5 agosto

O senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, viu a aliança com o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) subir no telhado depois que o caso BolsoMaster abriu uma crise pública entre o PL e o Novo, com impacto direto no palanque da direita paranaense.

A crise começou com a reportagem do The Intercept Brasil, publicada na quarta-feira (13), sobre mensagens e áudios que ligam Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O Intercept afirma que Flávio Bolsonaro cobrou a liberação de recursos e que as conversas envolveram intermediários, pagamentos e tratativas operacionais.

O problema para Moro e Deltan não está apenas no áudio. Está na reação em cadeia. Romeu Zema (Novo-MG), pré-candidato à Presidência, chamou o pedido de Flávio Bolsonaro a Vorcaro de “imperdoável” e “um tapa na cara do brasileiro de bem”, segundo vídeo publicado pelo ex-governador mineiro.

Zema tentou ocupar a faixa moral da direita contra o bolsonarismo. Só que essa jogada atravessou as alianças estaduais do próprio Novo, especialmente no Paraná, onde Deltan foi encaixado na chapa de Moro com apoio do PL e de Flávio Bolsonaro. Em março, Flávio Bolsonaro anunciou apoio a Deltan e a Filipe Barros (PL) para o Senado durante o evento de filiação de Moro ao partido.

A resposta do Novo-PR veio na quinta-feira (14). O diretório estadual classificou o vídeo de Zema como “precipitado” e disse que a manifestação gerou “ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas”. A nota também afirmou que posicionamentos desse tipo deveriam observar alinhamento prévio com a convenção nacional do partido.

Moro e Deltan agora sofrem abandono de seus criadores na velha mídia corporativa
Racha na direita pode implodir chapa Moro-Deltan no Paraná.

Foi um caso raro em que a seção estadual tentou segurar a linha nacional. A ironia política é evidente: o Novo do Paraná, ligado à candidatura de Deltan ao Senado, precisou frear o principal presidenciável do próprio partido para preservar a costura com o PL de Moro.

A crise, porém, não ficou restrita ao Paraná. O vídeo de Zema passou pela cúpula do Novo e aliados do presidenciável avaliam que ele precisava se diferenciar do bolsonarismo, para não parecer linha auxiliar de Flávio Bolsonaro.

Esse ponto torna a situação mais grave para a chapa paranaense. Se Zema sustentar a estratégia de enfrentamento ao bolsonarismo, a aliança PL-Novo nos estados vira moeda de conflito nacional. O Paraná deixa de ser exceção confortável e passa a ser vitrine do problema.

Moro depende do PL para consolidar a candidatura ao Palácio Iguaçu. Deltan depende do Novo para disputar o Senado, embora sua situação eleitoral siga contestada por adversários. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou, por unanimidade, o registro de candidatura de Deltan em 2023, decisão que levou à perda do mandato de deputado federal.

Deltan afirma estar elegível. Adversários dizem o contrário. A própria disputa sobre esse ponto já transforma sua presença na chapa em risco jurídico e político antes mesmo da convenção.

O caso BolsoMaster atingiu esse arranjo no ponto mais sensível: a narrativa anticorrupção. Moro e Deltan construíram carreira pública sobre a Lava Jato. Agora, precisam explicar ao eleitor por que marcham ao lado de um PL atingido por áudios, mensagens e suspeitas sobre financiamento de filme ligado à família Bolsonaro.

O filme se chama “Dark Horse”, mas a política brasileira já deu outro apelido ao caso. Nas redes e nos bastidores, críticos tratam a história como “O Financiamento Secreto”, paródia que grudou porque desloca o debate do marketing bolsonarista para a origem do dinheiro.

O calendário também aperta. O TSE prevê que as convenções partidárias de 2026 ocorram de 20 de julho a 5 de agosto, período em que partidos e federações escolhem candidaturas e coligações.

Até lá, Moro precisa manter o PL unido no Paraná, Deltan precisa sobreviver à disputa sobre sua elegibilidade, e o Novo precisa decidir se será oposição ao bolsonarismo no plano nacional ou sócio dele nos estados.

A primeira ventania já mostrou a fragilidade da construção. A chapa Moro-Deltan nasceu como reencontro lavajatista sob o guarda-chuva de Flávio Bolsonaro. O caso BolsoMaster transformou esse guarda-chuva em para-raios.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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