O governador Ratinho Junior (PSD) pisou no freio da relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois que o caso BolsoMaster entrou no centro da disputa presidencial de 2026, segundo apuração do Blog do Esmael. O movimento abre espaço para uma nova engenharia de palanque nacional no Paraná, agora com o pré-candidato Romeu Zema (Novo), e complica a vida do ex-deputado cassado Deltan Dallagnol (Novo).
A leitura no entorno do Palácio Iguaçu é que Flávio Bolsonaro virou risco antes de virar solução. O senador, que tenta herdar o espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a carregar a crise dos áudios revelados pelo Intercept Brasil, nos quais aparece a negociação de recursos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”. O Intercept apontou negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.
Flávio Bolsonaro nega irregularidade e sustenta que buscava patrocínio privado para um filme privado, sem dinheiro público e sem contrapartida ilegal. A explicação, porém, não segurou a onda política porque o caso saiu da esfera familiar e entrou no cálculo de sobrevivência eleitoral da direita. O Blog do Esmael também já registrou que o episódio pode prejudicar a campanha do senador, especialmente antes das convenções partidárias.
No Paraná, Ratinho Junior não quer amarrar seu projeto nacional a um nome que ainda precisa atravessar o escândalo. O governador pretende manter silêncio estratégico até 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias definirem candidaturas e coligações. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixa as convenções entre 20 de julho e 5 de agosto.
A frase que circula nos bastidores é simples: Ratinho quer ver quem sobrevive ao paredão real da política até lá. Não é só disputa de narrativa. É cálculo de palanque, tempo de televisão, alianças estaduais, rejeição nacional e capacidade de chegar inteiro à urna.
Nesse cenário, Zema virou uma alternativa mais funcional para Ratinho no Paraná. O pré-candidato do Novo criticou Flávio Bolsonaro na quarta-feira (13) e chamou o pedido de dinheiro a Vorcaro de “imperdoável”, segundo anotou o Blog do Esmael. Também disse que não adianta criticar práticas de Lula e do PT e repetir o mesmo método.
A fala de Zema mexeu no nervo da direita paranaense. O diretório do Novo no Paraná reagiu contra o próprio presidenciável do partido, chamou o vídeo de “precipitado” e afirmou que ele gerou “ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas”. A nota também reafirmou a aliança entre PL e Novo no estado.
A notícia é ruim para Deltan Dallagnol. O ex-deputado cassado tenta sustentar uma ponte entre o Novo e o PL no Paraná, com olho no Senado e no eleitorado lavajatista. Se Ratinho se aproxima de Zema, a ala paranaense do Novo perde o conforto de tratar o mineiro como problema externo.
O próprio histórico mostra que Ratinho e Zema não estão começando do zero. Em 8 de agosto de 2025, o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, formalizou filiação ao Novo em ato que reuniu Ratinho Junior, Zema e Marcel van Hattem, segundo registro publicado pelo Blog do Esmael. Na época, Martins havia deixado o PL e passou a ser tratado como peça do arranjo de 2026.
Paulo Martins, pupilo político de Ratinho, é hoje pré-candidato a deputado federal. Sua mudança para o Novo já indicava que o governador queria manter uma porta aberta fora do PL. O caso BolsoMaster apenas tornou essa porta mais útil.
A contradição agora está dentro da própria direita. O Novo nacional precisa de Zema para disputar a Presidência. O Novo paranaense, comandado politicamente por Deltan, depende da costura com o PL para manter palanque local. Ratinho, por sua vez, observa os dois lados sem declarar voto de casamento a nenhum deles.
O governador paranaense não rompeu publicamente com Flávio Bolsonaro. Também não declarou adesão formal a Zema. O fato novo, apurado pelo Blog, é o freio. Na política, às vezes, parar de acelerar já informa mais do que um discurso.
Para Flávio Bolsonaro, o problema é que a crise não ficou em Brasília. Ela alcançou o Paraná, onde o PL tenta montar palanque competitivo com Sergio Moro, Filipe Barros e Deltan Dallagnol. Para Zema, a fresta é nacional: mostrar distância do clã Bolsonaro sem perder a direita que quer derrotar Lula.
Ratinho joga com o relógio. Até 5 de agosto, cada pré-candidato será testado por pesquisa, investigação, aliança, rejeição e capacidade de segurar o próprio campo. O BolsoMaster tirou Flávio Bolsonaro da zona de conforto. No Paraná, também tirou Deltan da cadeira de árbitro.
De estado promissor, Flávio Bolsonaro está prestes a assistir seu palanque ruir no Paraná com o trio Moro, Deltan e Filipe.
O movimento de Ratinho confirma que a sucessão de 2026 deixou de ser uma fila de herdeiros do bolsonarismo. Virou disputa de sobrevivência entre nomes que precisam provar que chegam vivos às convenções.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
