Missão parlamentar brasileira pede nos EUA investigação sobre lavagem de dinheiro que pode ter beneficiado lideranças bolsonaristas

Documento entregue a parlamentares democratas em Washington pede investigação, nos EUA, sobre possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos do Banco Master, com suspeita de beneficio a lideranças bolsonaristas com atuação política nos EUA

No site do PT na Câmara

A missão parlamentar brasileira que está em Washington nesta semana solicitou hoje (4) a congressistas do Partido Democrata dos Estados Unidos a abertura de investigações sobre uma possível lavagem de dinheiro em território norte-americano envolvendo recursos oriundos do Banco Master e de empresas ligadas à instituição.

No documento apresentado aos parlamentares norte-americanos, os deputados brasileiros afirmam que os recursos estariam sob suspeita de conexão com investigações envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e poderiam ter sido utilizados para financiar agentes políticos ligados à família Bolsonaro.

A comitiva brasileira é integrada pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), o vice-líder do Governo, Pedro Campos (PSB-PE), a líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), e o líder da Rede Sustentabilidade, André Janones (MG),

Segundo os deputados, os recursos teriam origem em um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil promovido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso, controlador do Banco Master, que gerou um rombo estimado em R$ 52 bilhões. Tudo envolve suspeitas de fraudes bancárias, operações financeiras irregulares e potenciais prejuízos a investidores e fundos públicos e privados.

O documento sustenta que parte dos recursos obtidos pelo Banco Master e por seu controlador pode ter transitado pelos Estados Unidos por influência do senador de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Rota suspeita

“A rota sob suspeita envolve, em tese, pedido ou solicitação de valores por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro; eventual direcionamento, promessa de direcionamento ou circulação desses valores por meio de produtora vinculada a projeto audiovisual de interesse político; possível utilização de escritório de advocacia, estrutura contratual, conta bancária, fundo ou veículo jurídico-financeiro nos Estados Unidos; e potencial benefício direto ou indireto a Eduardo Bolsonaro, que tem mantido atuação política em território norte-americano em articulação contra autoridades brasileiras, contra instituições nacionais e em favor de pressões externas sobre o Brasil”, afirma o documento.

Os parlamentares pedem que seja investigada “a possível utilização dos Estados Unidos como etapa de ocultação, dissimulação ou integração de valores originados de crimes antecedentes investigados no Brasil”. Segundo o documento, esse mecanismo poderia ter sido utilizado para movimentar parte dos R$ 61 milhões que, segundo os autores do pedido, foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro ao controlador do Banco Master para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Queremos saber onde estão os R$ 61 milhões do Flávio Bolsonaro, que recebeu de Daniel Vorcaro e que foi transferido aqui para os Estados Unidos”, disse Pedro Uczai.

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Relação com o crime organizado

No documento, os parlamentares brasileiros também solicitam investigação sobre a possível contaminação da origem dos recursos a partir das relações financeiras entre Daniel Vorcaro, o Banco Master, fundos vinculados à Reag Investimentos e estruturas citadas em investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC.

De acordo com os deputados, informações públicas indicam que Daniel Vorcaro e empresas do ecossistema Banco Master realizaram operações relevantes com fundos ligados à Reag. Alguns desses fundos teriam sido mencionados em reportagens e investigações como suspeitos de participação em fraudes financeiras e possível utilização em esquemas de lavagem de dinheiro relacionados à Operação Carbono Oculto.

“Esse dado amplia a gravidade da hipótese investigativa, pois desloca a análise para a possível circulação internacional de recursos originados, direta ou indiretamente, de ambiente financeiro já marcado por suspeitas de fraude bancária, lavagem de dinheiro, títulos sem lastro econômico real e infiltração de organização criminosa no mercado financeiro”, alertam os parlamentares.

O documento acrescenta que a relação entre Banco Master, Daniel Vorcaro, Reag e fundos sob suspeita de conexão com o PCC torna indispensável o rastreamento da origem dos valores eventualmente destinados à produtora, ao projeto audiovisual, a escritórios de advocacia, empresas, fundos, consultorias ou estruturas contratuais nos Estados Unidos.

Segundo os parlamentares, caso recursos oriundos de operações realizadas com fundos investigados, ativos problemáticos, títulos simulados ou estruturas financeiras associadas à Reag tenham sido posteriormente deslocados para custear atividades políticas, jurídicas, comunicacionais ou de lobby em favor de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano, haveria forte indicativo de uma cadeia transnacional de ocultação, dissimulação e integração de ativos potencialmente ilícitos.

Agenda no Congresso norte-americano

Em vídeo gravado nos corredores do Congresso dos Estados Unidos, o deputado Pedro Uczai destacou a importância da agenda realizada pelos parlamentares brasileiros e da cooperação internacional no combate ao crime organizado.

“Estamos aqui no Congresso americano para várias reuniões com vários deputados, senadores. Primeiro, para discutir cooperação internacional entre os países para enfrentar o crime organizado e ter uma relação bilateral saudável, sem tarifaço, sem roubar o nosso PIX e, de outro lado , que seja investigada a origem dos recursos, do dinheiro que está vindo do Brasil para os Estados Unidos, como também o tráfico de armas”.

Nesta quinta-feira, Pedro Uczai e os demais líderes cumprem uma extensa agenda de reuniões com parlamentares do Congresso norte-americano, entre eles os deputados Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Jonathan Jackson e Ilhan Omar, além de outros integrantes da Bancada Progressista.

A delegação brasileira também se reunirá com assessores do senador Bernie Sanders e participará do evento público “Eleições Polarizadas no Brasil: o Papel do Congresso”, promovido pela Washington Office on Latin America (WOLA), organização não governamental dedicada à promoção dos direitos humanos, da democracia e da justiça social e econômica na América Latina e no Caribe.

Cooperação contra o crime organizado

O documento afirma ainda que uma eventual presença do PCC na origem remota ou intermediária dos recursos enviados aos Estados Unidos reforçaria a necessidade de manutenção e ampliação dos mecanismos de cooperação internacional já existentes entre Brasil e Estados Unidos para o combate ao crime organizado.

Segundo os deputados brasileiros, essa cooperação não deveria ser transferida para órgãos de inteligência ou segurança nacional, onde o aumento do sigilo e a possibilidade de interferência política poderiam prejudicar investigações relacionadas à lavagem de dinheiro.

“Nesse cenário, a atuação política de agentes brasileiros nos Estados Unidos em torno de pautas sensíveis para a cooperação penal, para a classificação de organizações criminosas e para a pressão contra autoridades brasileiras pode ter produzido efeito de desorganizar, deslocar ou dificultar o rastreamento do caminho do dinheiro.”

Na quarta-feira (3), os parlamentares brasileiros também entregaram outro documento a integrantes do Partido Democrata propondo medidas para aperfeiçoar a cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado transnacional, às facções criminosas e à lavagem de dinheiro, com respeito à soberania brasileira e às instituições democráticas dos dois países.

Leia, abaixo, a íntegra do documento entregue aos parlamentares do Partido Democrata:

Clique aqui para ler o documento com o pedido de investigac?a?o aos parlamentares democratas dos EUA.

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Publicação de: Viomundo

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