Picler vira opção de Filipe Barros para o Senado

Wilson Picler, empresário da educação, ex-deputado federal pelo Paraná e um dos financiadores privados mais conhecidos do bolsonarismo em 2018, entrou no centro da montagem da chapa de Filipe Barros (PL) ao Senado em 2026. Nos bastidores da direita paranaense, seu nome é tratado como opção forte para a primeira suplência do deputado federal, num movimento que junta dinheiro, estrutura empresarial, pragmatismo partidário e reposicionamento ideológico.

A informação tem peso porque suplência de Senado não é prêmio decorativo. É reserva de poder. O suplente não recebe voto direto, mas pode assumir oito anos de mandato em caso de licença, renúncia ou deslocamento do titular para outro cargo. Por isso, a escolha costuma revelar quem financia, quem organiza e quem dá lastro político à campanha.

Picler não é nome novo na política paranaense, tem história. Ele foi deputado federal pelo PDT, entre 2007 e 2011. Antes de circular no campo bolsonarista, teve trajetória vinculada a setores trabalhistas e educacionais, o que torna sua provável entrada na chapa de Filipe Barros mais do que uma escolha administrativa.

O dado central é a migração. Picler deixou o MDB, partido ao qual estava filiado desde 2023, e se filiou ao PL. Ele chegou a ser cotado para a primeira suplência de Deltan Dallagnol (Novo), mas, segundo apuração do Blog do Esmael, hoje é mais lembrado para a chapa de Filipe Barros.

“A história política mostra que quem vai para o segundo turno leva o senador. Não tenho dúvidas de que Filipe será eleito e de que a outra vaga ficará com Gleisi Hoffmann”, disse Picler ao Blog do Esmael, referindo-se à pré-candidata ao Senado pelo PT. Segundo ele, a direita não deve conquistar as duas cadeiras em disputa por causa da canibalização entre candidaturas e dos “egos inflados” no próprio campo conservador.

Na direita, o movimento se afunila em torno de Filipe Barros. O deputado do PL tenta consolidar lugar na chapa ligada a Sergio Moro (PL), que lançou sua pré-candidatura ao governo do Paraná em 29 de maio de 2026, no Jockey Club, em Curitiba. No mesmo palanque, Filipe Barros e Deltan Dallagnol oficializaram pré-candidaturas ao Senado, com presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN).

Parte da própria direita vê a candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado como juridicamente vulnerável, em razão da cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, decisão que ele contesta politicamente. O próprio Deltan já admitiu, em entrevista, que poderá apoiar a advogada Fernanda Dallagnol, sua esposa, ou o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), caso seja impedido de disputar a eleição de 2026.

Picler carrega uma credencial que pesa no mundo real da eleição: capacidade financeira e rede empresarial. Em 2018, ele foi apontado como maior doador individual do PSL, então partido de Jair Bolsonaro. O valor informado foi de R$ 800 mil à legenda.

Esse histórico ajuda a explicar por que o PL olha para Picler com interesse. Numa campanha de Senado, suplente pode significar palanque, capilaridade, trânsito empresarial e financiamento indireto pela capacidade de articulação. No Paraná, onde duas vagas estarão em disputa, a direita tenta montar uma chapa capaz de segurar o eleitor bolsonarista, dialogar com o lavajatismo e conter a candidatura de esquerda.

A disputa não está resolvida. Levantamento Paraná Pesquisas divulgado em 10 de junho de 2026 mostrou Alvaro Dias (MDB) na liderança e um bloco embolado na sequência: Deltan Dallagnol, Gleisi Hoffmann, Filipe Barros e Alexandre Curi (Republicanos) apareceram em empate técnico. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-06978/2026.

A entrada de Picler também reorganiza a memória recente da direita paranaense. Antes de aparecer no entorno de Filipe Barros, o empresário rondou a possibilidade de compor como suplente de Cristina Graeml, então no União Brasil, conforme revelou o Blog do Esmael em setembro de 2025. À época, a hipótese já indicava que a eleição ao Senado passaria menos por pureza ideológica e mais por engenharia de chapa.

Cristina Graeml saiu da eleição municipal de Curitiba com capital eleitoral na direita e buscava musculatura partidária no União Brasil. Em março de 2026, migrou para o PSD de Ratinho Junior. Picler, por sua vez, aparecia como nome capaz de oferecer estrutura, trânsito e uma ponte com setores que não cabiam com facilidade no discurso antissistema. O deslocamento posterior para o PL mostra que o empresário preferiu o campo com maior identificação bolsonarista formal.

Picler atribui o fim da articulação com Cristina Graeml a uma mudança de posição política da ex-candidata à Prefeitura de Curitiba. “Ela mudou de lado”, disse o empresário ao Blog do Esmael.

A contradição é o tempero político, de lado a lado. De um lado, um ex-deputado do PDT, partido historicamente associado ao trabalhismo de Leonel Brizola, pode virar suplente de um deputado do PL alinhado ao bolsonarismo. De outro, uma jornalista que em curto espaço passou pelo PMB, pelo União Brasil e chegou ao PSD. A política paranaense não está diante de conversão ideológica pura. Está diante de uma operação de conveniência eleitoral.

Para Filipe Barros, Picler pode entregar mais do que um nome na ata da convenção. Pode entregar sinal ao empresariado, lastro financeiro simbólico e uma tentativa de ampliar a chapa para além da militância digital. Para Picler, a suplência pode significar retorno ao centro do poder sem enfrentar diretamente a urna como cabeça de chapa.

Picler, se confirmado na primeira suplência de Filipe Barros, não será apenas um acompanhante de chapa. Será o retrato de uma direita paranaense que tenta juntar bolsonarismo, lavajatismo, empresários da educação, ex-quadros do trabalhismo e sobreviventes do Centrão numa mesma fotografia eleitoral.

A fotografia pode funcionar. Mas também pode cobrar preço. Em 2026, o eleitor do Paraná terá duas vagas ao Senado e uma direita com muitos pretendentes, muitas biografias incompatíveis e poucos espaços para acomodar todos sem conflito.

Acompanhe a cobertura das eleições de 2026 no Blog do Esmael e participe do debate nos canais do blog.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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