O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entregará a taça da Copa do Mundo ao vencedor da final entre Argentina e Espanha neste domingo, 19 de julho, às 16h, no horário de Brasília, em East Rutherford, Nova Jersey. Ao lado do presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, Trump ocupará o centro da cerimônia esportiva enquanto seu governo amplia os ataques contra o Irã e abre uma nova disputa comercial com o Brasil.
A partida será disputada no New York New Jersey Stadium, nome adotado pela Fifa para o MetLife Stadium. No Brasil, a transmissão será feita por TV Globo, sportv, ge tv, SBT e CazéTV. As escalações oficiais serão confirmadas antes do início do jogo.
A participação de Trump na entrega do troféu foi confirmada pela Casa Branca. Infantino havia anunciado em junho que estaria com o presidente americano na final e na cerimônia destinada aos campeões. Chefes de Estado dos países-sede costumam comparecer às decisões, mas a presença de Trump recebeu uma preparação política própria, incluindo uma recepção da Fifa realizada na Trump Tower, em Nova York.
No encontro, Trump apresentou o Mundial como prova de que os Estados Unidos teriam se tornado um “país do futebol”. A frase ajuda a Casa Branca a vender a organização do torneio como demonstração de liderança internacional antes das Olimpíadas de Los Angeles, previstas para 2028, e dos Jogos de Inverno de 2034, em Salt Lake City.
A imagem festiva contrasta com as decisões tomadas pelo mesmo governo fora dos estádios. Na madrugada de 19 de julho, os Estados Unidos realizaram novos ataques contra o Irã em retaliação à morte de dois militares americanos numa base na Jordânia. O conflito mantém o Estreito de Ormuz no centro da disputa e aumenta o risco sobre petróleo, fretes marítimos e cadeias internacionais de abastecimento.
Três dias antes da final, Washington também anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre móveis, máquinas, calçados, açúcar, etanol e outros produtos brasileiros. A cobrança começará em 22 de julho e deverá alcançar cerca de 18% das exportações do Brasil aos Estados Unidos, com efeitos diretos sobre cadeias industriais do Paraná, como madeira, móveis, máquinas e papel.
O palco da Copa reunirá ainda a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. O presidente argentino, Javier Milei, decidiu não viajar e atribuiu a ausência à superstição. A composição transforma a final numa reunião diplomática entre governos que mantêm divergências comerciais, militares e políticas com Washington.
Dentro de campo, a Argentina tenta conquistar o quarto título mundial depois das taças de 1978, 1986 e 2022. A Espanha busca o bicampeonato, após vencer em 2010. A decisão também será o primeiro encontro entre as atuais campeãs da Copa América e da Eurocopa numa final de Mundial.
Lionel Messi, aos 39 anos, disputará sua provável última final de Copa do Mundo. A partida é tratada como sua despedida dos Mundiais, mas o jogador não confirmou que abandonará imediatamente a seleção argentina. O capitão chega à decisão com oito gols e quatro assistências nesta edição.
A Espanha aparece como favorita estatística. O modelo da Opta calcula 59,46% de possibilidade de título espanhol, contra 40,54% da Argentina. A equipe de Luis de la Fuente está invicta há 37 partidas e sofreu apenas um gol no torneio. A Argentina venceu seus sete jogos e marcou 19 vezes, apoiada na capacidade de decidir partidas nos minutos finais.
A provável Espanha tem Unai Simón; Pedro Porro, Laporte, Cubarsí e Cucurella; Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo; Lamine Yamal, Álex Baena e Mikel Oyarzabal. Luis de la Fuente não tem desfalques confirmados.
A Argentina deverá começar com Dibu Martínez; Molina, Romero, Lisandro Martínez e Tagliafico; Paredes, De Paul, Enzo Fernández e Mac Allister; Lionel Messi e Julián Álvarez. Lionel Scaloni ainda pode escolher Giuliano Simeone ou Thiago Almada para modificar o meio-campo.
A entrega da taça não será apenas uma fotografia protocolar. Trump receberá um espaço de visibilidade mundial enquanto tenta apresentar os Estados Unidos como centro do futebol, da diplomacia e dos próximos grandes eventos esportivos. O resultado pertencerá à Argentina ou à Espanha, mas a Casa Branca já trabalha para incorporar o espetáculo à propaganda política do presidente americano.
Acompanhe no Blog do Esmael a final da Copa do Mundo e os impactos das decisões de Donald Trump sobre o Brasil e o Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
