Marcos de Oliveira: Farra dos dividendos reduziu exploração de petróleo

Política de distribuição recorde de dividendos nos governos Temer e Bolsonaro levou à queda na exploração de petróleo pela Petrobras

Por Marcos de Oliveira, no Monitor Mercantil

Dados do anuário da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro traçam um quadro preocupante para o setor de petróleo. A produção bate recordes, mas a reposição de reservas não acompanha – houve redução de 1% em 2025. No ano passado, foram apenas 8 poços exploratórios pioneiros concluídos no país; este ano, apenas 1, no litoral fluminense.

Alguns fatos se somam para formar esse quadro. As petroleiras multinacionais se interessam pela produção e exportação de petróleo cru, mas pouco investem em prospecção de novos campos e nada em refino.

No caso da Petrobras, um especialista do setor confirma que os investimentos em exploração despencaram nos anos dos governos Temer e Bolsonaro, quando a prioridade foi o pagamento de altas quantias em dividendos, distribuindo aos acionistas valor superior ao lucro obtido.

Levantamento feito em 2023 pelo então vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Felipe Coutinho – atual presidente – demonstra que, mesmo com a menor receita entre as seis maiores petroleiras do mundo, o pagamento de dividendos da Petrobras no primeiro semestre de 2023 foi o maior.

Com receita de US$ 52,48 bilhões, a Petrobras pagou US$ 10,92 bilhões em dividendos referentes aos meses de janeiro a junho daquele ano.

A segunda petroleira que mais pagou dividendos no período foi a Exxon Mobil que distribuiu US$ 7,44 bilhões aos acionistas, tendo registrado uma receita no período mais de três vezes superior à da Petrobras (US$ 169,48 bilhões).

A situação começou a mudar com a eleição de Lula 3, especialmente após Magda Chambriard assumir a presidência da estatal.

Ainda em 2023, a Petrobras foi a petroleira global que mais aumentou os investimentos: praticamente dobrou o valor investido, somando US$ 21,4 bilhões entre aplicações diretas e ativos relacionados ao arrendamento de unidades de produção, contra um montante de US$ 10,9 bilhões em 2022.

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No 3º trimestre de 2025, os investimentos da Petrobras tiveram um aumento de 28,6%. O Plano de Negócios 2026-30 prevê investimentos de US$ 69,2 bilhões em projetos da Carteira em Implantação Alvo de Exploração & Produção (E&P).

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Publicação de: Viomundo

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