Banco Master volta ao colo de Alcolumbre e atravessa crise no Senado

A Polícia Federal rejeitou na quinta-feira (11) a segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele deixe a estrutura especial onde está preso e empurrou de volta para o centro do Senado uma crise que mistura banco, política, fundos públicos, delação premiada e comando do Congresso.

A delação premiada é o acordo em que um investigado oferece provas em troca de eventual benefício judicial. No caso de Vorcaro, a Polícia Federal (PF) entendeu que a nova proposta não trouxe elementos inéditos suficientes para justificar vantagens ao ex-banqueiro.

O ponto político está menos no ruído e mais na trava institucional.

Na mesma rodada, Vorcaro teria relatado suposto pagamento de US$ 30 milhões ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A acusação faria parte da proposta de colaboração apresentada pelo fundador do Master.

Alcolumbre negou.

Em nota, o presidente do Senado afirmou que as alegações são “absolutamente falsas” e disse que jamais recebeu valores no Brasil ou no exterior. Também informou que adotará medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra os responsáveis pelas acusações.

O Blog do Esmael não trata proposta de delação rejeitada como sentença. Trata como fato político porque o personagem citado preside a Casa que decide o ritmo de CPIs, votações fiscais, indicações, pautas de interesse do governo Lula e projetos com impacto direto no bolso do contribuinte.

É aí que o Banco Master volta ao colo de Alcolumbre.

O Senado não está vivendo uma semana normal. Na quarta-feira (10), a Casa aprovou a renegociação de dívidas rurais, projeto que volta à Câmara dos Deputados e que, segundo estimativa citada pelo governo, pode gerar impacto de R$ 140 bilhões em dez anos. Outras pautas com custo bilionário também avançaram em comissões.

A crise do Master entra nesse corredor.

De um lado, há uma investigação que toca sistema financeiro, fundos de previdência, bancos, agentes públicos e Supremo. De outro, há um Senado comandado por Alcolumbre, em atrito com o Palácio do Planalto e sob pressão para decidir o que anda e o que fica parado.

A pergunta concreta é inevitável: a crise do Banco Master vai afetar a instalação ou o alcance de uma CPI? Vai travar a relação de Alcolumbre com Lula? Vai contaminar a votação de projetos fiscais num ano em que todo gasto novo terá dono, beneficiário e conta a pagar?

O eleitor não precisa escolher entre acreditar cegamente em delator ou em nota oficial. Precisa exigir prova, rastreamento de dinheiro, transparência sobre fundos públicos e explicação sobre quem ganhou, quem perdeu e quem tentou empurrar a fatura para o Estado.

O Banco Master não é apenas uma história de banqueiro preso. É um teste sobre a fronteira entre dinheiro privado, proteção política e risco público.

Quando uma instituição financeira quebra, o estrago raramente fica só na mesa dos executivos. A conta pode aparecer em fundos de servidores, em bancos públicos, em disputas judiciais, em renúncias fiscais e em votações feitas longe do olhar do cidadão comum.

No caso de Alcolumbre, há dois fatos simultâneos e distintos: ele foi citado em proposta de delação, e negou a acusação de forma categórica. A investigação, por sua vez, segue sob o guarda-chuva do Supremo, com André Mendonça na relatoria e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda como peça decisiva na análise de eventual acordo.

O que não dá para normalizar é o Senado votar bilhões em impacto fiscal enquanto a principal Casa revisora do país atravessa uma crise de credibilidade ligada ao maior escândalo financeiro recente.

O contribuinte tem direito de saber se o Congresso está legislando para resolver problemas reais ou para blindar interesses poderosos.

O Blog do Esmael seguirá acompanhando o caso Banco Master, as decisões do Supremo, a posição da Procuradoria-Geral da República, o comportamento de Alcolumbre e o impacto da crise nas votações fiscais do Senado.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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