Por Gilberto Maringoni, em perfil de rede social
Foi-se o bravo Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85, um dos melhores jornalistas brasileiros de todos os tempos.
Em atividade desde o início dos anos 1960, Raimundo foi destaque na histórica revista Realidade e praticamente reinventou a chamada imprensa alternativa no jornal Opinião (1974) e ao fundar o Movimento (1975-81).
Tinha outra característica rara: inventava veículos (ou criava seus próprios empregos, como dizia Mino Carta). Além disso reunia equipes, coordenava coberturas, editava, empresariava e disputava posições.
Não vacilava em meter os pés no barro para investigar de greves aos meandros do mercado financeiro, sempre tendo em mente o drama social brasileiro. Foi pioneiro na internet, ao colocar sua revista Reportagem nas redes, no início dos anos 2000.
Mas era essencialmente um comunista de fibra e grande dirigente político, com um dos melhores sensos de humor que já conheci.
Trabalhei com ele em três situações. A primeira foi como cartunista, no Movimento, a segunda foi na Retrato do Brasil, enciclopédia em fascículos (1984-86) e a terceira como editor de arte e repórter de Reportagem.
Graças a ele, fui enviado à Venezuela em abril de 2002, para cobrir o golpe que tirou Hugo Chávez do poder por três dias. Aquele trabalho mudou minha vida. A partir daí mudei meu foco de interesses para política internacional.
Raimundo era físico, formado pelo ITA, de onde foi expulso pela fúria anticomunista de 1964.
Jornalismo para ele era tributário dos fatos, que tratava com o rigor de variáveis de uma equação. Se uma opinião não pode ser provada, de nada serve, dizia.
Apoie o VIOMUNDO
Abaixo, o registro de nosso último encontro, em dezembro de 2025 num restaurante em Laranjeiras, com Denise Gentil e Cassio Loredano.

*Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC).
Publicação de: Viomundo
