Por Pedro Uczai*
A Bancada do PT na Câmara denuncia a articulação da extrema-direita sob a condução de Flávio e Eduardo Bolsonaro para estimular os Estados Unidos a classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A manifestação norte-americana representa uma resposta ideológica da extrema direita mundial à proposta séria de cooperação internacional apresentada pelo Brasil aos EUA em visita recente, baseada em devolução de fugitivos, repatriação de valores, troca de informações, asfixia financeira e combate real ao crime organizado. Em vez de cooperação, a extrema direita oferece sanções, ingerência, pressão econômica e submissão do Brasil aos interesses de estrangeiros.
O PCC, o Comando Vermelho e todas as organizações criminosas devem ser combatidos com firmeza. Foi exatamente por isso que o governo Lula apresentou o PL Antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional, fortalecendo investigação patrimonial, asfixia financeira das facções, combate à lavagem de dinheiro, cooperação federativa, inteligência e controle de fronteiras e a PEC da Segurança, que pretende inserir o governo federal na coordenação da segurança pública. Durante esse debate, a tentativa de tratar facções criminosas como terrorismo foi discutida e derrotada pelo Parlamento brasileiro. Flávio e Eduardo Bolsonaro tentam agora buscar em Washington aquilo que perderam no Congresso Nacional.
A classificação pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira, como já ocorreu com as tarifas impostas pelos EUA. Se instituições financeiras, bancos, empresas ou intermediários forem acusados de lavar dinheiro, movimentar valores ou facilitar pagamentos ligados a facções, o sistema financeiro brasileiro pode ser contaminado por fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito.
A medida também ameaça milhões de pessoas que vivem ou trabalham em territórios dominados pelo crime organizado, criando barreiras para circulação, serviços, contas bancárias e crédito. Além disso, pode prejudicar a cooperação penal internacional, de modo a substituir a participação da inteligência policial pela lógica militar e abrir espaço para pretensões de atuação extraterritorial, medidas coercitivas e até ação armada contra o Brasil, como propôs Flávio Bolsonaro ao pedir o bombardeio de barcos brasileiros na Baía de Guanabara.
A família Bolsonaro presta mais um desserviço ao Brasil. Depois de reivindicar sanções, tarifas e pressões estrangeiras contra a economia brasileira, de oferecer as nossas riquezas como os minerais críticos, Flávio e Eduardo avançam agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump. A mesma família que acumula relações com o crime organizado no Brasil tenta posar de defensora da segurança enquanto conspira contra o povo brasileiro. O Brasil precisa combater o crime organizado com Estado forte, soberania e lei brasileira. O Brasil não é colônia. O Brasil é dos brasileiros!
Brasília, 28 de maio de 2026.
*Pedro Uczai é líder do PT na Câmara dos Deputados.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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Publicação de: Viomundo
