Marco de Brito: Precisamos resgatar o Rio de Janeiro, tão maltratado pelo crime organizado e as elites

Por Marco Paulo Valeriano de Brito*

Meus camaradas, companheiras, companheiros, amigas, amigos e colegas, inclusive, adversários políticos pontuais. Nós precisamos resgatar a dignidade carioca e fluminense perdida, reerguer o Estado do Rio de Janeiro, tão bonito, natureza tão exuberante, com um povo que trabalha há 526 anos e que durante séculos foi o farol do Brasil.

Resgatar o Estado do Rio de Janeiro para o seu povo só será possível com afeto, unidade política, ética e muito trabalho.

Temos o dever e a obrigação de parar com disputas políticas mesquinhas e interesses pessoais, pois só numa grande união, em torno de uma frente ampla pela democracia popular, será possível o efetivo desenvolvimento econômico-social sustentável do Rio de Janeiro e o resgate da dignidade do povo carioca, fluminense e brasileiro.

Não suportamos mais esse estado de coisas, que nos está destruindo. Falo de quem de fato ama este Estado, efetivamente trabalha e, sobretudo, daqueles que sobrevivem atormentados, sitiados e reféns do crime organizado e são as maiores vítimas da política de corrupção sistêmica, que levou à degradação generalizada e à decadência civilizatória e sócio-econômica do Estado do Rio de Janeiro.

Somos 92 municípios, cerca de 17 milhões de habitantes, exportadores de cultura para todo mundo, dinâmicos, trabalhadores, num território de diversas faculdades, universidades, instituições de ciências e tecnologias, fazeres e saberes diversos, riquezas estratégicas, clima diverso e uma vocação intrínseca para o esporte, o entretenimento, o lazer e o turismo.

Portanto, nada justifica o nosso declínio, a não ser por essa degeneração política que se abateu sobre nós a partir da perda do distrito federal para Brasília, da fusão autoritária, entre a Guanabara e o Rio de Janeiro, e as três décadas de absoluta degradação política, que se sucedeu ao último líder e governador, Leonel de Moura Brizola, onde praticamente todos os governadores que o sucederam estiveram, ou estão, envolvidos em denúncias criminais diversas e alguns desses foram presos ou ainda estão por serem.

Berço e centro histórico da civilização e da sociedade brasileira chegamos ao século XXI desprestigiados, pela nação brasileira, como povo carioca e fluminense, que não mais nos ouve e não nos dá mais importância nas questões do Brasil, e basicamente somos referenciados como “um estado do crime e da violência” por todo o país.

Quem quer investir no Estado do Rio de Janeiro, numa atmosfera dessas, que tem feito o RJ perder oportunidades empresariais, declinar no mercado de trabalho, estagnar salários e exportar cérebros e força de trabalho, para todo o país e para o exterior, quando no passado fomos o Estado da federação que mais atraía brasileiros e estrangeiros, diante da nossa histórica importância e grandes possibilidades de crescimento e desenvolvimento humano e econômico no Brasil.

Nossas elites do atraso foram degradando o Rio de Janeiro, que perdeu relevância no Sudeste, sobretudo, para São Paulo, e hoje já não mais encanta o Brasil.

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Amigas e amigos, camaradas, não dá mais para aguentarmos toda essa degradação, sem nada fazermos, sermos omissos, ou acreditarmos em lutas individuais, de grupos sectários, ou nas trincheiras de resistências, e por isso insisto que a única solução é a concreta materialização da nossa indignação em uma força de unificação progressista, caso contrário nunca sairemos desse ciclo vicioso que está destruindo todo o Estado do Rio de Janeiro.

A solução não virá de fora, de outros Estados federados ou da União, embora estejamos sempre abertos à toda ajuda externa, mas da nossa própria disposição para mudarmos e construírmos um novo Estado do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro é maravilhoso, na plenitude de todas as suas 92 cidades maravilhosas, e tem que se libertar do atraso conservador de suas elites e derrotar o crime organizado que nos oprime e nos mata sob diversas denominações.

Cariocas e fluminenses uni-vos!

Rio de Janeiro, 26 de maio de 2026.

*Marco Paulo Valeriano de Brito é enfermeiro-sanitarista, professor e gestor público

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.

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