Lindbergh dispara contra Moro no lançamento progressista

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou o lançamento das pré-candidaturas de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado e Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná, neste sábado (30), em Curitiba, para colocar Sergio Moro (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o bolsonarismo no centro da disputa de 2026.

Lindbergh falou ao público no Igloo Super Hall, no Tarumã, um dia depois do ato da direita que reuniu Moro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Rogério Marinho (PL). O petista fez um discurso de confronto direto, com memória da Lava Jato, defesa de Lula e cobrança sobre a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos.

Lindbergh, vice-líder do governo na Câmara, exaltou Requião Filho e afirmou que o Paraná precisa eleger o pedetista governador e devolver Gleisi ao Senado.

O ponto mais forte da fala foi a lembrança da prisão de Lula em Curitiba, em abril de 2018. Lindbergh citou o papel de Gleisi, então presidente nacional do PT, na resistência política montada em torno da Vigília Lula Livre, diante da sede da Polícia Federal.

Segundo ele, a direita dizia naquele momento que Lula e o PT estavam politicamente liquidados. A resposta, afirmou, veio com a organização da militância, a defesa da inocência de Lula e a eleição do petista quatro anos depois.

Lindbergh também recuperou o discurso de Roberto Requião no julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, quando o ex-senador chamou os adversários de “canalhas”. A lembrança serviu para costurar a narrativa de golpe, Lava Jato e prisão de Lula como etapas de um mesmo processo político.

A partir daí, o petista endureceu contra Sergio Moro. Chamou o senador de “juiz ladrão” e “mentiroso” e disse que o ex-juiz precisa dar explicações sobre os recursos administrados pela 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Lava Jato.

Relatórios do Conselho Nacional de Justiça já apontaram problemas na gestão de valores ligados à Lava Jato, mas Moro nega irregularidades e costuma dizer que as acusações contra ele têm motivação política.

O deputado também mirou Flávio Bolsonaro. Lindbergh citou o caso Banco Master e afirmou que o senador primeiro negou conhecer Daniel Vorcaro, depois mudou a versão após a divulgação de mensagens. Na fala, o petista disse que o episódio desmoraliza a direita e precisa entrar no debate eleitoral.

O caso envolve a negociação de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirma que tratou de um projeto privado e nega ilegalidade. O tema virou munição política contra o pré-candidato da direita ao Palácio do Planalto.

Lindbergh ainda ligou o bolsonarismo à ofensiva dos Estados Unidos sobre o Brasil. Ele criticou a decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, medida prevista para entrar em vigor em 5 de junho.

Para o petista, a família Bolsonaro atua de forma subordinada a Washington. Ele acusou Flávio Bolsonaro de defender uma política externa que ameaça a soberania nacional e de abrir caminho para sanções, tarifas e interferência econômica contra o Brasil.

O discurso colocou o ato de Curitiba em chave nacional. A candidatura de Requião Filho ao governo do Paraná foi apresentada como parte da defesa do projeto de Lula, enquanto Gleisi foi tratada como nome central para a disputa ao Senado e para o enfrentamento ao bolsonarismo no estado.

Lindbergh encerrou com uma convocação à militância. Disse que, se o PT e seus aliados resistiram no período mais duro da prisão de Lula, não podem recuar agora diante de Moro, Flávio Bolsonaro e da direita paranaense.

A fala deixou claro que a eleição de 2026 no Paraná não será apenas uma disputa estadual. O palanque de Requião Filho e Gleisi quer transformar Moro, Lava Jato, Banco Master e soberania nacional em temas de urna.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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