A ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) será lançada ao Senado neste sábado (30), em Curitiba, em aliança com o deputado estadual Requião Filho (PDT), pré-candidato ao Governo do Paraná, num ato progressista convocado para responder aos ataques da direita contra Lula, o Supremo Tribunal Federal e a própria petista.
O encontro começa às 10h, no Igloo Super Hall, na Rua Dino Bertoldi, 740, no Tarumã. A coordenação do evento espera ao menos 5 mil pessoas, número que, se confirmado, servirá como contraponto direto ao comício da direita realizado na noite de sexta-feira (29), também em Curitiba.
A agenda de Gleisi e Requião Filho ocorre poucas horas depois do ato em que Sergio Moro (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Rogério Marinho (PL-RN) dividiram palanque para testar a força da direita paranaense em 2026.
Como registrou o Blog do Esmael, o comício da direita teve ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Lula e a Gleisi. Deltan mirou ministros da Corte. Filipe Barros também subiu o tom contra adversários e terminou a noite pressionado pelo caso Master.
Na coletiva de imprensa do evento, Barros discutiu com uma jornalista ao ser questionado sobre o discurso anticorrupção da direita diante das relações investigadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em vez de responder diretamente, o deputado deslocou a cobrança para o PT da Bahia.
O ponto sensível para Barros é conhecido. O Blog mostrou que o deputado apresentou, em 14 de novembro de 2024, o Projeto de Lei 4.395/2024, com objetivo semelhante ao de uma emenda de Ciro Nogueira (PP-PI) sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), peça que aparece no fio político das investigações sobre o Banco Master. Barros não é acusado pela operação, mas carrega o incômodo político do papel protocolado.
Esse será um dos temas que a esquerda deve explorar neste sábado. O campo de Lula no Paraná tende a cobrar de Moro, Flávio Bolsonaro e Barros a mesma régua moral que a Lava Jato dizia aplicar aos adversários. A diferença é que, agora, a pergunta sobre banco, lobby e blindagem parlamentar bate à porta do palanque lavajatista.
A outra frente de ataque será a soberania nacional. Flávio Bolsonaro foi a Washington pedir a Donald Trump a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão dos Estados Unidos foi anunciada na quinta-feira (28) e terá validade a partir de 5 de junho.
Lula reagiu na sexta-feira (29) e chamou a articulação bolsonarista de pedido de intervenção estrangeira no Brasil. A palavra “traidor” deve aparecer no palanque progressista de Curitiba, porque a esquerda enxerga na ofensiva de Flávio Bolsonaro uma tentativa de transformar segurança pública em instrumento de pressão externa contra o país.
O risco não é retórico. A classificação americana pode ampliar a vigilância sobre bancos, fintechs, empresas, transferências internacionais e setores que operem em áreas sob influência econômica do crime organizado. Não significa sanção automática contra o Brasil, mas abre espaço para pressão financeira e diplomática dos Estados Unidos sobre agentes brasileiros.
É nesse ponto que Gleisi entra como alvo e como personagem. A ex-ministra é uma das vozes mais duras do PT contra a Lava Jato, contra Moro e contra a aproximação bolsonarista com Trump. Ao lançá-la ao Senado, o campo progressista quer transformar a eleição paranaense em disputa sobre soberania, direitos, emprego e memória política.
Requião Filho, por sua vez, tenta ocupar o lugar de principal adversário do grupo de Ratinho Junior (PSD) na corrida pelo Palácio Iguaçu. O ato deste sábado junta a candidatura estadual do PDT com a candidatura petista ao Senado e tenta organizar o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do Paraná.
A comparação com a noite anterior será inevitável. Se a direita levou cerca de 2 mil pessoas ao Tarumã sob frio de 11°C, a esquerda tentará mostrar volume maior, discurso mais unificado e uma resposta direta aos ataques feitos contra Lula e Gleisi.
Moro também será cobrado. O ex-juiz foi celebrado na sexta-feira como “o homem que prendeu Lula”, referência à prisão que depois foi anulada pela Justiça. A esquerda deve devolver a provocação lembrando os 580 dias de prisão ilegal do presidente em Curitiba e a suspeição reconhecida contra Moro pelo Supremo Tribunal Federal.
Curitiba amanhece fria, mas a temperatura política subiu antes das 10h. O ato de Gleisi e Requião Filho não será apenas lançamento de pré-candidaturas. Será a primeira resposta organizada do campo de Lula no Paraná depois do palanque de Moro com Flávio Bolsonaro, da ofensiva de Trump sobre PCC e CV e do constrangimento de Filipe Barros no caso Master.
A medida real do encontro virá em três pontos: público, discurso e consequência. Se Gleisi e Requião Filho conseguirem ligar soberania nacional, caso Master, Lava Jato e eleição estadual numa mensagem compreensível ao eleitor médio, o sábado (30) deixará de ser só agenda de militância e passará a contar como largada concreta da disputa de 2026 no Paraná.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
