Manuela lidera Senado e Juliana encosta em Zucco no RS

Manuela D’Ávila (PSOL) lidera a disputa pelas duas vagas do Rio Grande do Sul no Senado com 30,7%, enquanto Juliana Brizola (PDT) alcança 30,1% na corrida pelo governo e fica a 4,1 pontos de Luciano Zucco (PL). A Paraná Pesquisas ouviu 1.500 eleitores em 60 municípios, entre 16 e 19 de julho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento divulgado nesta quarta-feira, 22 de julho, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RS-09313/2026.

A pesquisa coloca duas mulheres do campo progressista no centro da eleição gaúcha. Manuela ocupa isoladamente a primeira posição no cenário estimulado para o Senado. Juliana aparece em segundo lugar para o Palácio Piratini, com distância muito superior à vantagem que mantém sobre o terceiro colocado, Gabriel Souza (MDB), que registra 13%.

Zucco soma 34,2%, contra 30,1% de Juliana. A diferença supera numericamente a margem de erro, mas a configuração da disputa torna a pedetista a principal adversária do candidato do PL. Marcelo Maranata (PSDB) tem 4,7%; Priscila Voigt (UP) e Rejane de Oliveira (PSTU) registram 0,9% cada. Brancos e nulos são 8,6%, enquanto 7,6% não souberam responder.

Juliana Brizola abre 17,1 pontos sobre Gabriel Souza e ocupa posição privilegiada na disputa por uma vaga no segundo turno. O levantamento retrata o eleitorado entre 16 e 19 de julho, antes do encerramento das convenções partidárias, previsto para 5 de agosto.

O desempenho feminino aparece com maior força entre as próprias eleitoras. Juliana lidera nesse segmento com 33,8%, diante de 27,1% de Zucco. Entre os homens, o candidato do PL alcança 42,1%, contra 26% da pedetista. A diferença revela uma divisão de gênero que pode orientar a campanha gaúcha até o primeiro turno de 4 de outubro.

Juliana também chega a 39,5% entre os eleitores com 60 anos ou mais, ante 32% de Zucco. Entre os entrevistados que não participaram de cerimônia religiosa nos dez dias anteriores à coleta, ela marca 33,9%, contra 28,8% do adversário. Zucco lidera por 40,1% a 26% entre os participantes de celebrações religiosas.

Na disputa pelo Senado, na qual cada entrevistado podia escolher até dois nomes, Manuela registra 30,7%. Marcel van Hattem (Novo) aparece com 28,6%, Germano Rigotto (MDB) tem 26,3%, Paulo Pimenta (PT) soma 23,7% e Ubiratan Sanderson (PL) alcança 20,3%.

Frederico Antunes (PSD) registra 7,4%, Renato Jaguarão (Cidadania) tem 2,8% e Milton Cardoso (PSDB) aparece com 2,6%. Brancos e nulos somam 9,7%, enquanto 6,6% não responderam. Como estão em disputa duas cadeiras, Manuela lidera, mas a segunda vaga permanece aberta: Van Hattem, Rigotto, Pimenta e Sanderson estão separados por 8,3 pontos.

Manuela alcança 36,2% entre as mulheres, contra 21,1% de Van Hattem. Entre os homens, a relação se inverte: o deputado do Novo registra 37,1%, enquanto a candidata do PSOL tem 24,5%. A ex-deputada também lidera entre os eleitores de 16 a 24 anos, com 35,4%.

O levantamento traz um sinal favorável à aliança progressista formada em torno de Juliana Brizola. A chapa tem Edegar Pretto (PT) como candidato a vice e reúne PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB, PV, Rede e Avante. Manuela e Paulo Pimenta disputam o Senado dentro desse mesmo campo político.

A recuperação nacional do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ampliar a capacidade de mobilização da chapa progressista no Rio Grande do Sul. O movimento também encontra respaldo em pesquisas anteriores nas quais Lula ultrapassou 40% das intenções de voto na Região Sul. A Paraná Pesquisas, entretanto, não mediu a corrida presidencial nem a avaliação do governo federal nesse levantamento gaúcho.

A conexão possível é política: Lula poderá oferecer estrutura nacional, tempo de campanha e associação direta com políticas federais à candidatura de Juliana, enquanto Manuela e Pimenta reforçam a disputa pelas duas vagas do Senado. O efeito sobre os votos dependerá da capacidade da aliança de recuperar presença histórica do PT no estado e transformar a melhora nacional do presidente em apoio local.

O Rio Grande do Sul deu maioria a Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. Por isso, o avanço de duas mulheres progressistas não representa apenas uma disputa de nomes. Ele desafia a hegemonia recente da direita no estado e obriga o bolsonarismo a enfrentar uma eleição dividida por gênero, religião e avaliação do governo federal.

Acompanhe no Blog do Esmael a evolução das pesquisas no Rio Grande do Sul e os efeitos da recuperação nacional de Lula sobre as candidaturas de Juliana Brizola, Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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