O Partido Verde (PV) aprovou na segunda-feira, 20 de julho, o apoio a Requião Filho (PDT) para o governo do Paraná e a Gleisi Hoffmann (PT) para o Senado, mas não lançou Raphael Rolim de Moura nem outro filiado para a segunda cadeira. A decisão encerra, na prática, a reivindicação verde pela vaga e abre caminho para o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentar Dr. Rosinha.
A convenção não deixou a disputa senatorial sem rumo. A ausência de Raphael Rolim na ata precisa ser lida junto com a estratégia adotada pelo próprio PV: concentrar seus nomes nas eleições proporcionais para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e a Câmara dos Deputados.
O partido aprovou Fernando Duso, Geraldo Stocco e Ivony Costa para a Alep. Aliel Machado e Rosane Ferreira receberam o aval para disputar a Câmara. A prioridade dada a essas candidaturas explica por que os verdes desistiram de ocupar a segunda vaga ao Senado.
Em novembro de 2025, o Blog do Esmael informou que a candidatura caberia inicialmente ao PV. Raphael Rolim, presidente estadual da legenda, aparecia como possível candidato no acordo negociado com PT e PDT.
A composição mudou porque o PV decidiu fortalecer suas chapas proporcionais. O PT chegou a cogitar Rosane Ferreira para o Senado, mas os verdes vetaram a candidatura porque sua retirada enfraqueceria a lista para a Câmara dos Deputados.
Sem um nome próprio aprovado na convenção e com Raphael Rolim fora da ata, a indicação retornou aos petistas. O Blog apurou que a cúpula do PT trabalha para lançar Dr. Rosinha na segunda vaga.
A candidatura ainda deverá cumprir a etapa formal da convenção partidária. Essa exigência jurídica não deve ser confundida com indefinição política: o PV já abriu mão da vaga ao priorizar seus candidatos proporcionais, e o PT passou a controlar a indicação.
Dr. Rosinha foi deputado federal pelo Paraná e presidiu o PT estadual. Se for homologado, formará com Gleisi Hoffmann uma dupla petista para as duas cadeiras do Senado em disputa nas eleições de 4 de outubro.
Cada eleitor poderá votar em dois candidatos a senador. A apresentação de dois nomes permite à chapa progressista pedir voto casado, ampliar a presença regional da campanha e disputar as duas escolhas do eleitorado de esquerda.
A decisão do PV também fortalece Requião Filho no período das convenções, que termina em 5 de agosto. O partido aprovou por unanimidade o apoio ao pedetista e formalizou sua participação no palanque estadual do presidente Lula (PT).
Esse movimento resolve a direção política das candidaturas ao Senado, mas não conclui toda a chapa. O nome do vice de Requião Filho permanece em negociação.
Também caberá à Federação Brasil da Esperança, formada por PT, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e PV, organizar sua lista proporcional e formalizar as decisões eleitorais de acordo com as regras aplicáveis às federações. Na prática, as três legendas funcionam como uma única agremiação durante a eleição e o mandato.
A distribuição dos espaços mostra a compensação construída dentro do grupo. O PT deverá ocupar as duas candidaturas ao Senado, enquanto o PV preserva nomes considerados estratégicos para as eleições proporcionais. A vice de Requião Filho permanece como a principal peça disponível para acomodar outro partido ou ampliar a aliança.
Portanto, a convenção verde não produziu um vazio na segunda vaga. Ela confirmou uma mudança de estratégia: Raphael Rolim deixou de ser candidato, o PV concentrou forças nas chapas de deputados e Dr. Rosinha avançou para completar a dupla petista ao Senado.
Acompanhe no Blog do Esmael as convenções e a montagem das chapas para as eleições de 2026 no Paraná.
Leia também:

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
