Requião Filho (PDT) e Gleisi Hoffmann (PT) lançam no sábado (30), às 10h, em Curitiba, suas pré-candidaturas ao Governo do Paraná e ao Senado, em ato progressista marcado para horas depois do encontro da direita com Sergio Moro (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).
O evento “Somos Vozes do Paraná” será realizado no Igloo Super Hall, na Rua Dino Bertoldi, 740, no Tarumã. O aviso à imprensa informa que o encontro reunirá lideranças políticas, apoiadores e representantes de setores da sociedade paranaense.
A escolha de Curitiba dá ao ato um peso maior do que o de uma agenda partidária. A capital recebe, em menos de 24 horas, dois palanques antagônicos da disputa estadual de 2026: de um lado, a direita tenta juntar Lava Jato e bolsonarismo; de outro, o campo progressista tenta organizar o palanque de Lula no Paraná.
Moro chega ao encontro da direita como pré-candidato ao Palácio Iguaçu pelo PL. Flávio Bolsonaro entra no roteiro como pré-candidato à Presidência. Dallagnol e Filipe Barros aparecem no desenho da chapa ao Senado, num arranjo que busca falar ao eleitor conservador, lavajatista e bolsonarista.
Requião Filho e Gleisi chegam ao sábado com outra tarefa. O ato precisa mostrar se PDT, PT e aliados terão musculatura para enfrentar, ao mesmo tempo, o grupo do governador Ratinho Junior (PSD), a candidatura de Moro e a máquina de comunicação da direita no estado.
A pré-candidatura de Requião Filho tenta ocupar o espaço de oposição direta ao ciclo político comandado por Ratinho Junior. Gleisi, por sua vez, busca transformar sua relação nacional com Lula em voto paranaense para o Senado, numa eleição em que cada eleitor escolherá dois nomes para a Casa.
Esse ponto é decisivo para a esquerda. A disputa de 2026 renovará dois terços do Senado, o que abre duas vagas por estado. Sem orientação clara para o segundo voto, parte do eleitorado progressista pode acabar fortalecendo candidaturas adversárias no próprio Congresso.
Na véspera do evento, Gleisi mostrou a credencial ao cobrar o ex-deputado cassado Deltan Dallagnol a certidão de elegibilidade. Para a pré-candidata ao Senado pelo PT, o ex-procurador da Lava Jato está inelegível. “Deltan deveria levar sua certidão eleitoral no lançamento da pré-candidatura”, desafia a petista.
O ato progressista também terá de responder a uma pergunta que a direita tenta impor desde a noite de sexta-feira (29): quem falará em nome do Paraná na disputa nacional? Moro e Flávio Bolsonaro querem apresentar a direita paranaense como trincheira contra Lula. Requião Filho e Gleisi tentam virar essa conta pela defesa de direitos, soberania, emprego e presença do governo federal no estado.
Ainda há limites objetivos. Pré-candidatura não é candidatura registrada. Pelo calendário eleitoral, as convenções partidárias só ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, e o prazo final para registro das candidaturas vai até 15 de agosto. A campanha oficial começa em 16 de agosto.
Por isso, o encontro de sábado vale mais como fotografia política do que como ata eleitoral. O que estará em jogo é a capacidade de juntar partidos, militância, prefeitos, sindicatos, movimentos populares e lideranças regionais em torno de uma narrativa comum para 2026.
O aviso do evento fala em “política feita por pessoas que cuidam de pessoas”. A frase aponta para o eixo social do palanque. O teste concreto será mostrar como essa mensagem chega fora da militância, especialmente em Curitiba, região metropolitana, Norte, Oeste e cidades médias onde a direita opera com vantagem há anos.
O Paraná entra no fim de maio com dois atos consecutivos e um recado claro: a eleição estadual deixou a fase de conversas reservadas e passou ao confronto público de palanques. No sábado (30), Requião Filho e Gleisi terão a primeira chance de mostrar se a esquerda entra em 2026 apenas para marcar posição ou para disputar o poder no estado.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
