Novo-PR desautoriza Zema após ataque a Flávio Bolsonaro

  • Novo, de Deltan Dallagnol, sente cheiro de enxofre e teme implosão de aliança com PL no Paraná
  • A desautorização política é um caso curioso em que o rabo tenta balançar o cachorro

O diretório estadual do Novo no Paraná classificou nesta quinta-feira (14) como “precipitada” a divulgação de um vídeo de Romeu Zema (Novo) contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reafirmou a aliança local com o PL, num movimento que expõe a fratura da direita no rastro do caso Banco Master. A nota foi divulgada à imprensa.

O ponto central não é apenas a discordância com Zema. É o recado do Novo paranaense de que a eleição de 2026 no estado passa por alianças locais, não por arroubos nacionais sem combinação prévia.

A crise nasceu depois que Zema criticou Flávio Bolsonaro por causa dos áudios e mensagens revelados pelo Intercept Brasil sobre tratativas com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A reportagem do Intercept apontou negociação de 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na época, para a produção.

Flávio Bolsonaro negou irregularidade e disse que se tratava de patrocínio privado, sem contrapartida. A explicação não encerrou a crise porque o caso deslocou o debate da relação entre direita e sistema financeiro para o terreno eleitoral, no qual Flávio e Zema disputam o mesmo campo político.

Na nota do diretório estadual, o Novo-PR defendeu investigação “profunda e completa” do caso Banco Master e a instalação imediata da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Ao mesmo tempo, criticou a equipe de Zema por ter divulgado o vídeo sem alinhamento prévio com a convenção nacional do partido.

A frase mais política do texto está no trecho em que o Novo-PR afirma que a aliança entre PL e Novo no Paraná “permanece sólida”. Essa é a parte que pesa no estado. O diretório tenta preservar a ponte com o PL num arranjo que envolve Sergio Moro (PL), Filipe Barros (PL) e o campo ligado ao ex-deputado cassado Deltan Dallagnol (Novo).

O Novo no Paraná é liderado por Deltan, que pretende disputar o Senado com apoio do PL. A ala paranaense ligada ao ex-procurador reclamou do vídeo de Zema e defendeu a manutenção da parceria local com os liberais.

A tensão é simples de entender. Zema fala para a disputa nacional, onde precisa se diferenciar de Flávio Bolsonaro. O Novo-PR fala para a disputa estadual, onde depende de uma composição com o PL para sustentar palanque, tempo político, base militante e chapa competitiva em 2026.

Por isso, tratar a nota como uma tentativa de “salvar aliança” exige cuidado. O fato confirmado é que o diretório criticou o vídeo de Zema, chamou a divulgação de “precipitada” e reafirmou a solidez da aliança com o PL no Paraná. A leitura política é que o partido tenta conter o estrago local provocado por uma briga nacional.

A desautorização política é um caso curioso em que o rabo tenta balançar o cachorro: o diretório estadual do Novo no Paraná enquadrou Zema para preservar a aliança com o PL antes que a crise nacional contaminasse a eleição de 2026 no estado.

Diretórios do Novo tentam salvar alianças com o PL após o vídeo de Zema, a exemplo das seções do Paraná e de Santa Catarina, que são focos de contenção da crise.

No Paraná, o episódio atinge diretamente a pré-campanha da direita. Se Zema crescer como alternativa presidencial, Flávio Bolsonaro perde o conforto de falar sozinho ao eleitor bolsonarista. Se Flávio Bolsonaro se mantém como nome central do PL, o Novo paranaense precisa explicar por que critica o caso Master, mas preserva a aliança com o partido do senador.

O efeito imediato é uma cobrança pública sobre coerência. O Novo-PR pede CPMI do Banco Master e defende transparência, mas evita romper com o PL no estado. O PL, por sua vez, tenta deslocar a crise para a origem do vazamento dos áudios, como o Blog do Esmael já mostrou ao tratar do requerimento do deputado José Medeiros (PL-MT) ao Ministério da Justiça.

A direita paranaense entrou no caso Master pela porta dos áudios, mas a crise já chegou ao mapa de alianças de 2026. O Novo-PR escolheu proteger o pacto estadual enquanto Zema tenta marcar distância de Flávio Bolsonaro no plano nacional.

Aqui está a íntegra da nota oficial do Novo:

NOTA OFICIAL

Transparência, fiscalização e aliança: o posicionamento do NOVO Paraná

Partido NOVO — Diretório Estadual do Paraná

Caso Banco Master
O NOVO Paraná defende a investigação profunda e completa do caso Banco Master pelos órgãos competentes, com atuação firme dos mecanismos de fiscalização e controle. Consideramos essencial a instalação imediata da CPMI do Banco Master para que a apuração ocorra com a transparência que o caso exige.

Vídeo de Romeu Zema

A divulgação do vídeo pela equipe de comunicação de Zema foi precipitada e gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas. Posicionamentos públicos dessa natureza devem observar alinhamento prévio com a convenção nacional do partido — o que não ocorreu neste caso.

Aliança PL–NOVO no Paraná

A aliança entre PL e NOVO no Paraná permanece sólida, fundamentada em diálogo, convergência de princípios e compromisso com resultados concretos para os paranaenses. Unidos pela oposição ao PT e ao ideário da esquerda, seguimos confiantes na força desse projeto para o estado.

O NOVO Paraná reafirma seu compromisso com a transparência e a responsabilidade pública. A investigação rigorosa dos escândalos do Banco Master e do INSS é dever institucional — e seguirá sendo uma diretriz central do nosso posicionamento.

Diretório Estadual do Paraná

Partido NOVO

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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