O Partido Liberal (PL), legenda do senador Sergio Moro, e o diretório estadual do Novo pediram ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) a suspensão da divulgação da pesquisa Quaest contratada pelo Banco Genial, prevista para 27 de abril. Na representação protocolada nesta sexta-feira (24), os partidos pedem liminar para barrar a sondagem e acusam o questionário de distorcer o cenário político do Paraná.
A peça não foi assinada por Moro pessoalmente, mas pelo PL do Paraná e pelo Novo do Paraná, bloco que hoje atua politicamente no mesmo campo do senador. O processo foi distribuído à relatoria de juiz auxiliar do TRE-PR e tramita com pedido urgente de tutela para suspender a divulgação dos resultados.
O primeiro ataque da representação mira o coração formal da pesquisa. O registro no sistema eleitoral informa que o levantamento trata dos cargos de governador e senador no Paraná. Só que o questionário anexado pela própria Quaest também inclui perguntas sobre presidente da República. Para PL e Novo, isso descola o formulário do objeto oficialmente registrado e cria vício suficiente para impedir a divulgação.
O segundo ponto de briga atinge diretamente o xadrez da direita. A Quaest incluiu do vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), em cenário para governador ao lado de Sergio Moro. Na ação, PL e Novo sustentam que isso falseia a conjuntura porque os dois partidos já anunciaram uma “pré-aliança” em torno da pré-candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu. Pela lógica da representação, testar Paulo Martins no mesmo bloco de disputa dividiria artificialmente o eleitorado de direita e produziria um retrato que não corresponde ao desenho político defendido pelos autores da ação.
A não ser que, até as convenções de julho e agosto, Ratinho resolva dar uma rasteira em Moro e puxar o partido de Romeu Zema para fora da pré-aliança no Paraná. Os sinais são fortes, como diria o lendário Eymael. Há, também, cheiro de guerra interna no Novo.
Há ainda outros flancos abertos na petição. Os partidos afirmam que a Quaest listou Alexandre Curi como filiado ao PSD, embora ele tenha migrado para o Republicanos, e também criticam a inclusão de Pedro Lupion como nome ao Senado, dizendo que o deputado federal está voltado à reeleição para a Câmara. Para os representantes, esses erros comprometem a confiabilidade do levantamento.
O trecho que mais incendiou os bastidores, porém, é outro. A ação afirma que a sequência do questionário pode induzir o eleitor ao medir, antes do voto, temas como “merecimento” de Ratinho Junior (PSD) para fazer o sucessor, notícias sobre o governo estadual e as perguntas sobre IPVA. Depois desse bloco, o formulário entra em cenários eleitorais, como registrou em primeira mão o Blog do Esmael. Na visão de PL e Novo, isso dá à pesquisa um viés político favorável ao governo.
Esse é o mesmo levantamento contratado pelo Banco Genial por R$ 215.479,57, com 1.104 entrevistas entre 21 e 25 de abril e divulgação prevista para segunda-feira, dia 27 de abril. O questionário realmente traz, no meio da pesquisa, as perguntas “Você ficou sabendo sobre alguma mudança recente no valor do IPVA?” e “Na sua opinião, você considera essa alteração do IPVA como…”, com gradação de muito positiva a muito negativa.
O ki-suco ferveu porque a direita paranaense entrou numa fase de ansiedade máxima. Ratinho bateu o martelo por Sandro Alex (PSD), mas o campo de Moro continua em modo de suspeita sobre tudo o que possa turbinar artificialmente o herdeiro do Palácio Iguaçu. E o curioso é que essa briga explode quando as candidaturas ainda nem passaram pelo rito formal das convenções, que nas Eleições 2026 poderão ocorrer até 5 de agosto, com registros até 15 de agosto.
Traduzindo: PL e Novo alegam que já há uma pré-aliança política em torno de Moro, mas o desenho jurídico final de candidaturas, coligações e substituições ainda depende do calendário oficial. Foi justamente esse descompasso entre articulação de bastidor e formalização legal que jogou mais gasolina na crise.
No fim, a representação mostra que a briga no Paraná já saiu do palanque imaginário e entrou na Justiça antes mesmo da campanha oficial. A Quaest virou alvo porque, na leitura do campo morista, não mediu só voto. Mediu também o terreno em que Ratinho tenta vender o próprio sucessor.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
.btn-whatsapp-esmael { display: inline-flex; align-items: center; justify-content: center; gap: 10px; background-color: #25D366; color: white; padding: 12px 20px; border-radius: 8px; text-decoration: none; font-weight: bold; font-size: 16px; font-family: Arial, sans-serif; transition: background 0.3s; max-width: 100%; text-align: center; } .btn-whatsapp-esmael:hover { background-color: #1ebe5b; } .aviso-whatsapp-esmael { font-size: 12px; color: #666; margin: 8px 0 0 0; line-height: 1.4; font-family: Arial, sans-serif; max-width: 400px; } @media (max-width: 480px) { .btn-whatsapp-esmael { width: 100%; padding: 14px 20px; font-size: 17px; } }

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
