BC corta Selic a 14,5% e preserva ganho da banca

O Banco Central do Brasil (BC) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), para 14,5% ao ano, mas manteve o Brasil preso a uma das engrenagens mais caras do mundo para quem trabalha, produz, compra no crediário ou tenta financiar a própria sobrevivência. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e já era esperada pelos oligarcas do sistema financeiro.

O corte é pequeno. O juro continua gigantesco.

A Selic saiu de 14,75% para 14,5% ao ano. Na vida real, isso ainda significa crédito caro para famílias, empresas, comércio, indústria e agricultura. Quem precisa de empréstimo paga caro. Quem vive de dinheiro aplicado em renda fixa segue recebendo alto, com baixo risco.

É essa a conta que raramente aparece com nome e sobrenome no noticiário econômico da velha mídia corporativa.

O Copom alegou incerteza externa, guerra no Oriente Médio, pressão sobre petróleo, alta de commodities e inflação ainda distante da meta. O comunicado citado pelos banqueiros fala em “serenidade e cautela” para os próximos passos da política monetária.

Traduzindo para o brasileiro médio: o Banco Central diz que teme cortar juros mais rápido porque os preços podem subir. O problema é que, enquanto a cautela protege rentistas, o povo paga a conta no cartão, no cheque especial, no carnê, no financiamento e no supermercado.

A decisão também mostra a força política dos oligarcas do sistema financeiro.

Eles não precisam disputar voto. Atuam no preço do dinheiro, nas expectativas divulgadas toda semana, nas mesas de análise, nos relatórios de bancos, nas consultorias ouvidas como oráculo e na cobertura econômica que trata a Faria Lima como se fosse o país inteiro.

A decisão era esperada pelo mercado financeiro, que apostavam exatamente o corte de 0,25 ponto.

Ou seja: o Banco Central entregou o que a banca já havia precificado.

A velha mídia chama isso de “expectativa do mercado”. O Blog do Esmael chama de poder material sobre a política monetária.

Não se trata de dizer, sem prova documental, que houve combinação formal em sala fechada. O fato verificável é outro: o mercado financeiro projeta, pressiona, ocupa espaço privilegiado no debate público e depois comemora quando a decisão confirma o roteiro que ele próprio ajudou a impor.

A inflação existe. A guerra pressiona petróleo, diesel, frete e alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, acelerou para 0,89% em abril e chegou a 4,37% em 12 meses, perto do teto da meta de 4,5%.

Mas juros de 14,5% ao ano também produzem estrago.

Eles esfriam consumo, encarecem investimento, travam a produção e concentram renda no topo. O dinheiro parado rende mais do que o dinheiro aplicado em fábrica, loja, obra, contratação ou inovação.

Essa é a escolha política escondida atrás do discurso técnico.

A autonomia do BC, vendida como blindagem técnica, virou na prática uma muralha contra a pressão social por crédito mais barato.

Quando a Selic sobe, o remédio vem em dose de cavalo. Quando cai, vem em conta-gotas.

Esse modelo agrada a quem ganha com juros altos. Desagrada a quem precisa trabalhar mais para comprar menos.

A decisão desta quarta-feira confirma que o país segue governado, na política monetária, por uma aliança objetiva entre bancos, consultorias, gestores de dinheiro e mídia econômica que naturaliza juros escorchantes como se fossem fenômeno climático.

Não são.

Juro alto é decisão humana, com beneficiários, vítimas e consequências políticas.

O Brasil precisa combater inflação sem transformar o trabalhador em fiador permanente da renda financeira.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.


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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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