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Mais de 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. A abstenção de 21,08% do eleitorado torna o comparecimento um fator relevante na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que será decidida neste domingo, 25 de outubro.
O número, calculado a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não deve ser confundido com um bloco de votos à espera de um candidato. A ausência reúne motivos diferentes e não revela, por si só, preferência política, rejeição aos concorrentes ou disposição para voltar às urnas.
No primeiro turno, cerca de 125,2 milhões de pessoas compareceram, de um eleitorado apto de aproximadamente 158,7 milhões. A taxa de abstenção ficou acima da registrada no primeiro turno presidencial de 2022, quando 20,9% dos eleitores não votaram.
Ausentes podem votar no segundo turno
A Justiça Eleitoral considera cada turno uma votação independente. Quem não compareceu em 4 de outubro pode votar em 25 de outubro, desde que esteja com a situação eleitoral regular e não tenha o título cancelado ou suspenso.
O eleitor deve consultar previamente o local de votação e verificar a situação do título nos canais oficiais da Justiça Eleitoral. A ausência no primeiro turno precisa ser justificada separadamente, mesmo que a pessoa compareça ao segundo. Para quem faltou em 4 de outubro, o prazo para justificar vai até 3 de dezembro de 2026.
O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas de 18 a 69 anos. Para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e maiores de 70 anos, o voto é facultativo. A regra vale independentemente de o eleitor ter participado da primeira etapa.
Abstenção não permite prever o resultado
Com a eleição nacional apertada nas pesquisas, a mobilização do eleitorado que ficou em casa pode ter relevância para as campanhas. Mas não há base para afirmar que os ausentes de outubro favorecerão Lula ou Flávio Bolsonaro em proporção determinada. Para sustentar essa conclusão seriam necessários dados específicos sobre intenção de comparecimento e preferência eleitoral, com metodologia divulgada.
Também é preciso distinguir abstenção de voto branco e nulo. No primeiro caso, o eleitor não comparece à seção; nos outros, comparece, mas não escolhe um dos candidatos. Esses comportamentos têm causas e consequências diferentes e não devem ser somados como se fossem um mesmo grupo político.
A campanha de reta final pode tentar estimular a participação, mas o resultado depende de quem efetivamente comparecer e dos votos válidos apurados. O total de ausentes no primeiro turno não pode ser tratado como reserva automática de votos nem como previsão de virada.
Como evitar problemas no domingo
O eleitor que pretende votar deve conferir com antecedência seu local e sua situação eleitoral nos canais oficiais do TSE. Quem não puder comparecer ao segundo turno também precisará justificar essa ausência dentro do prazo próprio, independentemente da justificativa referente ao primeiro turno.
O Blog do Esmael acompanhará o comparecimento e a apuração do segundo turno. A cobertura eleitoral deve se apoiar nos dados oficiais, sem transformar a abstenção em estimativa de voto para qualquer candidatura.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
