‘O custo de não fazer nada’; 5 possibilidades, não excludentes, de como os EUA vão interferir nas eleições brasileiras
Por Marcos de Oliveira, no Monitor Mercantil
Em conversa com jornalistas estadunidenses, esta coluna confirmou o que qualquer analista sério afirma: os EUA vão interferir de forma mais pesada nas eleições brasileiras. Isso porque ninguém duvida de que já estão interferindo, ainda que o tiro, por enquanto, parece ter saído pela culatra.
Não é simpatia pelos Bolsonaro ou desilusão com Lula; Trump não liga para isso, nem liga para o que acontece no Brasil. Mas os EUA querem manter a implementação de sua doutrina de segurança e não aceitam um país na América Latina que integra os Brics e que possa liderar uma posição independente do Sul Global.
A discussão, portanto, não é se os EUA vão intensificar a interferência aqui, mas sim de que forma ela se dará. Algumas possibilidades levantadas:
1) Um escândalo envolvendo o governo no estilo Mensalão ou Lava Jato, que explodiria em agosto, no máximo início de setembro;
2) Ataque à economia brasileira, com fuga de capitais, desvalorização do real e inflação, com repercussão na mídia acima do estrago real;
3) Ações espetaculosas contra traficantes;
4) Apoio financeiro a um candidato que se venda como “de fora do sistema” (com ou sem aval explícito de Trump, algo que no Brasil pode se encarado de forma negativa);
5) Ação direta contra Lula – hipótese bastante improvável, mas que não pode ser descartada.
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Não está na lista a atuação das redes sociais; estas já interferiram, continuam interferindo e devem aumentar a interferência daqui até o final das eleições, ainda mais se não forem obstruídas com (uma improvável) celeridade pelo Supremo.
Ainda que uma ou mais dessas ações não impeçam a vitória do candidato que não interessa a Washington, pode ser semeado um campo para repetição do 8 de Janeiro, desta vez sem que os militares brasileiros recebam recados contrários dos EUA.
Vale lembrar que o filho 01 de Bolsonaro, em reunião com diplomatas estrangeiros nesta terça-feira, voltou a levantar a fake news das urnas eletrônicas. Achar que foi um erro de Flávio é ingenuidade, que pode custar caro adiante.
Falando sobre a imposição de tarifas pelos EUA, a economista brasileira Monica De Bolle alertou para o custo de não fazer nada. “A moderação brasileira não foi vista como uma forma de cooperação, mas sim como um convite a mais ataques. É como o governo Trump opera.”
O alerta serve também para a política.
*Marcos de Oliveira é jornalista, formado pela ECO/UFRJ, diretor de redação do Monitor Mercantil e conselheiro da Câmara de Intercâmbio Cultural Brasil-China
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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Publicação de: Viomundo
