O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente do PT do Paraná, protocolou uma notícia de fato na Polícia Federal com pedido de encaminhamento à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a atuação do deputado federal Filipe Barros (PL) em episódios relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
A iniciativa tem como base reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada pelo jornal O Globo, que descreve uma série de ações parlamentares atribuídas a Filipe Barros envolvendo temas de interesse do Banco Master.
Segundo a representação apresentada por Arilson, é necessário investigar se instrumentos legítimos do mandato parlamentar teriam sido eventualmente utilizados para atender interesses privados ligados à instituição financeira.
Entre os pontos citados está o Projeto de Lei nº 4.395/2024, apresentado por Filipe Barros, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com a notícia de fato, a medida poderia beneficiar especialmente o modelo de captação adotado pelo Banco Master.
O documento também menciona requerimentos apresentados na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, então presidida por Filipe Barros. Segundo a petição, autoridades do sistema financeiro teriam sido convocadas para prestar esclarecimentos em audiências públicas relacionadas a decisões consideradas contrárias aos interesses do banco.
Na representação, Arilson sustenta que as revelações divulgadas por Malu Gaspar indicariam a necessidade de aprofundar a apuração sobre eventual articulação entre agentes políticos e interesses privados. O parlamentar pede que sejam investigadas possíveis comunicações entre representantes do Banco Master e integrantes do gabinete de Filipe Barros, além da origem de minutas legislativas e requerimentos relacionados ao tema.
O pedido também solicita a apuração de eventual atuação coordenada com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a verificação da existência de possíveis contrapartidas financeiras.
Entre as diligências requeridas estão a coleta de documentos, a análise de comunicações, a identificação de vínculos entre os envolvidos e, caso surjam indícios suficientes durante a investigação, a adoção de medidas judiciais cabíveis pelas autoridades competentes.
Até o momento, não há decisão judicial, denúncia formal ou condenação contra Filipe Barros relacionada aos fatos narrados na representação. O procedimento protocolado por Arilson tem caráter preliminar e busca a abertura de apuração pelos órgãos responsáveis.
O caso amplia a pressão política sobre o entorno de Daniel Vorcaro e do Banco Master, tema que vem ocupando espaço crescente no debate público e no Congresso Nacional. No Paraná, a ofensiva do PT também projeta o assunto para a disputa eleitoral de 2026, já que Filipe Barros é apontado como um dos principais nomes do campo bolsonarista para a corrida ao Senado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
