O Partido Novo quer vestir a camisa de Romeu Zema na disputa presidencial, mas no Paraná entrou em campo ao lado do PL de Flávio Bolsonaro. Neste sábado (13), a contradição virou lance de VAR na direita paranaense: Deltan Dallagnol, Sergio Moro e Filipe Barros vão jogar com Zema, com Flávio Bolsonaro ou com os dois?
Pode isso, Arnaldo?
A pergunta cabe porque o problema não é jurídico, é político. Partidos podem montar arranjos estaduais diferentes da estratégia nacional. O eleitor, porém, tem o direito de saber qual camisa cada pré-candidato vai pedir para vestir na urna.
No Brasil, o Novo sustenta Romeu Zema como nome presidencial. No Paraná, o diretório estadual saiu em defesa da aliança com o Partido Liberal (PL) depois que Zema criticou Flávio Bolsonaro no caso dos áudios ligados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
É nesse ponto que a bola sobra limpa na área.
Deltan Dallagnol é do Novo e tenta uma vaga ao Senado pelo Paraná. Sergio Moro é do PL e tenta o governo estadual. Filipe Barros é do PL e também mira o Senado. Flávio Bolsonaro é o pré-candidato presidencial do PL. Romeu Zema é o pré-candidato presidencial do Novo.
Em linguagem de arquibancada: o Novo quer jogar o Brasileirão com Zema e o Campeonato Paranaense com Flávio Bolsonaro.
O eleitor da direita paranaense não é plateia neutra nesse jogo. É ele quem será chamado a votar em chapa de governador, Senado e Presidência. E esse eleitor é disputado por várias faixas do mesmo campo: anti-PT, liberal na economia, lavajatista, evangélico, bolsonarista ou órfão da velha direita tucana.
A consequência concreta é o palanque.
Se Deltan pedir voto para Zema, cria ruído com o PL que sustenta a pré-candidatura de Moro ao governo. Se pedir voto para Flávio Bolsonaro, abre crise de coerência com o próprio partido. Se tentar os dois, transforma a campanha em jogada ensaiada demais para um eleitor que já desconfia de composição feita no vestiário.

Moro também terá de explicar o desenho. O ex-juiz se aproximou da família Bolsonaro, filiou-se ao PL e lançou sua pré-candidatura ao governo do Paraná em ato com Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, carrega Deltan, do Novo, como peça da chapa majoritária.
Filipe Barros enfrenta cálculo semelhante. Como bolsonarista raiz no Paraná, sua campanha ao Senado depende de Flávio Bolsonaro como referência nacional. Mas a aliança estadual com Deltan empurra para dentro do mesmo palanque um partido que tem candidato próprio contra o PL na disputa presidencial.
Não é falta lateral. É disputa por comando de ataque.
A pergunta objetiva precisa ser feita antes das convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto: quem será o presidenciável do palanque da direita no Paraná?
O Novo-PR pode dizer que apoia Zema nacionalmente e preserva a aliança estadual com o PL. O PL pode dizer que aceita o acordo enquanto ele favorecer Moro, Filipe e a chapa de Senado. Mas Deltan, Moro e Filipe não podem fugir da pergunta central.
Deltan Dallagnol fará campanha presidencial para Romeu Zema, para Flávio Bolsonaro ou para ambos?
Sergio Moro aceitará um palanque estadual em que parte da chapa peça voto para Zema e outra parte peça voto para Flávio Bolsonaro?
Filipe Barros dividirá agenda com Deltan se o Novo mantiver candidatura presidencial própria contra o PL?
A política permite composição. A campanha cobra clareza. O eleitor não é gandula para buscar bola de dois times ao mesmo tempo.
No Paraná, a direita quer unir lavajatismo, bolsonarismo e liberalismo econômico numa mesma escalação. O risco é entrar em campo com dois técnicos, duas camisas e um só palanque.
Pode isso, Arnaldo?
Não pode, Arnaldo. Não é cartão vermelho automático, mas é lance para VAR partidário. Pré-candidatura não se cassa como mandato; partido decide legenda em convenção, pode enquadrar diretório, negar homologação e cobrar fidelidade ao projeto nacional. Se o Novo quer Zema no Brasil, terá de explicar por que tolera, no Paraná, um palanque que pode pedir voto para Flávio Bolsonaro.
Pode até caber na ata partidária. Mas, na arquibancada eleitoral, o juiz é o voto.
Continue acompanhando no Blog do Esmael os bastidores da política, das eleições de 2026 e da disputa pelo poder no Paraná.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
