Gleisi chama Moro de juiz ladrão no palanque de Requião Filho

A ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) chamou Sergio Moro (PL) de “juiz ladrão” e Filipe Barros (PL) de “deputado da Emenda Master” neste sábado (30), em Curitiba, durante o ato que lançou sua pré-candidatura ao Senado e a pré-candidatura de Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná.

O evento ocorreu no Igloo Super Hall, no Tarumã, um dia depois do comício da direita que reuniu Moro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros na capital paranaense. A organização divulgou que 6 mil pessoas de várias partes do estado vieram ao encontro.

Gleisi transformou o lançamento progressista em resposta ao palanque bolsonarista. A petista disse que a direita paranaense tem como único programa derrotar Lula, o Partido dos Trabalhadores e as forças progressistas.

A fala mais dura veio quando ela mirou Moro, sem aliviar no vocabulário. Gleisi afirmou que o senador paranaense “nunca quis combater a corrupção” e disse que seu projeto “foi sempre um projeto de poder”.

Na sequência, ela associou Moro ao bolsonarismo e acusou o ex-juiz da Lava Jato de ter voltado ao campo político que havia abandonado quando deixou o governo Jair Bolsonaro (PL). A frase funcionou como senha para a militância.

“Temos o dever histórico de não deixar o Moro governar”, disse Gleisi.

A petista também atacou Filipe Barros. Ela chamou o deputado federal de “deputado da Emenda Master” ao citar o projeto apresentado por ele na Câmara dos Deputados para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O tema entrou no centro da disputa porque a chamada Emenda Master passou a ser vinculada ao debate sobre o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro. Barros nega irregularidade e já disse que a proposta buscava proteger pequenos e médios investidores.

No palanque, Gleisi usou o caso para colar Filipe Barros ao desgaste do sistema financeiro. Segundo ela, a direita fala em combate à corrupção enquanto convive com suspeitas envolvendo seus próprios aliados.

A deputada federal também mirou o arranjo eleitoral da direita no Paraná. Sem citar Sandro Alex (PSD), ela disse que o grupo que tenta suceder Ratinho Junior (PSD) está “perdido”, “dividido” e “sem projeto para o Paraná”.

O recado foi direto ao Palácio Iguaçu. Gleisi afirmou que Requião Filho irá ao segundo turno e derrotará Moro. A fala empurra a eleição estadual de 2026 para uma disputa entre o campo progressista, a Lava Jato e o bolsonarismo.

Requião Filho foi apresentado como herdeiro político de Roberto Requião, que governou o Paraná por três mandatos. Gleisi exaltou a “coragem” e o “caráter” do pré-candidato do PDT e disse que ele carrega o legado social e econômico do pai.

O ato também serviu para nacionalizar a eleição paranaense. Gleisi citou Lula, a defesa da soberania brasileira e a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Para a petista, a ofensiva defendida por Flávio Bolsonaro e elogiada pela direita pode abrir caminho para sanções financeiras contra empresas brasileiras. Ela acusou o filho de Jair Bolsonaro de “entregar a soberania do Brasil”.

Gleisi também puxou a pauta social. Citou a redução do Imposto de Renda, a taxação dos mais ricos, o fim da escala 6×1, investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), universidades federais, institutos federais e políticas contra a violência de gênero.

A pré-candidata ao Senado afirmou que o Paraná precisa eleger uma bancada progressista para dar base a Lula em Brasília e a Requião Filho no estado. O discurso buscou ligar a disputa pelo Senado à governabilidade de um eventual governo de esquerda no Paraná.

A temperatura do ato mostra que a campanha de 2026 começou antes do calendário oficial. De um lado, Moro tenta transformar Curitiba novamente em vitrine da Lava Jato e do bolsonarismo. De outro, Gleisi e Requião Filho querem fazer do Paraná um palanque de reação ao lavajatismo, ao bolsonarismo e ao grupo que hoje controla o Palácio Iguaçu.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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