Renan cobra Galípolo sobre Master e BRB no Senado

Blog do Esmael, direto de Brasília – O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, terá de voltar à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na terça-feira (19) para explicar a fiscalização sobre o Banco Master, a liquidação da instituição e a atuação do BC diante da crise do Banco de Brasília (BRB). A audiência foi confirmada nesta terça-feira (12) pela CAE.

O centro político da reunião será a cobrança do senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da comissão. Ele afirmou que Galípolo precisa atualizar os senadores sobre a investigação do Master e responder quais providências o Banco Central adotará em relação ao BRB.

Renan já deu o roteiro da audiência. Na reunião da CAE, ele disse que o BC pode estar repetindo, no caso BRB, erros que teria cometido na liquidação do Banco Master. A frase é uma acusação política, não uma conclusão técnica. Mas indica o tom da sessão.

A pergunta que Galípolo terá de enfrentar é simples para o leitor e dura para o BC: a autoridade monetária agiu tarde no caso Master e está agindo devagar no caso BRB?

O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, depois de uma crise que abriu disputa sobre falhas de fiscalização, venda de produtos financeiros de alto rendimento e impacto sobre investidores cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em fevereiro, Galípolo defendeu a atuação do BC e disse que a ação coordenada com o FGC ajudou a barrar a compra do Master pelo BRB antes da liquidação.

A blindagem esperada de Galípolo deve passar por três pontos: autonomia técnica do Banco Central, sigilo de processos de supervisão bancária e separação entre falha de mercado, crime financeiro e responsabilidade política. O problema é que o Senado quer resposta pública, com nome, data e providência.

O BRB entrou no centro da crise porque operações com o Master passaram a ser questionadas por senadores do Distrito Federal. Em março, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que operações de cerca de R$ 12 bilhões teriam sido feitas sem garantias suficientes, versão que precisa ser tratada como declaração parlamentar, não como fato comprovado.

Na CAE, as senadoras Leila Barros (PDT-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF) também manifestaram preocupação com o BRB. Leila reclamou de falta de informações e de acesso a auditorias, além de afirmar que programas e pagamentos ligados ao banco estariam interrompidos ou paralisados.

O caso também empurra a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a mesa. A autarquia informou em fevereiro a existência de procedimentos administrativos relacionados ao Grupo Master, à REAG e a entidades conexas, inclusive na condição de investidores, administradores ou gestores de fundos de investimento.

A CVM é o órgão que fiscaliza o mercado de capitais. Em linguagem direta: enquanto o Banco Central olha a saúde dos bancos, a CVM acompanha fundos, ofertas de valores mobiliários e condutas de agentes do mercado. É nesse cruzamento que o caso Master deixou de ser apenas bancário.

Em março, a própria CVM afirmou que os fatos ligados à liquidação do Master e da REAG envolveram, dentro de sua área de competência, indícios de irregularidades em ofertas públicas, reavaliações patrimoniais sem base razoável, manipulação de mercado e uso de documentação considerada inadequada para lastrear ativos.

Essa é a fresta que Renan deve explorar. Se o problema passou por banco, fundo, oferta, auditoria, lastro e compra frustrada pelo BRB, a resposta não cabe em uma única gaveta regulatória. O Senado quer saber onde termina a responsabilidade do BC e onde começa a da CVM.

A audiência também tem custo político para o Centrão. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em 7 de maio, em investigação ligada ao Banco Master. A defesa de Ciro nega irregularidades.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tentou se afastar politicamente de Ciro depois da nova fase da Operação Compliance Zero. O ponto, porém, não deve dominar a audiência de terça-feira (19): o constrangimento agora está no desenho institucional da fiscalização.

Galípolo chegará ao Senado com uma tarefa maior do que defender a própria gestão. Terá de dizer se o Banco Central viu o risco a tempo, por que parte da crise avançou até virar escândalo público e quais medidas impedem que o contribuinte, o investidor pequeno e bancos públicos paguem a conta dos negócios mal explicados do Master.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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