O apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato no Brasil é visto como negativo por 35% dos eleitores, contra 26% que enxergam efeito positivo e 32% que dizem ser indiferente, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (5). O dado cria um problema para a direita brasileira: o trumpismo anima o núcleo bolsonarista, mas pode cobrar preço fora dele.
A pesquisa atinge diretamente a tentativa de transformar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em ponte política com Washington. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 41% veem eventual apoio de Trump como positivo, 27% como indiferente e 25% como negativo.
O problema aparece quando o recorte sai da bolha. Entre eleitores do presidente Lula (PT), 48% avaliam o apoio de Trump como negativo, 30% como indiferente e só 13% como positivo. Entre eleitores de Ciro Gomes (PSDB), 42% veem o endosso como negativo, 32% como indiferente e 21% como positivo.
Nos demais campos da direita, o efeito é menos confortável do que o discurso bolsonarista sugere. Entre eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 32% veem o apoio de Trump como positivo, 30% como negativo e 35% como indiferente. Entre os de Romeu Zema (Novo), 35% avaliam como positivo, 31% como negativo e 27% como indiferente.
A soma política é objetiva. Trump ajuda Flávio Bolsonaro a falar com o eleitor já convertido, mas não resolve a eleição nacional. Para vencer no Brasil, a direita precisa atravessar renda, região, religião, escolaridade e voto moderado.
O dado também conversa com a corrida presidencial. A mesma rodada Real Time Big Data mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com 40% a 34% em um cenário, e empate técnico no segundo turno, com Flávio numericamente à frente por 44% a 43%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
É nesse ambiente apertado que o “fator Trump” deixa de ser enfeite de campanha. Quando a disputa fica decidida por poucos pontos, um apoio externo com 35% de percepção negativa vira risco calculável, sobretudo contra um governo que tende a explorar o tema como soberania nacional.
O entorno trumpista já entrou no jogo brasileiro. Em 1º de abril, Jason Miller, conselheiro de Trump, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, com a frase “Bolsonaro 2026. Let’s go!”. Miller havia postado outra mensagem de apoio após encontro com o senador na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), fórum conservador nos Estados Unidos.
Isso não equivale a endosso formal de Trump. Mas basta para alimentar a narrativa bolsonarista de acesso privilegiado a Washington, justamente no momento em que a pesquisa mostra limite eleitoral para esse ativo.
O Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre 2 e 4 de maio de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03627/2026.
A direita brasileira pode vender Trump como símbolo de força para sua base. A pesquisa mostra outra conta: fora do cercado bolsonarista, o presidente dos Estados Unidos também pode virar custo de campanha.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
