Sandro ganha tempo, Moro busca liderança e Requião ataca

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O horário eleitoral gratuito começa nesta sexta-feira (28) no rádio e na televisão, abrindo a primeira grande batalha pela atenção do eleitor paranaense na eleição para o Governo do Paraná. Sandro Alex (PSD) entra na disputa com a maior fatia de propaganda, enquanto Sergio Moro (PL) tenta transformar a liderança nas pesquisas em vantagem eleitoral e Requião Filho (PDT) terá de disputar espaço com menos da metade do tempo do candidato governista.

O plano de mídia definido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) reservou 6 minutos e 54 segundos de inserções diárias para Sandro Alex, contra 3 minutos e 37 segundos para Requião Filho e 3 minutos e 28 segundos para Sergio Moro.

A diferença é expressiva. Sandro terá 3min26s a mais de inserções do que Moro e 3min17s a mais do que Requião Filho. Na prática, a campanha apoiada pelo governador Ratinho Junior (PSD) terá quase metade dos 14 minutos diários reservados às inserções destinadas à disputa pelo Palácio Iguaçu.

O problema para Sandro é que tempo de televisão não é sinônimo de voto.

A estreia ocorre justamente quando a nova pesquisa Real Time Big Data mostra Moro na liderança, com 35% das intenções de voto, seguido por Sandro, com 23%, e Requião Filho, com 20%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e os dois candidatos que disputam a segunda colocação estão tecnicamente empatados.

É aí que começa a verdadeira batalha da televisão: saber quem consegue transformar minutos de exposição em crescimento eleitoral.

Sandro tem a televisão, Moro tem a dianteira

A vantagem de Sandro Alex no horário eleitoral é resultado da composição partidária de sua coligação, e não da posição nas pesquisas.

Pelas regras eleitorais, 10% do tempo é distribuído igualmente entre os participantes habilitados e os outros 90% são calculados proporcionalmente à representação dos partidos na Câmara dos Deputados.

A coligação de Sandro, A Mudança Continua, reúne uma base parlamentar maior e, por isso, ficou com a maior parcela do espaço. A aliança de Moro, Fortaleza Paraná, terá 3min28s, enquanto a coligação Paraná para Todos, de Requião Filho, terá 3min37s.

A fotografia eleitoral, porém, é diferente da fotografia da televisão.

Na pesquisa divulgada nesta sexta-feira, Moro está 12 pontos à frente de Sandro no cenário estimulado e 15 pontos à frente de Requião Filho. No cenário espontâneo, quando os nomes não são apresentados, Moro tem 16%, Sandro 9% e Requião 7%. Ainda assim, 51% dos entrevistados não souberam ou não quiseram apontar um nome na pergunta espontânea.

Esse contingente mostra o tamanho da disputa que se abre com a televisão.

A primeira missão de Sandro

Para Sandro Alex, a largada do horário eleitoral tem uma função evidente: transformar maior exposição em reconhecimento e, depois, em intenção de voto.

O candidato do PSD terá quase o dobro do tempo de Moro nas inserções e uma vantagem ainda maior sobre outros concorrentes. Mas a pesquisa mostra que essa vantagem de mídia ainda não se converteu em liderança eleitoral.

O desafio da campanha governista será ocupar os minutos disponíveis com uma narrativa capaz de apresentar Sandro ao eleitor, defender a continuidade da administração de Ratinho Junior e, ao mesmo tempo, criar uma identidade própria para a candidatura.

A televisão pode ampliar a presença de Sandro na casa dos eleitores. A pesquisa seguinte dirá se essa exposição produziu efeito.

Moro chega à televisão na frente

Sergio Moro começa o horário eleitoral em situação inversa.

O candidato do PL tem menos tempo de propaganda do que Sandro, mas entra na televisão liderando a corrida pelo Palácio Iguaçu.

A Real Time Big Data mostra Moro com 35%, contra 23% de Sandro e 20% de Requião Filho. No segundo turno, Moro também aparece à frente dos dois principais adversários testados.

Contra Requião Filho, o senador registra 54% contra 27%. Contra Sandro Alex, marca 44% contra 32%. No confronto entre Sandro e Requião, sem Moro, o candidato do PSD aparece com 35%, ante 30% do pedetista.

A televisão, portanto, será uma tentativa de ampliar ou preservar uma vantagem que já existe nas pesquisas.

Moro terá menos minutos, mas precisa fazer com que cada aparição reforce sua posição na disputa. Para Sandro, a equação é mais dura: há mais espaço disponível, mas também uma distância a ser reduzida.

Requião aposta no confronto

Requião Filho parte de uma posição intermediária na pesquisa e com tempo semelhante ao de Moro.

Os 3min37s da coligação Paraná para Todos ficam nove segundos acima do espaço de Moro. A diferença, porém, não muda o cenário de competição: o pedetista precisa superar Sandro para chegar ao segundo turno e, ao mesmo tempo, evitar que a disputa entre os dois maiores blocos eleitorais monopolize a campanha.

A pesquisa Real Time mostra Requião com 20% no primeiro turno e 30% em um eventual segundo turno contra Sandro Alex. A rejeição também é um problema: 41% disseram que não votariam nele, contra 39% de Moro e 29% de Sandro.

Nesse ambiente, o discurso de confronto pode ser uma forma de ocupar um espaço próprio na campanha. A questão será saber se os ataques aos adversários produzirão transferência de votos ou apenas consolidarão rejeições.

Não é um programa de sete minutos

Há uma diferença importante para o eleitor: os tempos de 6min54s, 3min37s e 3min28s correspondem às inserções eleitorais distribuídas ao longo da programação, e não a um programa único de televisão com essa duração.

O TRE-PR estabeleceu 70 minutos diários para inserções, em peças de 30 ou 60 segundos, distribuídas entre 5h e meia-noite, de segunda-feira a domingo.

Também haverá propaganda em rede, em blocos fixos. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, os espaços são destinados às candidaturas a governador, senador e deputado estadual. Na televisão, os blocos vão ao ar das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55. No rádio, das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25.

O primeiro dia terá ordem definida por sorteio. Para governador, a sequência começa pela coligação Fortaleza Paraná, de Moro, seguida pela A Mudança Continua, de Sandro, e pela Paraná para Todos, de Requião Filho. Depois, a ordem passa a funcionar em sistema de rodízio.

A televisão entra na eleição

O horário eleitoral gratuito ficará no ar no primeiro turno de 28 de agosto a 1º de outubro, três dias antes da votação de 4 de outubro.

A estreia acontece, portanto, a pouco mais de um mês da eleição.

É tempo suficiente para alterar uma corrida ainda aberta, especialmente porque a pesquisa Real Time mostra que mais da metade dos eleitores não declarou espontaneamente um candidato.

A partir desta sexta-feira, Moro terá de defender a liderança com menos espaço. Sandro terá de provar que o maior tempo de televisão pode reduzir a distância para o líder. E Requião Filho terá de encontrar uma maneira de furar a disputa entre os dois maiores blocos.

A primeira batalha não será decidida pelo relógio.

Será decidida pela capacidade de cada campanha de fazer o eleitor lembrar do candidato quando estiver diante da urna.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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