Lula terá 5min31s de TV; Flávio fica com 4min20s

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a divisão do horário eleitoral gratuito para a disputa presidencial de 2026, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) largará com a maior fatia da propaganda no rádio e na televisão: 5 minutos e 31 segundos por bloco, contra 4 minutos e 20 segundos do Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro. A propaganda eleitoral começa nesta sexta-feira, 28 de agosto.

A diferença é de 1 minuto e 11 segundos por bloco, o equivalente a cerca de 27% mais tempo para a coligação de Lula em comparação com o espaço destinado ao PL.

O plano de mídia foi aprovado pelo TSE em sessão administrativa de 25 de agosto. A Corte também definiu a quantidade de inserções de 30 segundos que cada candidatura terá durante os 35 dias de propaganda eleitoral do primeiro turno.

A coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PSOL e Rede, terá 434 inserções. O PL ficará com 339.

Isso representa uma diferença de 95 inserções de 30 segundos a favor da coligação de Lula. Em tempo bruto, são 47 minutos e 30 segundos a mais de inserções ao longo do período eleitoral.

O número oficial mais recente do TSE é 434 inserções para a coligação de Lula. A distribuição inicialmente divulgada apontava 433, mas a resolução aprovada em 25 de agosto incorporou uma das sobras do cálculo à coligação, levando o total a 434.

A vantagem de Lula na televisão

A divisão do tempo não foi definida pela preferência do eleitor, mas pela representação dos partidos na Câmara dos Deputados, conforme os critérios previstos na legislação eleitoral.

Na propaganda em bloco, o desenho ficou assim:

Candidatura Tempo por bloco Inserções
Lula (PT) 5min31s 434
Flávio Bolsonaro (PL) 4min20s 339
Ronaldo Caiado (PSD) 2min02s 160
Augusto Cury (Avante) 35s 47
Romeu Zema (Novo) Sem tempo
Renan Santos (Missão) Sem tempo

O PSD, de Ronaldo Caiado, terá 2 minutos e 2 segundos por bloco e 160 inserções. O Avante, de Augusto Cury, terá 35 segundos e 47 inserções.

Os candidatos do Novo e do Missão não terão participação no bloco destinado à propaganda presidencial porque suas legendas não alcançaram os requisitos de representação parlamentar para receber tempo no horário eleitoral gratuito.

A diferença aparece também nas inserções

A parte mais concreta da vantagem está fora dos programas em bloco.

As inserções são aquelas peças de 30 segundos distribuídas ao longo da programação normal das emissoras. Para o eleitor, elas podem ter efeito diferente do programa longo porque aparecem durante conteúdos que ele já acompanha.

A coligação de Lula terá 434 inserções, enquanto o PL terá 339.

Na prática, a campanha de Lula terá 28% mais inserções que a de Flávio Bolsonaro.

Considerando apenas os dois principais concorrentes, a cada 100 inserções destinadas ao PL, a coligação de Lula terá aproximadamente 128.

O TSE reservou 14 minutos diários para as inserções, totalizando 980 inserções de 30 segundos no período definido para a propaganda presidencial.

Isso transforma a diferença de tempo de televisão em um ativo eleitoral objetivo: Lula não apenas terá o maior bloco, mas também aparecerá mais vezes na programação das emissoras.

Isso não significa, por si só, que a vantagem de exposição será convertida em votos. A televisão disputa atenção com redes sociais, entrevistas, debates, vídeos curtos, podcasts e comunicação direta das campanhas.

Mas estabelece uma diferença concreta de capacidade de comunicação.

Primeiro dia terá ordem sorteada pelo TSE

No primeiro dia da propaganda presidencial, a ordem será diferente da vantagem de tempo.

O sorteio realizado pelo TSE definiu que Augusto Cury será o primeiro, seguido por Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e Lula.

Nos dias seguintes, haverá rodízio. A candidatura que aparecer por último em um dia será a primeira no dia seguinte, preservando a alternância entre as campanhas.

A regra impede que Lula, apesar de possuir o maior tempo, fique permanentemente com a última posição do programa.

O horário eleitoral começa em uma eleição polarizada

A televisão entra na campanha presidencial depois de uma sequência de pesquisas que colocou Lula e Flávio Bolsonaro no centro da disputa.

O Datafolha divulgado em 21 de agosto mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente apareceu com 47%, contra 43% do senador. A pesquisa ouviu 2.058 eleitores em 128 municípios e teve margem de erro de dois pontos percentuais.

O cenário dá peso adicional ao horário eleitoral.

Lula começa a televisão na liderança das pesquisas e com a maior estrutura de exposição. Flávio entra no rádio e na televisão com menos tempo, mas como principal adversário do presidente nos levantamentos nacionais.

A disputa, portanto, não será apenas por quantidade de segundos.

Cada campanha terá de decidir como usar o espaço para apresentar propostas, atacar adversários, responder a críticas e consolidar uma imagem presidencial.

O PL terá menos tempo, mas ainda disporá de uma estrutura relevante: 4 minutos e 20 segundos por bloco e 339 inserções. A campanha de Flávio precisará extrair mais impacto de cada minuto disponível.

O Paraná entra no fogo cruzado

Para o eleitor do Paraná, a estreia da propaganda nacional ocorre simultaneamente à fase decisiva da disputa pelo governo e pelo Senado.

Essa conexão pode ganhar peso porque as candidaturas estaduais estão vinculadas a diferentes projetos presidenciais.

Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná, está no mesmo partido de Flávio Bolsonaro e transformou a associação com o presidenciável em parte de sua estratégia eleitoral.

Sandro Alex (PSD), por outro lado, disputa o governo pelo partido de Ronaldo Caiado, enquanto Requião Filho (PDT) integra a mesma coligação nacional de Lula.

O eleitor paranaense receberá, portanto, duas campanhas ao mesmo tempo: a presidencial e a estadual.

A propaganda nacional pode reforçar essas associações de partido, imagem e palanque. Mas não existe transferência automática de votos entre os diferentes cargos. O eleitor pode votar em um presidente e escolher outro partido para governador ou senador.

O próprio cenário paranaense mostra por que essa variável merece acompanhamento.

A pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto apontou Flávio Bolsonaro com 41% contra 23% de Lula entre os eleitores do Paraná. No mesmo levantamento, Sergio Moro apareceu com 37% na disputa pelo governo, Requião Filho com 21% e Sandro Alex com 15%.

É nesse ambiente que a televisão nacional começa a funcionar como uma nova camada da eleição estadual.

Flávio terá menos tempo que Lula no horário eleitoral, mas chega ao Paraná com vantagem nas pesquisas presidenciais locais. Moro, por sua vez, terá a possibilidade de explorar a identificação entre sua candidatura ao governo e o projeto presidencial do PL.

A campanha de Sandro Alex terá de administrar a associação com Caiado, enquanto Requião Filho poderá explorar a ligação com a coligação nacional de Lula.

A televisão ainda pode mudar a fotografia?

A resposta dependerá menos da quantidade absoluta de minutos do que da capacidade de cada campanha de transformar exposição em lembrança, identificação e voto.

Lula terá uma vantagem mensurável de espaço.

Flávio terá uma desvantagem de tempo, mas continua com uma estrutura de propaganda suficiente para ocupar diariamente a programação eleitoral.

Caiado e Cury enfrentarão outra realidade. Com 2min02s e 35 segundos, respectivamente, terão menos espaço para construir uma candidatura nacional conhecida por todo o eleitorado.

Já Zema e Renan Santos terão de disputar atenção praticamente sem o horário eleitoral em bloco, aumentando a importância de debates, entrevistas, redes sociais e cobertura jornalística.

A partir de 28 de agosto, portanto, a eleição deixa de ser disputada apenas pelas pesquisas.

Ela passa a ser disputada também pela frequência com que cada candidato aparecerá diante do eleitor.

E, nessa primeira fotografia, Lula ganhou a maior fatia da televisão.

Leia no Blog do Esmael as próximas pesquisas e os efeitos da propaganda eleitoral sobre a disputa presidencial e as eleições do Paraná.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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