Neokemp embolou cinco candidatos por duas vagas no Senado

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A nova pesquisa Neokemp transformou a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado em uma corrida de matemática apertada. Deltan Dallagnol (Novo) aparece na frente na soma do primeiro e do segundo voto, com 38,1%, mas Gleisi Hoffmann (PT), Filipe Barros (PL), Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD) formam um bloco competitivo pela segunda cadeira.

Gleisi registra 29,3%, Filipe Barros tem 27,3%, Alexandre Curi aparece com 26,2% e Cristina Graeml marca 25,4%. Dr. Rosinha (PT) tem 16,2%.

A diferença entre Filipe, Curi e Cristina é pequena: apenas 1,9 ponto separa o deputado federal do Republicanos da ex-candidata à Prefeitura de Curitiba. Filipe e Curi estão separados por 1,1 ponto.

É justamente aí que está a novidade política do levantamento. A pesquisa não entrega uma segunda vaga consolidada. Ela mostra um grupo de candidatos disputando o espaço disponível enquanto uma parcela expressiva do eleitorado ainda não fechou posição.

O levantamento registra 23,7% de respostas de eleitores que não sabem em quem votar e 9,2% de branco ou nulo na soma das duas escolhas. Como cada eleitor pode indicar dois nomes, a soma das intenções chega a 200%.

A matemática da segunda cadeira

Deltan aparece isolado na ponta numérica, mas a distância para o grupo seguinte não elimina a disputa pela segunda vaga.

Gleisi tem 29,3%, Filipe 27,3%, Curi 26,2% e Cristina 25,4%. Considerada a margem de erro de 3,1 pontos percentuais, as diferenças entre esses quatro nomes são pequenas o suficiente para impedir uma conclusão segura sobre quem ocuparia a segunda cadeira.

A própria natureza da eleição reforça a disputa. Em 4 de outubro, o eleitor paranaense escolherá dois senadores. Não existe, portanto, uma corrida convencional em que o primeiro colocado e o segundo colocado sejam definidos por uma única intenção de voto.

O eleitor pode combinar nomes de diferentes partidos e campos políticos. Um voto em Deltan não impede que o segundo voto seja destinado a Gleisi, Filipe, Curi ou Cristina. É essa combinação que pode decidir as duas cadeiras.

O resultado também exige cautela com a expressão “empate”. A margem de erro não significa que todos os cinco nomes estejam estatisticamente empatados entre si. A diferença entre Deltan e Cristina, por exemplo, é de 12,7 pontos. O dado mais relevante é que há uma concentração de quatro candidatos entre 25,4% e 29,3%, além da liderança de Deltan, tornando aberta a disputa pela segunda cadeira.

Deltan lidera, mas o segundo voto pode mudar o jogo

A pesquisa Neokemp também separou a primeira da segunda escolha. No segundo voto, Filipe Barros aparece à frente, com 16,9%.

Alexandre Curi e Deltan Dallagnol aparecem empatados com 14% cada. Cristina Graeml registra 13,1%, enquanto Dr. Rosinha tem 11,4%. Gleisi aparece com 7,6%.

Esse recorte ajuda a explicar por que a soma dos dois votos produz uma disputa diferente daquela observada quando se olha apenas para o primeiro voto.

Filipe, por exemplo, ganha força justamente na segunda escolha. Curi também apresenta desempenho relevante nesse quesito, enquanto Gleisi concentra mais força no primeiro voto.

A combinação dos dois movimentos produz o quadro final: Deltan lidera a soma, Gleisi ocupa a segunda posição numérica e Filipe, Curi e Cristina aparecem logo atrás.

23,7% ainda não sabem

Outro dado importante para a campanha está fora da lista dos candidatos.

Quase um quarto do eleitorado, 23,7%, ainda não sabe quais nomes escolheria na combinação das duas vagas. Outros 9,2% optam por branco ou nulo.

Isso significa que uma parcela expressiva do eleitorado ainda pode ser disputada até a eleição. Para os partidos, a campanha ao Senado passa a depender menos de uma simples liderança nas pesquisas e mais da capacidade de transformar intenção em dois votos efetivos.

A disputa também envolve transferência de votos entre candidaturas. O eleitor que já decidiu seu primeiro voto ainda pode estar aberto para escolher o segundo nome. Esse espaço é especialmente relevante para Filipe Barros, Alexandre Curi e Cristina Graeml, que aparecem próximos na soma geral.

Pesquisa confirma instabilidade no Senado

O novo levantamento mantém a instabilidade que vem sendo registrada na corrida paranaense pelo Senado.

Em pesquisa anterior do próprio Neokemp, divulgada em julho, Deltan também aparecia entre os nomes mais fortes. Filipe Barros, Alexandre Curi e Cristina Graeml tinham desempenhos diferentes conforme o cenário e a posição do voto.

A nova rodada acrescenta uma fotografia mais clara da disputa após a formação das chapas: cinco nomes concentram a atenção eleitoral para duas cadeiras.

O quadro também recoloca no centro da campanha as estratégias de Deltan Dallagnol, Gleisi Hoffmann, Filipe Barros, Alexandre Curi e Cristina Graeml. Cada ponto percentual passa a ter peso maior porque não está em jogo uma única vaga, mas duas.

Para Deltan, a liderança na soma dos votos oferece vantagem política, mas não representa garantia de eleição. Para os quatro nomes seguintes, a proximidade numérica mantém aberta a disputa pela segunda cadeira.

A eleição, neste momento, não tem uma dupla de senadores desenhada pela pesquisa. Tem uma liderança e uma fila de candidatos separados por poucos pontos.

E é justamente nessa fila que está o conflito eleitoral do Paraná.

Leia também: Neokemp põe Moro acima de 50% dos votos válidos no Paraná

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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