Fiep cobra Moro, Sandro Alex, Requião Filho na disputa pela industrialização do Paraná

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A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) entrega uma proposta estratégica aos candidatos ao governo estadual nesta noite de terça-feira, 25 de agosto. O Encontro das Lideranças ocorre na Expo Indústria, no Expotrade Pinhais.

O documento da entidade empresarial organiza uma pauta robusta para o setor produtivo. A proposta de Política Industrial do Paraná reúne 16 diretrizes temáticas, 100 estratégias e mais de 200 ações práticas imediatas.

O evento empresarial força os candidatos ao Palácio Iguaçu a saírem do debate ideológico abstrato. A sabatina individual estabelece discussões pragmáticas sobre infraestrutura rodoviária, tarifas de energia, reforma tributária e qualificação profissional.

O economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conduz as sabatinas desta terça-feira. Cada participante dispõe de 15 minutos para exposição livre e responderá a duas perguntas de empresários do setor.

A distribuição dos horários de fala ocorreu previamente por sorteio da comissão organizadora. O candidato Sandro Alex fala às 19h20, seguido por Sergio Moro às 20h e Requião Filho às 20h40.

As regras internas do Expotrade Pinhais blindam as apresentações de ataques pessoais diretos. A Fiep proíbe expressamente qualquer menção nominal ou referência aos adversários políticos durante as exposições de propostas.

A cobrança industrial ocorre no momento em que as pesquisas apontam indefinição do eleitorado paranaense. A sondagem da Quaest, divulgada nesta segunda-feira (24), mostra Sergio Moro com 37%, contra 21% de Requião Filho.

O Sandro aparece em terceiro lugar com 15% das intenções de voto. O levantamento anterior do Paraná Pesquisas, de 17 de agosto, registrava Sergio Moro com 46,1%, Requião Filho com 23,4% e Sandro Alex com 16,5%.

Sandro Alex aposta em continuidade administrativa, concessões rodoviárias

O candidato Sandro Alex, apoiado pelo governador Ratinho Junior, representa a manutenção das políticas públicas atuais. O deputado federal do PSD foca sua plataforma eleitoral na consolidação do modelo de concessões de rodovias.

Sandro Alex conta com a maior fatia de propaganda de rádio e televisão do pleito. O TRE-PR garantiu 6 minutos e 54 segundos diários ao candidato do PSD, contra 3 minutos e 28 segundos de Sergio Moro.

A coligação governista prioriza o cooperativismo e o agronegócio como motores de desenvolvimento. A plataforma de Sandro Alex defende a concessão de rodovias como o único caminho viável para escoar a produção industrial de forma rápida.

A Fiep cobra de Sandro Alex a redução real das tarifas de energia da Copel. O empresariado reclama que o custo da eletricidade no Paraná sufoca a competitividade das fábricas em relação aos concorrentes vizinhos.

A proposta empresarial cobra a modernização tecnológica das indústrias tradicionais paranaenses. Sandro Alex defende o plano estadual de venda da Celepar para capitalizar fundos de fomento e inovação do setor produtivo.

Sergio Moro passa por teste econômico, busca segurança jurídica

O senador Sergio Moro, candidato pelo PL, tenta reverter o isolamento político no estado. O ex-juiz federal lidera as pesquisas quantitativas, mas carece de uma rede orgânica de prefeitos no interior paranaense.

A passagem pela Fiep serve como teste de consistência para a candidatura de Sergio Moro. O representante do PL precisa demonstrar capacidade técnica de gestão de orçamento para além do tradicional discurso de segurança pública.

O candidato a vice na chapa de Sergio Moro é o empresário Edson Vasconcelos, ex-líder comercial do Oeste e presidente licenciado da Fiep. A escolha tenta aproximar o ex-juiz das cooperativas industriais de Cascavel e de Toledo, bem como os demais industriais paranaenses.

Sergio Moro promete uma política de atração de capital privado baseada em segurança jurídica total. A campanha do ex-juiz federal defende incentivos fiscais setoriais para indústrias que invistam em tecnologia e inovação.

A cobrança empresarial sobre Sergio Moro foca na capacitação de mão de obra para novas indústrias. A Fiep exige planos claros para preencher milhares de vagas abertas que sofrem com escassez de qualificação.

Requião Filho combate privatizações, foca tarifas públicas

O candidato Requião Filho, do PDT, adota a postura mais crítica em relação ao ambiente de negócios atual. O parlamentar carrega a herança política de forte papel do Estado na economia e planejamento centralizado.

Requião Filho utiliza o palanque empresarial para denunciar os pedágios caros nas rodovias federais paranaenses. O candidato apoiado pelo presidente Lula defende a revisão dos contratos assinados pela gestão de Ratinho Junior.

Além disso, o pedetista defende a reestatização da Copel como forma de baratear o custo e garantir o fornecimento da energia sem interrupções.

A oposição de esquerda representada por Requião Filho defende uma reforma tributária estadual progressiva. O PDT propõe isentar pequenas cooperativas e elevar impostos sobre grandes exportadores de grãos sem processamento.

A plataforma do PDT prioriza a redução drástica das tarifas de energia e saneamento básico. Requião Filho propõe utilizar as estatais paranaenses para subsidiar o consumo de pequenas indústrias de Curitiba e do interior.

O debate na Fiep expõe as visões conflitantes sobre o papel do Estado na industrialização. O empresariado paranaense busca segurança fiscal e custos baixos, enquanto os candidatos duelam para viabilizar as propostas.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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