Real Time mostra Deltan, Curi, Filipe, Gleisi e Cristina separados por apenas seis pontos na soma dos dois votos; estreia do horário eleitoral oficializa parceria Filipe-Deltan e abre corrida por alianças eleitorais
A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado ganhou um novo componente nesta sexta-feira (28): a guerra pelas dobradinhas. Na estreia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) oficializaram a parceria da direita com uma mensagem direta ao eleitor: “Quem vota no Deltan vota no Filipe. Quem vota no Filipe vota no Deltan.”
A estratégia aparece justamente quando a nova pesquisa Real Time Big Data mostra uma corrida comprimida entre cinco candidatos. No levantamento, Deltan lidera o primeiro voto, enquanto Filipe Barros lidera o segundo voto. Alexandre Curi (Republicanos), Gleisi (PT) e Cristina Graeml (PSD) também aparecem no pelotão que disputa as duas cadeiras.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-07845/2026.
No recorte que consolida primeiro e segundo votos, Deltan aparece com 20%, Alexandre Curi com 18%, Filipe Barros com 17%, Gleisi com 15% e Cristina Graeml com 14%. A distância entre o primeiro e o quinto colocado é de apenas seis pontos percentuais.
É uma fotografia de uma disputa em que cinco nomes estão próximos e apenas dois serão eleitos.
O detalhe mais importante da pesquisa, porém, está escondido quando os dois votos são analisados separadamente.
Deltan é o líder do primeiro voto, com 28%. Alexandre Curi e Gleisi aparecem empatados em 20%, Filipe Barros tem 17% e Cristina Graeml, 11%.
Quando o eleitor é questionado sobre o segundo voto, o desenho muda completamente: Filipe Barros sobe para 18%, Cristina Graeml chega a 17%, Curi marca 15%, Deltan fica com 12% e Gleisi aparece com 10%.
É justamente aí que a dobradinha Filipe-Deltan ganha relevância política.
Deltan tem força como primeira escolha, enquanto Filipe aparece melhor posicionado entre aqueles que já escolheram outro candidato para o primeiro voto e precisam completar a segunda vaga. A campanha dos dois tenta transformar essa complementaridade em uma orientação explícita ao eleitor: se o voto principal for em um, o segundo voto deve ir para o outro.
A estratégia foi apresentada sem rodeios no primeiro programa eleitoral da coligação Fortaleza Paraná. Filipe Barros construiu sua apresentação a partir da própria trajetória política e, na sequência, atacou o PT e o que chamou de “sistema”. No encerramento, ele e Deltan dividiram a mesma mensagem eleitoral.
“Quem vota no Deltan vota no Filipe Barros. Quem vota no Filipe vota no Deltan para o Senado”, afirmaram no programa.
A disputa, entretanto, não oferece apenas uma possível dobradinha da direita.
Os números sugerem que outros pares podem disputar o mesmo espaço de segundo voto. Isso não significa que existam alianças formalizadas entre os demais candidatos. A pesquisa não pergunta ao eleitor qual dupla ele pretende eleger nem comprova coordenação eleitoral. O que ela mostra é que os candidatos têm desempenhos diferentes quando ocupam a posição de primeiro ou segundo voto.
Curi, por exemplo, tem 20% como primeiro voto e 15% como segundo. Gleisi registra 20% no primeiro e 10% no segundo. Cristina faz o movimento inverso: parte de 11% no primeiro voto e chega a 17% no segundo. Filipe vai de 17% para 18%, enquanto Deltan cai de 28% para 12%.
A matemática eleitoral cria, portanto, uma corrida em duas pistas.
Na primeira escolha, Deltan abre vantagem. Na segunda, Filipe aparece na frente. Curi e Gleisi disputam a liderança da primeira preferência, enquanto Cristina apresenta uma força particularmente maior como segunda opção.
O resultado consolidado transforma essas posições em uma fotografia ainda mais apertada: 20% para Deltan, 18% para Curi, 17% para Filipe, 15% para Gleisi e 14% para Cristina.
A leitura política é clara: ninguém entre os cinco pode se considerar dono de uma das duas cadeiras.
A pesquisa anterior da Quaest, divulgada em 24 de agosto, já havia apontado uma disputa aberta. Na soma dos dois votos, Alexandre Curi aparecia com 15%, Gleisi com 11%, Filipe Barros e Deltan com 9% cada e Cristina Graeml com 8%. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto e registrou 28% de indecisos na soma dos votos.
A Real Time, divulgada nesta sexta (28), mostra uma mudança de patamar. O grupo dos cinco primeiros passa a ocupar uma faixa de 14% a 20%, enquanto Deltan sobe para a liderança e Filipe se aproxima de Curi. A pesquisa, portanto, reforça a ideia de que a segunda vaga será disputada voto a voto entre candidatos que precisam simultaneamente preservar sua base e conquistar o eleitor que ainda não fechou a segunda escolha.
É aí que entra a pergunta política desta campanha: quem vai piscar primeiro?
Uma dobradinha pode ajudar um candidato a transformar voto de segunda opção em voto efetivo. Mas também pode criar um problema: ao pedir o voto para o parceiro, cada candidato corre o risco de dividir espaço com alguém que está disputando exatamente a mesma cadeira.
No caso de Filipe e Deltan, a lógica apresentada no horário eleitoral é explícita: os dois querem transformar a eleição para o Senado em uma votação casada. A mensagem é que o eleitor não precisa escolher entre os dois, porque pode votar nos dois.
O problema é que existem apenas duas vagas e cada eleitor poderá escolher até dois candidatos.
Isso transforma a campanha para o Senado em uma espécie de jogo de combinação. Para conquistar uma cadeira, não basta necessariamente ser a primeira escolha de uma parcela do eleitorado. É preciso também ser aceito como segunda opção por eleitores que já tenham escolhido outro candidato.
Por isso, a guerra das dobradinhas tende a ganhar importância no rádio, na televisão, nas redes sociais e nos eventos de campanha.
Deltan precisa converter sua liderança no primeiro voto em uma segunda escolha mais forte. Filipe precisa consolidar a força como segundo voto sem perder sua posição entre os primeiros. Curi e Gleisi precisam transformar a liderança no primeiro voto em uma combinação capaz de garantir a segunda cadeira. Cristina, por sua vez, tem um ativo eleitoral particularmente valioso: aparece muito melhor como segunda opção do que como primeira.
Para Filipe Barros, a dobradinha no horário eleitoral não tem preço. Em caso de impugnação de Deltan, lá na frente, ele poderá herdar parte de seus votos. Com isso, imagina, uma vaga seria garantida para o bolsonarismo.
Entretanto, a corrida está aberta.
E, com cinco candidatos separados por apenas seis pontos na fotografia consolidada da Real Time, a eleição para o Senado no Paraná começa a assumir contornos de campeonato de duplas: quem conseguir entrar no voto do outro sem perder o próprio eleitor poderá chegar às duas cadeiras. Quem piscar primeiro pode ficar fora.
Leia no Blog do Esmael:

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
