O deputado Requião Filho disse ao Blog do Esmael, nesta segunda-feira (29/6), que aceita uma coalizão com o MDB no Paraná e afirmou que Rafael Greca seria “um belo vice-governador” em sua chapa ao Palácio Iguaçu. A fala desloca a disputa do campo progressista para uma pergunta prática: quem tem mais voto, quem aceita compor e quem fica contra Sergio Moro.
O pré-candidato do PDT ao governo do Paraná afirmou que vê com bons olhos uma aliança com os emedebistas. O gesto mira diretamente o partido que lançou Greca, ex-prefeito de Curitiba, como pré-candidato ao Palácio Iguaçu em 20 de junho, em Curitiba.
A frase mais forte veio quando Requião Filho foi perguntado sobre o lugar de Greca numa eventual chapa unificada.
Segundo o pedetista, Greca seria um belo vice-governador. Em caso de negativa do ex-prefeito, Requião Filho citou Karime Fayad, do MDB, como outro nome possível para a vice.
Karime governou Rio Branco do Sul, migrou para o MDB e entrou no radar emedebista para a eleição de 2026. A lembrança de seu nome por Requião Filho não é casual: ela aproxima o debate de uma composição com perfil metropolitano, emedebista e menos dependente da disputa pessoal entre os dois pré-candidatos ao governo.
A chapa de Requião Filho já tem apoio da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O problema é que a federação apostou nele para o governo, enquanto o MDB colocou Greca na pista.
Dois candidatos do mesmo campo contra Moro podem dividir voto, tempo político, palanque nacional e discurso de oposição ao bolsonarismo. Um acordo, por outro lado, teria de resolver a cabeça de chapa sem transformar vice em prêmio de consolação.
Questionado sobre a possibilidade inversa, isto é, ser vice de Greca, Requião Filho não fechou a porta. Ele condicionou a hipótese ao desempenho eleitoral do ex-prefeito.
“Se ele, o ex-prefeito, me ultrapassar, sem problema algum”, disse Requião Filho ao Blog do Esmael.
A frase põe pesquisa na mesa. Requião Filho aceita discutir composição, mas não aceita inverter a fila sem dado eleitoral. O recado ao MDB é objetivo: apoio é bem-vindo, vice também, mas a cabeça de chapa precisa obedecer a uma regra verificável.
O pedetista afirmou que o MDB poderia indicar Greca, Karime ou outra pessoa com histórico público e ficha limpa para a vice. A formulação abre espaço para uma saída negociada, mas também estabelece filtro político.
Esse filtro interessa ao campo lulista no Paraná. A Federação Brasil da Esperança tenta construir palanque competitivo para Lula no estado e reduzir o espaço de Moro, que se abrigou no PL de Flávio Bolsonaro depois de perder terreno em outras articulações da direita.
A aproximação entre PDT, MDB e Federação Brasil da Esperança também mexe com a disputa ao Senado. Baleia Rossi já admitiu ao Blog do Esmael que o MDB poderia indicar suplente de Gleisi Hoffmann (PT). Se essa costura avançar, o partido de Greca passa a negociar não apenas vice ou governo, mas lugar numa chapa majoritária mais ampla.
O nó político está exatamente aí. O MDB quer manter Greca vivo como pré-candidato ao governo. Requião Filho quer preservar a palavra recebida da federação progressista. Gleisi precisa de um palanque robusto para o Senado e para Lula. E Moro trabalha para transformar a eleição estadual em extensão da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Ao sugerir Greca como vice, Requião Filho fez mais que elogio. Ele empurrou o MDB para uma escolha: disputar contra o campo progressista ou entrar na engenharia de uma frente ampla contra o lavajatismo.
A resposta de Greca ainda será decisiva. O ex-prefeito tem capital político em Curitiba, memória administrativa e relação histórica com o velho MDB requianista. Mas a eleição estadual exige capilaridade no interior, base partidária e acordo nacional.
A conversa também testa o tamanho real do MDB no Paraná. O partido pode reivindicar protagonismo, indicar vice, negociar suplência de Senado e participar de uma frente lulista. Mas terá de decidir se Greca será candidato até o fim ou se entrará numa composição com chance de unificar o campo antibolsonarista.
Requião Filho ofereceu a porta. Agora, o MDB precisa dizer se entra por ela, se tenta derrubar a parede ou se prefere manter duas candidaturas que podem facilitar a vida de Moro.
Acompanhe no Blog do Esmael os bastidores da sucessão no Paraná, as negociações entre MDB, PDT e Federação Brasil da Esperança e o impacto dessas costuras na disputa contra Sergio Moro.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
